Começámos a saga da mudança na manhã de sexta-feira. Depois de pesquisar os preços de um serviço completo de mudanças e nos apercebermos que a coisa nos poderia chegar perto dos 1000€, decidimos alugar uma carrinha e fazer nós dois todo o trabalho (vivendo nós num 2º andar sem elevador, estão a imaginar a coisa).
Ao início da tarde fomos ao stand buscar a carrinha que usaríamos para a mudança. Primeiro filme: percorrer as ruelas da nossa zona (algumas minúsculas) e desejar primeiro manter a carrinha intacta em cada curva e segundo o quase milagre de conseguirmos um lugar à frente de casa. Não conseguimos, pelo que deixámos a carrinha a uns bons 200 metros de casa. E foi assim que levámos para lá uma série de caixotes e o sofá (em 10 peças, para aí) até que pedimos a um vizinho que nos cedesse lugar à frente de casa.
Eu só via a carrinha cada vez mais cheia e a casa...continuava cheia. Um desespero!
Lição nº1 a retirar deste episódio: o nosso T1 não tem pouca arrumação, somos mesmo nós que temos muita (claramente demasiada!) tralha.
Demos a tarefa por encerrada naquele dia já era praticamente meia noite, ainda sem conseguirmos avistar o fim da coisa.
Logo pela fresca, no sábado, tive um amigo (aka salva-vidas de serviço) a quem, em desespero, pedi para ir lá a casa ajudar ajudar o senhor namorado a levar o colchão da nossa cama (que é gigantesco, é tamanho sultan) para a carrinha e ele lá apareceu (mil obrigadas A.!). Ao fim da manhã, quando a energia, a paciência e o espaço na carrinha já escasseavam, decidimos que o pouco restante ficaria provisoriamente por Lisboa, na garagem do meu irmão.

Fizemo-nos à estrada e fomos em direção ao nosso novo apartamento, onde nos esperavam o senhorio, a esposa e o filho, assim como sodôna sogra e senhor cunhado. Assinámos o contrato de arrendamento e começámos a desempacotar. O filho do senhorio pôs logo mãos à obra e começou a ajudar (e eu nem queria acreditar em tamanha disponibilidade e simpatia, e disse várias vezes que não era preciso mas sem êxito) o senhor namorado e o irmão, que ficaram a esvaziar a carrinha (e a pôr a maior parte no elevador. bendito elevador!), enquanto eu e sodôna sogra púnhamos a tralha dentro do apartamento. Quando praticamente uma hora depois me disseram que as peças que me estavam a dar para a mão eram as últimas eu nem queria acreditar! Tudo bem que a tarefa era bem mais simples do que empacotar e ainda ter que transportar tudo sem elevador, mas as mãos extra fizeram toda a diferença.
Fomos devolver a carrinha, e em vez dos 260€ que teríamos pagar por ter estado com ela dois dias, tínhamos um farol partido (que não nos lembramos de ter partido, mas adiante) que nos custou mais 200€. Auch! Depois de todo o trabalho que tivemos para poupar umas centenas de euros, foi doloroso.
Em relação à opção que tomámos de fazer tudo sozinhos, aconselho apenas a quem se esteja a mudar de um apartamento minúsculo e que tenha ajuda para isso, porque a dois é tarefa demasiado complicada. Quando penso no que passei (e sinto as dores nas costas e nos braços), sou capaz de jurar que vou ficar no apartamento novo o resto da vida, só para não ter que passar por aquilo outra vez. Isso ou perder o amor ao dinheiro e pagar para fazerem o trabalho por mim (que será, claramente, a opção da próxima vez).