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quinta-feira, 24 de setembro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #24 - Os primeiros dias de creche do Gu

No dia 7 de setembro, a uma semana de completar um ano de idade, o Gu estreou-se na creche.
A pandemia não nos deixou (aos pais) entrar na escola. Só pudemos lá estar na semana antes para uma reunião com a educadora do Gu, na sala deles (conversámos uma hora com a educadora e enquanto isso o Gu andou feliz da vida a explorar os cantos todos à sala, como se nós não estivéssemos ali).
O Gustavo é um menino que, até hoje, não estranha pessoas nem lugares a que não está acostumado e é super observador e curioso em relação a qualquer novidade. E tudo isto conjugado fez com que tivéssemos a grande (enorme) sorte de, até hoje, nunca o termos entregado à entrada da creche com ele a chorar. Nunca. 
Ele é recebido por várias pessoas diferentes (entre educadora e várias auxiliares lá da creche) e nunca rejeita o colo de ninguém. Aceita-o e ignora os pais como se fossemos invisíveis. O que para nós é espetacular (é mesmo, não estou a gozar. sempre que vejo meninos a chorar apetece-me chorar com eles, mesmo que não sejam meus filhos). Mas o nosso filho é uma pessoa muito coerente, e o entusiasmo que demonstra quando o deixamos na creche é o mesmo que demonstra quando o vamos buscar: nenhum, portanto. 
Até hoje, chorou apenas no primeiro dia, já muito depois de o termos deixado, e por regra está sempre em modo explorador e bem disposto. 


Quanto a um dos assuntos que eu mais temia: sonos. Fizemos uma adaptação gradual e Gustavo só ficou para a sesta ao final de 3 dias. Não conseguiram que ele ficasse deitado na caminha dele (acontece o mesmo cá em casa, mal é pousado acordado senta-se ou levanta-se) nem que adormecesse no colo. Puseram-no numa espreguiçadeira com um doudou e uma fraldinha e lá adormeceu e dormiu 50 minutos. Repetiu a proeza no dia seguinte. 
Entretanto, e porque ele continua a recusar deitar-se na cama, sugerimos à educadora que o deitassem depois de ele já ter adormecido (normalmente há ali uma meia hora de sono mega pesado em que se lhe pegarmos com jeitinho conseguimos mudá-lo de lugar sem que acorde) e assim têm feito: põe-no na cama quando já está adormecido, e já chegou a dormir 2 horas seguidas (praticamente nunca faz sestas de 2 horas em casa).
Quanto à alimentação, tem comido super bem (acontece o mesmo cá em casa).
Tenho muita pena que a pandemia nos tenha tirado a possibilidade de entrar na creche quando bem nos apetece para poder "apanhar" o Gu desprevenido e ver como é que ele é naquele ambiente, mas mesmo assim sinto-me bastante confortável em deixá-lo ali, porque sinto que são uma pequena família em que toda a gente (educadoras, auxiliares, diretora, funcionárias da cozinha) acarinha as crianças e isso tranquiliza-me imenso. Isso e o facto de o nosso bebé estar a dar-se lindamente por lá. 

terça-feira, 22 de setembro de 2020

A nossa escapadela para comemorar o 1º aniversário do Gustavo

No contexto de pandemia que estamos a viver, e com a nossa a família longe de nós, decidimos que este ano, em vez de uma festa de aniversário, faria mais sentido irmos os três dar uma escapadela para comemorar o 1.º aniversário do Gustavo.
Escolhemos o Vale d'Azenha Hotel Rural & Residences, nos arredores de Alcobaça. O hotel é lindo, o staff é muito simpático, o restaurante do hotel é ótimo e sentimo-nos super seguros em termos de medidas de segurança (desinfetaram-nos a mala e tudo! por mim podia ser assim para sempre!).




Os pratos que pedimos no restaurante do hotel (chama-se "Golden"), onde jantámos no domingo. Estavam ambos maravilhosos (peito de pato com um gratinado fabuloso de couve flor, e risotto de camarão).







Não chegámos a desfrutar da piscina (para dizer a verdade, a minha veia de nojentinha assumida não é fã de piscinas e muito menos de enfiar o meu bebé dentro de uma) mas deu para uma bela sessão de fotos de aniversário do nosso principezinho, que vestiu uma camisa pela primeira vez na vida para comemorar a preceito (mas continua um espírito livre do tornozelo para baixo, porque ainda não anda e a sua mãe não tem paciência de lhe calçar sapatos).



Seguimos uma das recomendações que nos deram no Instagram e almoçámos no restaurante António Padeiro. Pedimos bacalhau com broa e farinheira para dois (que na verdade deu para 4, porque a dose era gigante e trouxemos os restos para casa). A comida era ótima e o staff super simpático, gostámos muito.







E ao final da tarde, já em Lisboa, fizemos videochamada com os avós e cantámos os parabéns ao nosso ratinho mais querido. Foi um dia muito feliz.

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #23: Relato de uma noite normal cá em casa

[Um desabafo que fiz no Instagram e que decidi trazer aqui para o blogue, para me recordar daqui a uns anos quando voltar a ter noites decentes de sono]

20h30/21h30: O Gu adormece (no colo, connosco de pé, sempre).
Nos dias em que ele adormece mais cedo faço o esforço de ver uma série de 20 minutos com o homem. Invariavelmente morro de sono a meio da série.
22h (ou antes): Vou para a cama e pego num livro. Raramente leio mais de 4 páginas antes de cair para o lado.
Se a cria acordar antes da meia noite (acontece com frequência e é sempre um mau prenúncio da noite que está para vir) vai lá o pai tentar readormecê-lo (quando acorda depois dessa hora normalmente já só acalma na mama).
00h30/1h: Cria chora. Levanto-me para ir ao quarto dele dar mama. Adormece ao fim de poucos minutos e pouso-o no berço. Com receio que desperte daí a 10 minutos (houve uma altura em que estava perito nisto) fico a dormir no quarto dele.
3h: Novo choro. Entre readormecê-lo ao colo em pé ou na mama deitada, normalmente opto pela segunda (diz que se chama tentar sobreviver). Dou mama enquanto digo mal da minha vida; afinal de contas, já levo um ano desta merd@. Volto a deitá-lo no berço. O raio da criança esteve 10 minutos a dormir agarrado à minha mama, mas quando o pouso espevita. Dou-lhes uns abanicos e lá fica ele. 
Deito-me com uma fome de leão e fico a pensar se vale a pena ir comer (e ter que lavar dentes, ou então não) e arriscar-me a despertar ainda mais, ou se tento dormir mesmo com o estômago a gritar por comida.  Decido tentar dormir e lá consigo (e todas as noites em que isso acontece e não tenho insónias são noites abençoadas, independentemente do número de vezes que acordo).
6h45: Cria começa a chorar. Olho para o relógio e fico contente por ter dormido 3 horas seguidas em vez de 2. Levanto-me rapidamente para tentar dar mama antes que ele desperte completamente, para tentar que ainda durma mais qualquer coisa. Depois de mamar (raramente adormece na mama nesta altura) vem o pai tentar adormecê-lo. Depois de quase meia hora de tentativas em que a cria vai dormitando nos entretantos, desperta por completo às 7h30 (há os bebés que dormem a noite toda e há os que dormem 12 horas ao longo do sono noturno - e há os que fazem as duas coisas ao mesmo tempo; depois há o meu que dorme 10 horas com mil intervalos).
Aquela sensação de acordar rejuvenescida depois de uma noite de sono? Há mais de um ano que não sei o que isso é.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

14-09-2019: 366 dias do Gustavo nas nossas vidas [2.ª parte]



8º mês
Por volta do teu 8º mês de vida nasceram-te os dois primeiros dentes. 
E também por essa altura tiveste uma regressão brutal de sono: deixaste de adormecer deitado para o sono da noite, e dos 2 ou 3 despertares noturnos passámos para 4, 5, 6, 7, 8... houve ali umas 2 ou 3 semanas em que andámos à beira da loucura. Depois as coisas acalmaram passámos aos 3 a 5 despertares (até hoje, é o mais comum acontecer).
Nesta altura passaste a dormir no teu quarto (não sentimos influência no sono, nem para melhor nem para pior).
Começaste a dizer "dada" e "mama" sem qualquer intenção específica.


9º mês
A meio de junho a mãe retomou trabalho e o pai ficou de licença alargada, mas continuámos os três por casa.
Nessa altura voltámos a Braga (e fomos a Viana do Castelo) para uns dias com a família do pai. 
E passámos o nosso segundo fim de semana fora de casa (excecionando as visitas à família): fomos a Fátima e dormimos num sítio lindo.
Aprendeste a dar palminhas e a pôr-te sozinho na posição sentado.
No fim-de-semana antes de fazeres 10 meses disseste "água" intencionalmente, começaste a gatinhar, e puseste-te de pé (apoiado) pela primeira vez.

10º mês
Foi aos 10 meses que nos presenteaste com a primeira noite em que despertaste uma única vez, coisa que só voltou a acontecer um mês depois. Mas ah, que bem que soube!
No final de julho andaste de avião pela segunda vez: voltámos à Madeira e ainda fomos ao Porto Santo. Foram dias maravilhosos, filho! Inundaste a família de sorrisos (mas tens clara preferência pelas mulheres).
Por esta altura começaste a dar passos apoiado no sofá.

11º mês
Quando fizeste 11 meses começaste a subir sozinho as escadas cá de casa. Também começaste a imitar o som do cão e a apontar para a cabeça quando perguntamos por ela.
Fizeste a tua segunda noite com um despertar apenas (e continuamos a esperar ansiosamente que repitas a proeza).

12º mês
És um bebé super observador: quando vamos ao parque fartas-te de olhar para toda a gente, principalmente para bebés e crianças. Sorris para estranhos, principalmente se forem mulheres (aos homens não dás tanta confiança). Não estranhas nada nem ninguém.
Já identificas imensos nomes (bola, balão, água), já dizes adeus, e vê lá, aprendeste a chamar o pai antes de me chamares a mim porque eu te ensinei a fazê-lo (ninguém disse que a vida era justa...).
A uma semana de fazeres um ano "apanhei-te" a agarrar o copo de água que deixei ao pé de ti, distraída, e a beber direitinho como gente grande.
Também por esta altura fomos passear com os avós a Castelo Branco: vimos lugares lindos, filho.
A uma semana de fazeres um ano começaste a ir à creche (mas sobre isso vou fazer um post à parte).
E na véspera de fazeres um ano...apanhei-te feliz da vida sentado no tapete da sala de boca suja, com uma fralda aparentemente muito mal posta, e com um sorriso de orelha a orelha (como quem acaba de descobrir que é capaz de fabricar a própria comida) enquanto te lambuzavas todo...

És um menino saudável (até hoje as tuas doenças resumiram-se a três constipações, mas só agora entraste na creche...) e quero acreditar, pelos sorrisos com que nos brindas diariamente, muito feliz. És um docinho, observador, explorador de tudo o que te rodeia.
Deixas-nos de rastos todos os dias com essa tua pedalada inesgotável (e com o cansativo que é pôr-te a dormir ao colo até hoje...), mas fazes-nos imensamente felizes. Parabéns a nós por este ano incrível, meu amor. Mal posso esperar por tudo o que ainda está para vir.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

14-09-2019: 366 dias do Gustavo nas nossas vidas



Um ano de ti, meu amor. 

1º mês
Chegaste a este mundo de uma forma muito serena. Nas duas primeiras semanas de vida praticamente não te ouvimos chorar. Dormias tanto que eu e o pai tínhamos que pôr despertador a meio da noite para mamares ao fim de 4 ou 5 horas, e ficávamos a olhar para ti, a dormir na maior das serenidades, sem coragem de te acordar (entretanto já te vingaste (demasiado) bem de te termos feito esta barbaridade).
Lá para a tua terceira semana de vida foste (fomos) atormentados com o bicho das cólicas, que veio para ficar. Diziam-nos que iriam embora por volta dos 3 ou 4 meses, mas as tuas não só não passaram nessa altura como ainda pioraram, e só desapareceram lá para os 8 ou 9 meses.

2º mês
Ao final de cinco semanas, quando terminou a licença exclusiva de 25 dias úteis do pai e ele voltou ao trabalho, desaprendeste a dormir: as sestas de 2 ou 3 horas que fazias deixaram de acontecer, e deixaste de adormecer deitado. Se não te déssemos colo tu pura e simplesmente não adormecias, e se te pousássemos depois de adormeceres dormias, no máximo, 30 minutos. Passaste horas infinitas a dormir coladinho a mim: ou no (abençoado) sling, enquanto eu estava no computador ou a comer, ou ao colo enquanto eu lia ou via séries. E tanto que eu li nesses meses graças a isso, meu filho! Isto quando as cólicas permitiam, porque havia sestas em que tínhamos que subir e descer as escadas cá de casa mil vezes para te acalmar e tentar que não despertasses por completo.
No dia 8 de novembro brindaste-nos com o teu primeiro sorriso.

3º mês
Quando tinhas três meses fomos à Madeira passar o Natal. O teu avô veio de propósito da Madeira só para não fazermos a viagem os dois sozinhos (o pai for ter connosco mais tarde): pois é, filho, tens um super avó (e duas super avós). Fizeste as delícias de toda a família, mas em especial dos teus bisavós. Que natal especial nos deste a todos.

4º mês
Por volta de janeiro já nos brindavas com gargalhadas frequentes.
Também por esta altura o papá conseguiu a proeza de te ensinar a adormecer serenamente deitado no Next to me para o sono inicial da noite (era sempre o papá que te adormecia nesta altura, desde que nasceste).
Os avós da Madeira vinham visitar-te(nos) todos os meses, e o meu 33.º aniversário, no final de janeiro, não foi exceção. Nessa altura, passámos o primeiro fim-de-semana fora em modo passeio: fomos a Santarém e ficámos num alojamento espetacular.

5º mês
Em fevereiro a mãe foi trabalhar durante um mês e tu ficaste em casa com o pai. Eu tirava leite todos os dias no trabalho à hora de almoço para que tu o bebesses no dia seguinte, ao almoço. E com isto conseguimos manter a amamentação exclusiva até aos 6 meses. 
Também em fevereiro foste a Braga pela primeira vez, conhecer a terra do papá. E mostrar-nos que viagens longas de carro não fazem parte dos teus programas preferidos.

6º mês
Em março instalou-se uma pandemia no mundo e, na mesma altura em que eu voltei para casa para retomar a licença, o pai veio também, e ficou a trabalhar pertinho de nós. E que ajuda maravilhosa foi, meu amor. Tornou-se tudo mais fácil a partir daí.
Nessa altura, poucos dias depois de teres feito seis meses, deixaste a amamentação exclusiva e começaste a comer através do método Baby Led Weaning. Nos primeiros dias eu achava que ia ter um ataque cadíaco com medo que te engasgasses, mas rapidamente nos mostraste as tuas habilidades e nos provaste que podíamos confiar em ti. Em poucas semanas já comias refeições inteiras sozinho com a maior das destrezas.

7º mês
Aos sete meses começaste a aguentar-te bem sentado, sem apoio. E a estar cada vez mais engraçado e desperto para tudo à tua volta.

[Continua]

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #22 - Chegou ao fim a licença alargada do pai

E ao fim de praticamente um ano, acabou a licença alargada que eu e o pai do Gu tirámos (5 meses meus + 1 do pai iniciais, mais 3 meses de cada um de licença alargada).
Atendendo ao cenário de pandemia que se instalou no país em março e que nos deixou (a mim, ao pai e a meio mundo) em casa a trabalhar, posso dizer que a minha troca de papéis com o pai, em junho (em que eu voltei a trabalhar, e ele voltou a entrar de licença) acabou por não mudar muito a nossa rotina cá em casa: apenas passou a ser o pai que se ocupava mais do Gustavo quando ele estava acordado, enquanto eu trabalhava (ou tentava, que nem sempre é muito fácil).
Retirando as eternas cólicas que perturbaram as sestas do Gustavo até bem mais tarde do que aquilo que esperávamos, posso dizer que o pai acabou por ter uns três meses mais exigentes do que os meus, porque apanhou a fase em que o Gustavo começou a gatinhar, pelo que lá se foi o sossego de poder sentar-se tranquilo no sofá enquanto o Gu brincava quietinho. Sei que há bebés que pedem atenção o tempo todo e que não sabem brincar sozinhos: o Gustavo quando está mais cansado ou agitado pede muita atenção - como é normal em qualquer bebé, diria eu - mas também é um bebé que sabe entreter-se sozinho (como eu costumo dizer, com todo o terror que temos vivido em termos de sono desta criança, merecemos que ele seja um bebé relativamente fácil em tudo o resto :p).


Como já disse por aqui, a licença de um ano não foi propriamente uma opção nossa (ficam avisadas as pessoas que queiram planear bebés e que não queiram gozar licença alargada: numa visão muito pouco romântica mas realista da coisa, setembro é o pior mês do ano para os vossos bebés nascerem, porque o ano letivo - mesmo o dos bebés - começa em setembro, pelo que ou pagam meio ano sem meter os vossos filhos na creche para assegurar a vaga deles, ou têm alguém que vos fique com as crianças para vocês irem trabalhar, ou terão que fazer o mesmo que nós e esperar por setembro para mandar a cria para a creche).
Não vou mentir: é duro passar 24 horas sobre 24 horas fechados em casa (na maior parte do tempo) com um bebé. Mas a verdade é que o primeiro ano de vida deles deve ser provavelmente aquele em que a evolução é maior, e estar longe deles nesta fase implica arriscarmo-nos perder muitos marcos especiais, e isso também deve ser duro (como será se o meu rico filho decidir dar os primeiros passos na creche, e não à vista dos pais, mas adiante...).
Isto tudo para dizer que ao fim de um ano em casa com o nosso filhote e a poucos dias do primeiro aniversário dele, o balanço deste ano é mais do que positivo: foi o ano mais cansativo (esgotante, para ser mais precisa) da minha vida, mas sem sombra de dúvida também foi o mais rico e aquele em que mais cresci (não literalmente mas quase, porque sou bem capaz de ter perdido anos de vida nos últimos meses :p).

[Nos próximos dias conto-vos sobre a entrada do Gu para a creche e a adaptação dos primeiros dias - dele e da mãe dele :p].


quarta-feira, 22 de julho de 2020

Sobre a minha vida atual e o rumo deste blogue

Se há pessoa que nunca quis - e continua sem querer - viver em exclusivo para os filhos sou eu. Não tenho absolutamente nada contra, e agora que sou mãe ainda mais mérito dou a quem consegue fazer disso a sua vida a 100%, porque sei o que custa. E sei que, pelo menos comparando o meu bebé com a minha atividade profissional (numa época normal pelo menos), ser mãe é tarefa muito mais cansativa para mim do que é exercer a minha profissão. 
Mas dizia eu que nunca quis, nem quero até à data, viver em exclusivo em modo "mãe", mas até agora isso tem sido tarefa praticamente impossível. 
Antes de mais, porque é uma mudança (ultra) radical na nossa vida e que demora a assimilar. Olho para a minha vida atual e para a que tinha antes - ainda para mais num contexto de pandemia, que ninguém podia imaginar - e basicamente o único ponto em comum do meu dia-a-dia é que continuo a partilhar casa com a mesma pessoa (mas até a dinâmica da relação sofreu uma transformação monstra, como está bom de imaginar. e agora somos três cá em casa, e não dois, está claro). E continuo a ler antes de dormir, na maioria dos dias. E às vezes vejo séries de comédia com o homem depois de jantar (e continuo a ter sono a meio de todos os episódios, como tinha antes). 
De resto, entre maternidade e Covid, mudou tudo: não trabalho (fisicamente) no mesmo sítio (trabalho em casa, cortesia do Covid), não vou ao ginásio (mais uma vez, cortesia do Covid) não viajo (mistura de Gu e Covid), raramente almoço fora (again, mistura), e todas as saídas têm uma logística muito diferente associada. E - a parte mais dolorosa - deixei de dormir 7 a 8 horas seguidas todas as noites.




Para além de toda a experiência da entrada no mundo da parentalidade ser completamente assoberbante, nós temos a "agravante" de não termos família por perto nem qualquer tipo de ajuda para cuidar do Gu, pelo que tendo em conta que ele ainda não foi para a creche, mesmo que não quiséssemos viver em exclusivo para ele, pelo menos nesta fase não conseguimos que tal aconteça (e está tudo bem). 
Bom...tudo isto um bocadinho como forma de justificar o rumo que este blogue tomou nos últimos meses. Eu queria falar-vos sobre outros assuntos que não o meu filho, mas sendo este blogue uma espécie de diário da minha vida (sei que este tipo de blogue está completamente out, mas a minha pretensão principal continua a ser apenas a de ter um registo de algumas das memórias mais importantes da minha vida), fica difícil falar-vos sobre outros assuntos porque a minha vida além Gu neste momento é praticamente inexistente. Acredito que com o tempo, e principalmente com a ida do Gu para a creche, e quando o regresso à "normalidade" voltar a implicar sair de casa para trabalhar, a coisa mude um bocadinho de figura (mas não garanto). 
Mas fica feito o aviso, que eu não quero trazer cá ninguém ao engano: o Gu agora será sempre uma "peça" fundamental do blogue, porque é a pessoa mais importante (e presente) da minha vida, e sendo este um blogue pessoal, não dá para ser de outra forma. A quem, nos entretantos, tenha deixado de se identificar com os conteúdos que vou partilhando por aqui, percebo perfeitamente se forem à vossa vida, e só posso agradecer por terem estado desse lado até agora.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #21 - Balanço sobre o BLW ao fim de 4 meses

Uma coisa que a (pouca) experiência já me ensinou neste mundo da maternidade (e da alimentação dos bebés em particular) é a não dar nada por adquirido. Nunca. Até agora a experiência de BLW tem corrido super bem (e esperemos que assim continue).
Posto isto, vamos então falar nos últimos quatro meses cá por casa, no que toca à alimentação.
Ponto n.º 1: O baby led weaning pode parecer muito giro quando vemos vídeos no Youtube das criancinhas com meses de vida a comer brócolos tão bem ou melhor do que adultos, mas para lá chegarmos há um processo que é moroso e, por vezes, implica algum sofrimento (dos pais, não dos filhos). Digo moroso porque nas semanas antes de começar o BLW e nas primeiras semanas em que eu o apliquei com o Gu, passava horas do meu dia a ler sobre o assunto para aprender e aperfeiçoar cortes e consistências dos alimentos. E os reflexos de vómito dos primeiros dias, como já contei noutro post, deixavam-me muito stressada (agora são muito menos frequentes, como é normal, e já não me incomodam, porque sei que são normais e que não são um sinal de perigo, pelo contrário). Foi só depois de passados os primeiros dias, e de me ter apercebido que estava a correr tudo bem que consegui relaxar e deixar de precisar tanto de estudar o assunto, porque a experiência e o feedback do Gustavo já me iam permitindo ver o que é que funcionava melhor com ele, e que a que alimentos e texturas ele mostrava maior recetividade.
Nós sempre tivemos intenção de dar sopa ao Gustavo, porque é algo que comemos cá em casa praticamente todos os dias, mas antes disso queríamos que ele se familiarizasse com os sólidos. Ao final de dois meses de sólidos em exclusivo, e porque ele passou por uma fase de não estar tão recetivo aos vegetais (para além do que era chegada a altura em que pelo método tradicional de introdução alimentar passa-se de 2 para 3 refeições diárias (para além do leite, claro)), decidimos que era a altura de introduzir a sopa. E durante mais de um mês correu super bem, até que ele se fartou e deixámos de dar todos os dias (dando sempre legumes inteiros em alternativa). E fomos sempre dando a sopa conforme o Gu a "pedia": muitas vezes ele estava tão impaciente e sôfrego que púnhamos mais água na sopa e davamos-lha a beber, outras íamos dando a colher para a mão dele e ele ia comendo à sua maneira, outra dávamos de forma mais tradicional, sempre conforme ele nos ia comunicando que a queria.


Exemplo de uma refeição adaptada à fase atual do Gustavo: hambúrguer de cogumelos e feijão branco, brócolos, cenoura e pepino (a partir do momento em que eles começam a fazer o movimento de pinça torna-se mais fácil dar variar mais no formato e diversidade de alimentos).

Não é sempre fácil ter paciência para isto, e por vezes a sujeira é muita, mas sou completamente contra forçar os bebés a comer seja o que for - se não faz sentido com o leite materno, porque é que faria com qualquer outro alimento? Não quer, dou-lhe alternativa (dentro do que há), e se não quiser nada do que tenho para oferecer, há sempre a maminha portanto está tudo bem.
Temos dado sempre almoço e jantar. Pequenos almoços e lanches damos na maioria das vezes (panquecas e/ou fruta) mas nem sempre. Deixei de oferecer maminha a seguir às refeições principais depois de termos tido consulta com a pediatra e ela ter dito que o leite impedia a absorção do ferro - presente na carne, por exemplo -,quando consumido na mesma refeição.
Até agora, e retirando uns dias em que há alguns vegetais para os quais o Gu não está muito virado (normalmente quando estão só cozidos, com menos sabor, por isso percebo-o perfeitamente ;)), diria que o meu filhote não tem sido nada esquisito. Mas mostra uma clara preferência por proteína, que é sempre a primeira coisa que vai buscar quando lhe pomos o prato à frente (seja leguminosas, ovo, carne ou peixe, é sempre a primeira escolha dele). Também adora fruta (principalmente manga e mirtilos), mas não há nenhuma que rejeite. Na grande maioria dos dias é um gosto tremendo vê-lo comer de forma autónoma (e se forem os alimentos preferidos dele, limpa o prato à velocidade da luz). Ainda não partilhamos as refeições em família porque, para já, prefiro que ele coma os alimentos da forma mais natural possível e os nossos horários de refeição também nem sempre são compatíveis. Mas consigo perfeitamente tê-lo a almoçar/jantar ao pé de mim enquanto arrumo a cozinha ou cozinho, por exemplo.
Como disse no início do post, se quisermos fazer BLW de forma consciente e segura é uma opção que nos primeiros tempos dá muito mais trabalho do que a opção pelo método tradicional, mas em termos de experiências sensoriais, desenvolvimento das capacidades motoras, e (espero) construção de uma relação saudável com a comida, diria que é um investimento de tempo que compensa muito. Pelo menos para já, eu não podia estar mais feliz com a opção que tomámos (ou tomei eu, já que alimentação é um assunto que me interessa muito mais a mim, e o homem apoiou a 100% desde o primeiro dia) e não podia recomendar mais (mas só se tiverem muita paciência, tempo e se preocuparem pouco com sujeira).

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #19 - Três meses de licença alargada em plena pandemia (e a evolução dos últimos meses)

Como já contei por aqui, eu e o pai do Gu optámos por tirar ambos licença alargada, já que não conseguimos arranjar vaga na creche para o ano letivo que está agora a terminar (se os pais partilharem ambas as licenças - inicial e alargada - podemos tirar um máximo de um ano, sendo que a partir do 7º mês o subsídio baixa muito).
Já regressei ao trabalho há quatro semanas, mas como estou em teletrabalho acabei por não sentir grande diferença.
O meu último dia de trabalho (da nossa licença inicial) foi o dia 11 de março, ainda em modo "normal". No fim de semana seguinte já estava o caos instalado no país, e logo na semana seguinte o pai cá de casa entrou em modo teletrabalho (e a mãe em modo feliz da vida com isso). E assim temos estado desde então, os três por casa. E devo dizer que isso facilitou imenso a minha vida: porque não precisava de ter as refeições todas planeadas, porque muitas vezes era o pai que adormecia o Gustavo para as sestas do dia, e porque não senti tanto aquela solidão de quem passa dia após dia em casa com um bebé sem ter um adulto com quem conversar.
Depois de ter passado pela experiência de ter tirado licença alargada e no contexto em que foi, acho  que não termos tido hipótese de pôr o Gustavo na creche mais cedo foi o melhor que nos podia ter acontecido. Dizem que os bebés evoluem muito quando vão para a creche (e o nosso bem precisava de aprender a ser mais autónomo a adormecer...), mas eu não tenho pressa nenhuma em que ele faça x ou y 1 ou 2 (ou até 3 ou 4) meses mais cedo. E não há amor nem atenção como o dos pais. E a alegria que o Gu tem mostrado nestes meses, com ambos os pais em casa o dia inteiro com ele, é impagável.
Entre as mil vantagens de não estar sozinha com o Gu, uma das maiores foi mesmo a de termos iniciado o Baby Led Weaning estando os três em casa (para quem não sabe o que é, é ver este post), porque muito honestamente nos primeiros dias o meu medo de que o Gu se engasgasse (e eu congelasse perante esse cenário) era tanto que não sei se o teria feito nas refeições em que estivesse sozinha em casa com ele.
Entretanto o sono continuou (e continua) a ser o grande desafio cá por casa, tanto de noite como de dia. O pouco que tínhamos "conquistado" de noite (era a única altura em que o Gu já adormecia pacificamente deitado e estava a acordar em média 3 vezes por noite) de repente mudou por completo aos 8 meses e tivemos várias semanas de 7, 8, 9 despertares noturnos em que andávamos à beira do desespero (nunca chegámos a perceber o motivo). Adormecer deitado para o sono da noite também nunca mais voltou a acontecer até hoje, e durante o dia adormecer deitado também é para esquecer (já se for no colo consigo a "proeza" quase sempre em menos de 5 minutos).



A nível de capacidades motoras, o Gustavo não é nada precoce, muito pelo contrário, e isso é coisa que não me tira o sono (ao contrário de algumas pessoas chatinhas que perguntam a tooooda a hora se já gatinha, se já isto, se aquilo).
O Gustavo só se sentou bem sem apoio aos 7 meses (daí termos começado o BLW, sem pressas, apenas aos 6 meses e meio, por uma questão de segurança) e só esta semana começou a colocar-se sozinho na posição sentado (estando deitado) (às vezes dá-lhe para praticar no berço, às 5h da manhã...), e até hoje ainda não gatinha (bem...às vezes semi gatinha em modo marcha atrás), mas lá se vai arrastando e chega onde quer. Já adora estar de pé (mas temos que ser nós a apoiá-lo), adora fazer posições de "ioga" e pranchas (e queixar-se enquanto as faz, como se estivesse a ser obrigado) e põe-se aos saltinhos (sentado), a tentar arranjar balanço para se levantar. O facto de não gatinhar nem andar não impede que já tenha dado início ao seu CV de nódoas negras.
Farta-se de "palrar" e vai dizendo os seus "ma ma" (mas está tudo menos a chamar-me), "pa pa" (mas está tudo menos a chamar o pai), "da da", e agora deu em estalar a língua. E tem uma adoração maluca pelo pai: não sei se consigo ver melhor por estar de fora, mas o olhar que ele dirige ao pai, tantas e tantas vezes, é dos cenários mais deliciosos a que já assisti em toda a minha vida (e que sortuda que sou, por poder ver com tanta frequência).
Com a regressão brutal de sono, decidimos mudar o Gustavo para o quarto dele aos 8 meses e meio, para ver se dormiria melhor sem nós (mas na verdade continuámos a dormir com ele, à vez, pelo que não sei se se cumpriu o propósito). Ele não estranhou nada a mudança...mas também não foi por aí que passou a dormir melhor. Foi também por esta altura que surgiram os primeiros dois dentes (eu sei que dito assim parece que foi o motivo do sono piorar, mas ele não só não parecia ter dores quando acordava como durante o dia estava sempre bem disposto).
Estreámo-nos na relva (ficou feliz da vida) e na praia (esteve o tempo todo - tipo 30 minutos - com um ar miserável de "tirem-me daqui" e quando molhou os pés na água começou a chorar, não em modo berraria, mas aquele beicinho sofredor digno de deixar o coração de uma mãe em cacos em 3 tempos). No final da minha licença fomos de fim de semana prolongado visitar a família do senhor namorado a Braga/Viana e não só não estranhou ninguém (não estávamos juntos há quase 4 meses) como distribuiu sorrisos por toda a gente (a foto deste post foi tirada nesse fim-de-semana, em Viana).
É uma praguinha para dormir, mas quando está acordado é um doce, quase sempre bem disposto, e que nos faz rir mais a cada dia que passa. É absolutamente delicioso vê-lo comer. E é o motivo para eu estar (quase) sempre cansada e com sono, mas é também o meu maior motivo de felicidade nos últimos meses. Meu Gucas querido.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #18 - As primeiras semanas de Baby Led Weaning

A minha experiência, à data em que escrevo este post, ainda nem três semanas tem (faz amanhã), mas ao final deste tempo, e em relação ao meu filho (não terão todos o mesmo comportamento, obviamente) e a mim própria, posso dizer o seguinte: os primeiros dias, entre adaptação aos cortes e cozeduras (que resultam às vezes em aperceber-me que o meu filho não vai conseguir comer nada de jeito, não porque não esteja para aí virado, mas porque eu não consegui cozer ou cortar os alimentos da forma mais adequada), e muiiiito reflexo de vómito, são um teste, não só ao nosso coração como à nossa paciência (o BLW requer tempo para deixar o bebé explorar os alimentos ao seu ritmo). 
Mas ainda nem uma semana tinha passado e eu já conseguia ver uma evolução clara no meu filho e, com isso, comecei a entusiasmar-me cada vez mais (depois de ter tido vontade de desistir nos primeiros dias, por causa do reflexo de vómito constante).
Não corre bem todos os dias: ou porque é um alimento novo e, como disse antes, apercebo-me que não o cortei ou cozinhei da forma mais apropriada, ou o Gustavo está pouco paciente (é preciso "apanhá-lo" pouco depois da sesta e que não tenha mamado pela última vez há demasiado tempo), ou menos interessado. Faz tudo parte. Os primeiro dias de BLW não têm por objetivo alimentar a criança, mas sim introduzi-la neste mundo novo dos alimentos e suas texturas, formatos, cores e sabores. Comer efetivamente alguma coisa, nos primeiros dias, é um "bónus" (e esse bónus, cá em casa, chegou bem mais cedo do que eu estava à espera).
Segue então o relato dos primeiros dias da nossa experiência.

1º dia: banana 
Apesar de ter estudado imenso, o comprimento da banana que lhe demos não era o ideal (uma coisa é a teoria, outra a prática). Ele não conseguia agarrá-la sobrando banana fora da mão, como era suposto. Mas desenrascou-se: deixou a banana no tabuleiro e levou lá a boca. E bem que gostou.
Mood desta mãe depois da primeira experiência: "Isto não é tão fácil e giro como eu achava que ia ser, mas bora lá seguir firmes".

2º dia: courgette e cenoura cozidas ao vapor (cortadas em tiras, com parte da casca) ao "almoço"
O Gustavo não conseguiu mastigar super bem a courgette, mas desenrascou-se a chupá-la (fez isto com vários alimentos, na verdade). Em relação à courgette: voltámos a dá-la duas semanas mais tarde e, apesar de ter corrido melhor, não acho que seja dos vegetais mais fáceis de comer nesta primeira fase (não tem uma textura que se desfaça bem).
A cenoura comeu qualquer coisa, mas eu apercebi-me que tinha cozido demasiado tempo (isto é mesmo um processo de aprendizagem para todos). 
Na verdade, os bebés têm mais força (de gengivas, nomeadamente) do que podemos pensar. E como estava demasiado cozida ele também a esmagava demasiado antes de conseguir levá-la à boca (eles próprios também estão ainda a aprender a dosear a força com que agarram nos alimentos). Mas gostou de ambas. E teve um fartote de reflexo de gag (mas reagindo sempre como se estivesse tudo bem. E estava). E eu tive um fartote de mini paragens cardíacas.
Mood desta mãe ao segundo dia: "Deve ser bem mais tranquilo dar sopas e papas. Não sei se isto é para mim.".

3º dia: batata doce assada em tiras ao "almoço"
Continuámos a testar cozeduras e a precisar de aprimorar a técnica. Mais uma vez, a criança aprovou o sabor.
Mood desta mãe: Mantivemos as paragens cardíacas frequentes em cada reflexo de vómito da criança. Criança, esta, que continuava tranquilíssima em relação a isso.

4º dia: brócolos cozidos ao vapor ao "almoço" e banana à tarde
Mood desta mãe: Virei-me para o homem e disse para ficar ele a supervisionar a criança, que eu ainda estava traumatizada com a experiência da véspera (correu tudo bem, atenção).
Apercebi-me que ele tinha comido super bem os brócolos, e que o reflexo de gag já tinha diminuído muito. Ganhei algum ânimo para continuar.

[Sobre alimentos que se desfazem facilmente:
Com a banana, tenho feito sempre o seguinte: primeiro deixo-o agarrar nela e comer por ele (leva logo grandes pedações à boca, sendo que depois mais de metade deles acabam cuspidos para o tabuleiro quando se apercebe que teve mais olhos que barriga :p). Com os pedaços que se vão soltando, ponho na colher "numnum" e dou-lhe a colher para a mão.
Isto vale para a banana e não só: quando o alimento fica muito desfeito e é ligeiramente pastoso, ponho pedacinhos desfeitos na colher "numnum" (falei dela neste post) e dou para a mão dele. Assim ele tem os dois tipos de experiência (e sempre come mais qualquer coisa). Ainda hoje dei uma banana da Madeira nestes termos e o Gustavo, entre os dois "métodos", comeu-a toda. Não sobrou nada.
Faço isto com toda a comida que se desfaz e que é suficientemente pastosa para "colar" na colher (abacate, cenoura, hamburguer de vegetais, panquecas).]

5º dia: Cenoura e batata doce cozidas ao "almoço". Pêra cozida de manhã
Mood desta mãe: "Bora lá que isto depois dos primeiros dias é que dizem que fica giro". Depois de trocar fraldas à cria e perceber que efetivamente começava a comer alguma coisa (sim, ao 5º dia!): "Isto afinal talvez resulte mesmo.".

6º dia: Abóbora e brócolos ao "almoço"
Mood desta mãe (depois da criança agarrar já com mais destreza nos alimentos e comer efetivamente mais em vez de só tentar): "Que orgulho neste filho! Isto é tão giro! Adoro! Daqui a nada está a comer tão bem como nós!".

7º: Banana de manhã. Cenoura cozida ao "almoço"
Continuámos a notar evolução (em mim, que já cozo melhor a cenoura - mas não é dos legumes que acho mais fáceis acertar na cozedura adequada -, e nele, que já a agarra com menos força e come mais quantidade).

8º: Batata doce assada e nabo ao "almoço". Panqueca de aveia e maçã à tarde
Pela primeira vez o Gustavo provou alguma coisa e não mostrou grande interesse: nabo cozido (devo dizer que o percebo, não é a verdura mais saborosa do mundo). Já lhe tínhamos posto no tabuleiro uns dias antes e não lhe tinha tocado. Desta vez insisti em pôr-lhe o nabo na mão: levou-o à boca, provou, fez um ar de pouco entusiasmo, largou-o e não lhe voltou a tocar.
De tarde fiz, pela primeira vez, uma panqueca (com aveia, maçã e água). A consistência ficou demasiado "elástica", pelo que tive receio que se lhe colasse ao céu da boca ou à garganta. Dei bocadinhos pequeninos na colher numnum.

9º: Brócolos ao "almoço". Abacaxi, e panqueca de aveia, maçã e linhaça ao "lanche"
Não sei se pelo formato, mas os brócolos são dos vegetais que, neste momento, o Gustavo consegue comer melhor.
A panqueca desfez-se com demasiada facilidade, pelo que dei pedacinhos na colher. 
Quanto ao abacaxi, cortei uma tira e deixei parte da casca. Fartou-se de chupar e gostou, mas em determinada altura assustou-se (não percebemos bem porquê, se se engasgou) e começou a chorar (nunca tinha acontecido até então, e não voltou a acontecer entretanto com nenhum alimento). Parámos por ali e foi à maminha.

10º dia: Banana de manhã. Abacate ao almoço
O abacate, estando no ponto certo, é bastante fácil de eles comerem (deixando parte da casca, senão escorrega tudo). Não só gostou como comeu bastante (em comparação com outros alimentos).

11º dia: Hambúrguer de grão e cenoura ao almoço. Panqueca de aveia, ovo e banana ao lanche
O hambúrguer desfez-se todo (ainda não foi desta que acertei à primeira com a consistência de um alimento). 
À terceira vez, acertei na consistência da panqueca (mais durinha), e o Gustavo conseguiu comer: foi das refeições em que comeu mais (a consistência da fralda do dia seguinte comprovou-o).

[Sobre panquecas:

A partir deste dia, continuei a dar panquecas ao lanche, variando o tipo de farinha (aveia, centeio, espelta) e a fruta que adiciono (pêra, maçã, banana). Às vezes junto um pouco de linhaça, e normalmente junto um ovo. Faço umas 3 panquecas de cada vez, corto-as em tiras (duas ou três, dependendo do tamanho da panqueca), e têm dado para duas refeições normalmente.
Ao final de duas semanas, o Gustavo já chegou a conseguir comer uma tira inteira de panqueca sem que ela se desfizesse. Quando isso não acontece, ponho pedacinhos desfeitos na colher e dou-lha para a mão, e ele também come bem.
Ainda não experimentei fazer bolos e bolachas. E confesso que tenho algum receio de dar pão e massa nesta fase, mas lá chegaremos.
Ainda sobre panquecas: como tenho dado quase todos os dias, tenho notado uma evolução grande no manuseamento e na quantidade que ele come. Depois de uma panqueca e meia manga na mesma refeição, ao fim de duas semanas de BLW, pela primeira vez ofereci maminha depois dessa refeição e o Gustavo quase não mamou (o que quer dizer que ficou bastante satisfeito com a refeição).

Da nossa experiência (atualizada depois do último post), estes foram os alimentos que resultaram melhor nos primeiros dias):

- Brócolos (em raminhos)
- Abacate (em meias luas, com parte da casca)
- Manga (cortada como o abacate) [O Gustavo comeu quase meia manga - praticamente sem desperdício - logo na na primeira vez que provou).
- Kiwi (idem) [O Gustavo comeu meio kiwi - praticamente sem desperdício - na primeira vez que provou).

As experiências que não correram tão bem:

- Cogumelos (demos Portobello grande, em tiras, mas a textura não facilitou)
- Courgette (não tem uma textura que se desfaça com facilidade na boca)

Até podemos achar que eles comem pouco nestes primeiros dias. E na verdade, durante os primeiros dias, quando ofereci maminha a seguir a todas as refeições, não notei que ele mamasse menos que o habitual. Mas posso garantir-vos (e perdoem-me os mais sensíveis - vou falar de cocós) que nem tinha passado uma semana quando começámos a perceber pela fralda que não era assim tão pouca a quantidade de comida que ele estava a conseguir comer. E ao final de duas semanas posso dizer que o Gustavo, na maior parte das vezes, já não mama tanta quantidade depois de fazer as refeições em BLW (que o digam as minhas maminhas, já que eu voltei ao estado "Pamela Anderson" e a ponderar se não vou ter que recorrer à bomba extratora - nunca me ocorreu que pudesse acontecer tal coisa nesta altura do campeonato, confesso).
Com quase três semanas de experiência, e apesar de continuar a sentir-me um pouco perdida pelo facto de não termos tido consulta com a pediatra nem irmos ter em breve (mas isso teria acontecido na mesma se tivéssemos optado pela abordagem mais tradicional, acho eu), o balanço é mesmo muito positivo, e não me arrependo nem um pouco da opção que tomámos.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #17 - Começámos o BLW (as respostas que encontrámos para as nossas principais dúvidas)

Depois do primeiro post introdutório sobre o tema, neste post vou dizer como encontrei resposta às principais dúvidas que tive antes de começar o BLW, com base nos primeiros dias da nossa experiência.

Amamentar antes ou depois?
Quanto a esta questão, comecei por tentar amamentar antes de fazer o BLW, conforme aliás nos tinham recomendado no whorkshop que fizemos. Isto porque nas primeiras vezes, como o bebé não vai propriamente comer grande coisa, não convém estar com fome ou sono, de forma a estar bem disposto para desfrutar da experiência. 
Não correu bem, porque com tanto reflexo de gag, vomitou a (pouca) comida e o leite que tinha no estômago. 
Depois de duas experiências com vómitos à mistura, decidi então amamentar primeiro e dar a comida mais ou menos uma hora depois: também não correu bem, porque basicamente desta forma ele passava o dia a comer, e o meu filhote quando passa o dia a comer...acha que é para fazer igual durante a noite, pelo que tivemos que mudar de estratégia. 
Ao final de 3 ou 4 dias, comecei a dar a comida pouco depois de ele acordar da sesta, para não esperar muito nem ficar com muita fome. E mal dá sinais de que já não quer comer mais (é bastante claro nos sinais: deixa de se interessar pela comida e de levá-la à boca) ou começa a ficar mal disposto/frustrado, dou-lhe maminha logo de seguida. E assim temos feito, mantendo mais ou menos os intervalos de aproximadamente 4 horas entre refeições durante o dia.

E fazemos o BLW em que refeição?
Como nos primeiros tempos o bebé não faz uma verdadeira refeição, pouco importa se é almoço ou jantar, se é de manhã ou à tarde, ou se fazemos ambos.
Por aqui, não me fez sentido alterar a rotina de adormecer ao final do dia para o sono da noite, que é sempre precedida de maminha.
Quanto à primeira refeição do dia, varia sempre muito o intervalo de tempo desde que o Gustavo mamou pela última vez (as nossas noites são sempre uma incógnita, mas o cenário mais comum atualmente consiste em mamar 3 vezes durante a noite, e acordar por volta das 8h e pouco da manhã). Para não ter que estar a preparar nada à pressa mal ele acorda eventualmente já cheio de fome, também excluímos a primeira refeição.
Sobraram duas: a da hora de almoço e a do lanche, sendo que temos tentado dar-lhe sempre qualquer coisa nestas duas refeições (seguidas sempre de maminha, conforme disse anteriormente).

E que alimentos dar? E quantos de cada vez? E quando voltamos a repeti-los?
Neste assunto, peguei no guia de recomendações que a nossa pediatra nos deu sobre a introdução alimentar tradicional e tentei adaptar ao BLW. Mas não segui tudo à risca: dei logo fruta nos primeiros dias (as recomendações pelo método  tradicional sugeriam dar fruta depois de uma primeira semana só de sopas e uma segunda semana em que juntaríamos papas). 
Aliás, o alimento de estreia por aqui foi mesmo fruta (banana).
De resto, tenho tentado não dar mais de um alimento novo por dia (mas às vezes acontece dar dois) e em relação a repeti-los ou não, acaba por depender um pouco do que é que temos no frigorífico, para ser sincera. E tento também dar só fruta e vegetais da época (já incumpri a regra: ou por desconhecimento, ou porque estava sem imaginação e apetecia-me experimentar qualquer coisa em específico).
Em relação às possíveis reações alérgicas associadas a darmos vários alimentos novos ao mesmo tempo, daquilo que li a doutrina mais recente defende que até convém dar os alimentos com maior potencial alergénio relativamente cedo aos bebés, já que eles têm uma janela imunológica mais ou menos entre os 6 e os 9 meses, altura essa em que, tendo contacto com esses alimentos, terão menos propabilidades de desenvolver reações alérgicas aos mesmos.
Até agora, se me perguntassem qual o top 3 dos alimentos que achei mais fáceis dar ao Gustavo nesta fase de motricidade em que se encontra, a minha resposta seria: brócolos, acabate (com parte da casca senão escorrega-lhes da mão) e kiwi (também com casca).

O reflexo de vómito (ou gag reflex)
O reflexo de vómito pode ser assustador (pelo menos para mim), mas é uma defesa do bebé. Do bebé e de todo o ser humano. Mas, ao contrário deles, que têm o ponto que desencadeia esse reflexo mais para a frente na língua - o que faz com que aconteça com mais frequência, os adultos têm-no quase na garganta (este ponto vai "retrocedendo" na língua à medida que os bebés vão crescendo).
Há que saber distinguir o reflexo de vómito do engasgamento, e deixar o bebé desenrascar-se sozinho quando tiver "apenas" reflexo de vómito (digo apenas com aspas porque não é nada fácil - pelo menos para mim - ver o bebé fazê-lo sem saltar para cima dele e tentar tirar-lhe o que tiver na boca, mas não é suposto fazê-lo, de todo).
Na verdade, apercebi-me que mesmo estando informada sobre o assunto, eu não estava preparada para isto. Eu sabia que iria acontecer, que é normal, mas todas as vezes que o Gustavo tinha (e tem) esse reflexo (nas primeiras vezes de BLW era sensivelmente a toda a hora) o meu coração congelava por uns segundos e eu tinha mini avcs. Passadas duas semanas continua a acontecer: com menos frequência mas acontece (o reflexo de vómito, e os meus mini avcs).

Os alimentos que demos nos primeiros dias, e a reação a eles (da mãe e do filho ;)) ficam para um novo post que sairá em breve (já que, mais uma vez, este post ficou maior do que era suposto).

domingo, 5 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #16 - Começámos o BLW (o que é, fontes de informação, principais dúvidas que tivemos, utensílios úteis)

[Nota prévia: vou estruturar o post de forma diferente do habitual para facilitar a leitura. Mas aviso já que este post serve apenas para partilhar a minha (pouca) experiência. Não pretende ensinar nada a ninguém (apenas partilhar algumas dicas que, a posteriori, me parecem úteis para os primeiros dias) porque eu, apesar de ter estudado bastante o assunto, continuo uma leiga na matéria, e a cometer - com certeza - erros, e a aprender diariamente com eles. Informem-se em fontes fidedignas. O BLW é muito giro (pelo menos depois dos primeiros dias...), mas tem que ser praticado com segurança e informação - muita!.]

O que é
Para quem não sabe, o Baby Led Weaning (BLW) consiste em introduzir o bebé no mundo da diversificação alimentar não através das tradicionais sopas e papas, mas dando-lhe autonomia: é ele que comanda o desmame (é esta a tradução do termo, basicamente), sendo-lhe dados alimentos com cortes e cozeduras adequados à idade e fase de motricidade em que se encontra. A chave deste "método" é não pormos nada na boca do bebé: seja comida ou até talheres, deve ser o bebé, sozinho, a levá-los à boca se, como e quando quiser. E nunca o obrigarmos a comer, seja o que for.
Contrariamente à introdução alimentar através de líquidos, no BLW tem que se esperar, no mínimo, pelos seis meses de vida do bebé, porque é, em regra, a altura em que ele cumprirá 3 requisitos essenciais para fazê-lo de forma segura: conseguir sentar-se (mesmo que com algum apoio), levar objetos (intencionalmente) à boca e perder o reflexo de extrusão.

[Em relação ao aconselhamento da pediatra, a última consulta que tivemos foi aos 4 meses (sendo que estivemos a leite materno exclusivo até aos 6). Na altura perguntámos qual era a opinião dela sobre o BLW e ela disse que não se opunha, desde que fizéssemos um curso (que fizemos). E como não voltámos a ter consulta entretanto (foi cancelada devido à pandemia), tivemos que tomar decisões por nós quando achámos que o Gustavo já demonstrava os sinais de prontidão para iniciar o BLW.]

Fontes de informação
- Comprei o livro "Os bebés sabem comer sozinhos" da Gill Ripley (é enfermeira no Reino Unido e é a pessoa que introduziu este conceito): honestamente, retirando as páginas introdutórias, que têm informação interessante, é mais um livro de receitas que outra coisa, e receitas (aptas a toda a família, não são exclusivas para os bebés) que não me entusiasmam muito (não são, na sua maioria, coincidentes com o tipo de alimentação que temos cá em casa).
- Comprei os Ebooks da Leonor Cício, autora do blogue "Na cadeira da papa" (são 3: um sobre legumes, outro de frutas, e um sobre cereais, e entre informação nutricional variada, explica como se deve dar cada alimento aos bebés, em função da fase de motricidade em que se encontram). Podem ver aqui. Recomendo muito.
- Fizemos um curso de BLW (de 3 horas) no Centro Pré e Pós Parto. Também recomendo muito. Só me arrependi amargamente de não ter ido sozinha, em vez de em família, porque a concentração com o bebé connosco foi pouca e acabámos por não aproveitar bem.
- Vi vários vídeos no Youtube (inclusive a manobra de salvamento do bebé em caso de engasgamento, é muito importante - com ou sem BLW). 
- Páginas de Instagram que sigo e gosto: mundoblw, soymamanutricionista, blw_practicando e happyrecipesblw.
- O blogue "Na cadeira da papa" tem vários posts muito interessantes sobre BLW. Vejam-nos aqui, se tiverem interesse.


O nosso filhote todo entusiasmado a comer brócolos.

Principais dúvidas que tivemos
Perguntas que me ocorreram quando decidimos começar: dou maminha primeiro ou depois de lhe dar a comida? (porque nas primeiras vezes o BLW serve só para os bebés explorarem a comida, pouco ou nada comem efetivamente). 
E faço em que "refeição"? 
E dou um alimento de cada vez? Dois? Três? 
E quando volto a repetir alimentos? 
E quantas "refeições" de BLW dou inicialmente?
Bom...a conclusão a que cheguei depois de muito pesquisar foi que não há respostas para nada disto. Há alimentos e cortes proibidos - porque propiciam o risco de engasgamento -, e há cortes e cozeduras adequados em função de cada fase da motricidade dos bebés. Quanto ao resto...não há propriamente "regras". A resposta está em ir usando a nossa sensibilidade/intuição para perceber quais serão as melhores opções. E ir adaptando, corrigindo e melhorando ao longo dos dias. 
[Por exemplo, em relação a amamentar antes ou depois, no curso foi-nos sugerido amamentar primeiro, mas na nossa experiência concreta não correu bem - mas num segundo post contarei a nossa experiência].

Utensílios úteis
Três coisas que usamos e recomendo muito (comprei tudo no site Tartaruguita, mas há de haver noutros sítios também): um babete impermeável género "camisola", que protege o bebé todo, um tabuleiro de plástico que se põe à volta da cadeirinha (comprei os dois juntos - foi este o pack, chama-se tidy tot) - assim a sujidade fica lá toda, praticamente não chega nada ao chão, e é muito fácil de lavar -, e umas colheres "numnum" - onde conseguimos "colar" comida pastosa, e que depois o bebé, sozinho, leva à boca, sem que a comida caia da colher.
Ainda em relação ao babete, na verdade dá jeito ter dois, pelo menos os que não são 100% plástico (é o caso dos nossos) porque se quiserem usar duas vezes por dia dificilmente conseguirão que já esteja seco quando voltarem a precisar dele. Nós comprámos um do Ikea (o que aparece na foto).

E como o post ficou gigante só com a introdução ao tema, vou deixar o relato dos primeiros dias da nossa experiência para um próximo post.