sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sobre o meu aniversário (e a nossa escapadela de fim-de-semana)

Nesta fase da minha vida, a única coisa que desejei com muita força receber neste meu aniversário foi uma noite de sono razoável (já que tudo o resto eu já tinha). Não aconteceu: a noite foi má, daquelas dignas de deixar a pessoa com um peso na cabeça o dia todo. A juntar à festa esteve um dia miserável (choveu o dia todo) e não deu para sair de casa com o meu filhote para um passeio. Mas estive com as pessoas mais importantes da minha vida e fui ao ginásio.
A noite seguinte ao meu aniversário foi bem melhor, e sábado ao início da tarde estávamos de partida para uma escapadela de fim de semana em família. O lugar escolhido foi a Casa do Mundo, no Calhariz (pertinho de Santarém). E que bem escolhido foi! Os anfitriões (ela brasileira, ele holandês) são dos mais atenciosos e simpáticos que já conheci (sabem aquelas pessoas que nasceram mesmo para receber pessoas? e que têm o alojamento com todos os detalhes pensados ao mais pequeno pormenor? são eles.). Para além da decoração da casa (e do estúdio onde ficámos os três) ser lindíssima (para os meus padrões, claro), a zona envolvente é espetacular (está rodeada de natureza e inspira uma paz enorme). E o bónus? Um pequeno almoço maravilhoso, do mais variado que possam imaginar.






Retirando a nossa viagem à Madeira no Natal, esta foi a primeira vez que saímos de Lisboa com o nosso amorzinho para um fim de semana fora, e correu muito bem. Fez as viagens de carro igual a ele próprio (dorme 30 minutos e acorda), e esteve super bem disposto e atento a tudo o que viu. 
Sou uma adepta de rotinas com o nosso bebé, principalmente a nível de sono, e sinto que sempre que elas não acontecem acabamos por pagar a fatura (torna-se mais difícil adormecê-lo e não dorme tão bem). Mas caramba, é verdade que a chegada de um bebé nos vira a vida do avesso, mas temos que nos esforçar por continuar a vivê-la. Mesmo que o preço a pagar por isso sejam umas horas (ou um dia seguinte) mais complicadas para voltar à "programação habitual". E este fim de semana maravilhoso que tivemos valeu todo o esforço.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

33

Foto daqui.

E hoje faço 33 anos.
Será o meu primeiro aniversário como mãe (com o bebé fora da barriga, que ele já andava por cá há um ano) e será um dia muito parecido ao de ontem, anteontem e todos os dos últimos meses: a cuidar do meu bebé querido.
Mas terei o extra de ter os meus pais por perto, e amanhã vamos todos em passeio para a zona de Santarém. Vamos lá ver como corre o primeiro weekend getaway com o nosso bebé. [Quando voltar conto-vos tudo.]

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Reflexão pré aniversário

Faço anos daqui a pouco mais de uma semana. 33 (God!). E, se cada vez ligo menos ao dia de aniversário (apesar de gostar de usá-lo como pretexto para laurear a pevide), este ano quase que me esqueço que o dia está mesmo aí a chegar. Só não passará em branco porque aproveitei o pretexto para (finalmente) marcar uma noite para nós 3 num alojamento simpático perto de Santarém, e entretanto os meus pais decidiram marcar uma visita para esse mesmo fim de semana, pelo que vão juntar-se a nós.
Desde setembro - altura em que o meu filho nasceu - sinto-me a viver numa bolha em que praticamente tudo o que não se relacione com ele me passa ao lado. Sei pouco do que se passa no mundo, nem me apercebi da chegada do natal e ano novo e, apesar de ter estado com a minha família na Madeira e de ter sido ótimo, mesmo aí mantive a minha "bolha" e só saí dela para o mínimo indispensável.

Imagem daqui.

A maternidade está a ser uma experiência tão desafiante e plena que sobra, efetivamente, pouco espaço para viver fora dela nestes primeiros tempos. 
Pela primeira vez desde que me lembro, não há sequer nada que me tenha ocorrido que gostaria de receber como prenda de aniversário (normalmente os meus pais e o senhor namorado dão-me as prendas escolhidas por mim). Roupas e afins? Para além de eu já há mais de um ano estar muito mais consciente e seletiva nas compras que faço, a amamentação (e o facto de passar imensos dias ou em casa com o meu filho, ou a dar apenas uma voltinha a pé pelas redondezas) ainda menos vontade me dá de ter roupa nova nesta fase. Experiências gastronómicas ou passar uma noite fora? Como eu adoro as duas - e até vamos fazê-lo - mas agora a logística é bem diferente - o que acaba por nos demover em fases de maior cansaço. Não há nada que eu precise, na verdade. Bem, o que eu precisava mesmo não dá para comprar: queria uma noite completa de sono e um dia inteiro sem fazer nenhum, mas ainda não tenho coragem de deixar o meu filhote (para além do que ele ainda mama no mínimo duas vezes por noite, e não me apetece muito recorrer às alternativas). Para além do que praticamente não temos família por perto, pelo que também as oportunidades para tal não são propriamente muitas. Mas está tudo bem. Os 32 deram-me a maior bênção de sempre - o meu filho - e vou entrar nos 33 com as pessoas mais importantes da minha vida. Que mais posso eu querer?

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #12 - Fomos a uma consulta de sono

Com o aproximar dos 4 meses de vida do Gustavo e a constatação de que o sono dele nunca esteve tão mau, decidimos marcar uma consulta de sono infantil. Eu tinha referência de três especialistas cujo trabalho acompanho e aprecio (nas redes sociais, no caso das duas primeiras, e nos livros publicados, no caso da última): a dra. Andreia Neves (dá consultas no Centro Pré e Pós Parto, mas como é do Porto penso que seria mais complicado arranjar vaga), a dra. Mafalda Navarro (que dá consultas na Clínica da Criança e do Adolescente, e é psicóloga clínica especialista no sono do bebé), e a terapeuta de bebés Constança Cordeiro Ferreira (dá consultas no Centro do bebé). Mandei email para os três locais a pedir informações, e marquei com o primeiro que me respondeu: a Clínica da Criança e do Adolescente.
Independentemente dos efeitos que a consulta possa vir a ter a nível do sono do Gustavo (escrevo o início deste post dois dias depois da consulta), posso dizer que adorei a consulta e aprendi coisas essenciais sobre o meu filho (e não necessariamente diretamente relacionadas com o sono dele). Algumas delas aparentemente tão óbvias que me deixaram algo frustrada a pensar 'Porra, como é que isto é tão evidente e eu não via?".
Dizem os entendidos que os bebés comunicam todas as suas necessidades e nós 'só' temos que aprender a linguagem deles. É tão verdade...e tão fácil e tão difícil ao mesmo tempo.
Antes de mais devo dizer que continuo a achar que muitas das vezes em que o Gustavo acorda demasiado cedo das sestas (ou até dos sonos da noite, às vezes) o que o motiva são as cólicas e quanto a isso só nos resta esperar que passem. Mas quanto ao resto...
O Gustavo estava a mamar em média 10 vezes por dia (façam contas às horas que tem um dia e vejam lá a minha vida), sendo que durante o dia raramente fazia intervalos de 2h30m sem mamar. A dra. Mafalda disse que com 4 meses ele já aguentaria bem 4 horas sem comer (a relação disto com o sono da noite, em que ele ainda acorda 3 vezes para mamar? Pode ser por estar habituado a mamar com muita frequência durante o dia - e não necessariamente por fome - que ele acorda tantas vezes de noite). Eu fiquei meio em choque e o meu primeiro pensamento foi 'Mas como???'. Ora, na verdade eu continuo (continuava?) sem saber ler bem os sinais de fome do Gustavo e então quando passava das 2h sem comer e eu via que ele começava a ficar mais chatinho dava-lhe maminha. E dava apenas uma maminha em cada refeição, apenas porque em tempos oferecia a outra mama depois da primeira e ele rejeitava.

Fotografia tirada no primeiro dia do ano, no passeio (tão bom) que fizemos à Costa da Caparica.



O Gustavo mamou durante a consulta. Depois de dar uma maminha, a dra. sugeriu oferecer a 2a e ele... aceitou de bom grado. E adivinhem daí a quanto tempo voltou a mamar? 4 horas. (Eu sei, lendo isto de fora também diria 'Mas esta pessoa precisou de pagar a uma especialista de sono para perceber isto?'. Pois bem, meus amigos, a resposta é sim.).
Em relação às sestas diárias, dissemos à dra. Mafalda que o Gustavo fazia à volta de 5 micro sestas de 30/45 minutos. Ela sugeriu passarmos para 3 sestas de duração maior, sendo que deveríamos voltar a adormecer o Gustavo quando ele acorda ao fim das micro sestas (há bebés que fazem micro sestas e são suficientes para eles. O facto de o Gustavo acordar várias vezes durante a noite poderá ser sinal de que não está a dormir suficientemente durante o dia. Parece contraditório, mas segundo os especialistas quanto pior os bebés dormirem de dia, pior dormem de noite porque estão demasiado cansados para conseguir fazê-lo sozinhos e então acordam, mesmo querendo/precisando efetivamente de dormir). Ora antes, quando ele acordava sem reclamar eu assumiu que ele tinha dormido o que precisava. Aparentemente não é verdade, porque tenho tentado voltar a adormecê-lo e guess what? Volta a dormir em poucos minutos (às vezes um minuto ou dois), sem reclamar e aguenta até duas horas a dormir no total.
A verdade é que o motivo principal que nos levou à consulta foi o quão penoso tem sido adormecer e manter os sonos do Gustavo durante o dia (porque só adormece ao colo - e pior que isso, temos que estar de pé, de preferência a subir escadas ou simular esse movimento - e quando o pousamos não aguenta muito tempo) e o nosso objetivo era (é) que ele consiga adormecer deitado na caminha dele. Mas a dra. sugeriu começar pelas mudanças que falei anteriormente (mais espaçamento entre refeições e tentar prolongar a duração das sestas e reduzi-las em quantidade) e depois então focar nesse objetivo. E a nós fez todo o sentido, até porque estes passos deverão facilitar o atingir desse nosso objetivo 'final'.
Trouxemos então o 'tpc' para casa e marcámos nova consulta para dali a três semanas. Para já posso confirmar que sim, o Gustavo aguenta 4 horas seguidas sem comer durante o dia e sim, dorme sestas de 2 horas ou mais (ao colo, mas dorme).
Voltarei em breve com novidades sobre este assunto. Até lá torçam por nós, que bem precisamos. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #11 - Balanço de 4 meses de maternidade (o melhor e o pior)

No dia 14 de janeiro o Gustavo fez quatro meses. Este tempo passou tão rápido, apesar de certos dias parecerem intermináveis e todos iguais... Se acho que vou ter saudades destes quatro meses? Ora bem: vou certamente ter saudades do meu bebé pequenino (aliás, já as tenho...), mas da dureza da rotina dos primeiros meses, das cólicas e de acordar várias vezes por noite...hmmm, duvido muito.
As primeiras cinco semanas de vida do Gu correram muito bem: as cólicas ainda não tinham chegado em força, e ele dormia mais tempo tanto de noite como de dia, e nem precisava que o ajudássemos a adormecer. E nós, pais, conseguíamos ir "respirando". Depois dessa fase tudo mudou e adeus vida além Gustavo. Consome-nos praticamente todos os minutos, dia após dia, este ratinho.
O melhor de toda a experiência é mesmo o cliché tão verdadeiro de sentir este amor maior que tudo (que acaba por ser, ao mesmo tempo, também o pior, porque a ideia de lhe poder acontecer alguma coisa de mal, de não o conseguir proteger de todos os males do mundo, é assustadora). Vê-lo evoluir a cada semana, sorrir para nós (e agora começou também a dar gargalhadas), "palrar", são sensações que não dá mesmo para descrever de tão boas que são. Parece que o coração quer explodir.
Já o pior - passados os primeiros dez dias de maternidade em que a adaptação à amamentação foi terrível - tem sido mesmo as cólicas do Gustavo e os sonos (de noite porque acorda, em média, 3 vezes, apesar de adormecer de forma relativamente fácil desde os dois meses; e de dia porque só adormece ao colo (e está um texuguinho de 7kg, não é fácil) e, pior que isso, nem sempre conseguimos pousá-lo sem que ele acorde e quando não acorda, os sonos duram no máximo 45 minutos (é um relógio, este meu filho).

[A foto - maravilhosa - foi tirada pela Sofia da Lovetography - quando o Gustavo tinha 14 dias de vida.]



Em relação à amamentação, tenho imensa satisfação no facto de o meu filho, com quatro meses, continuar em amamentação exclusiva mas só porque sei que é a melhor opção para ele a nível de saúde porque, sendo muito sincera, não sou aquela mulher que ama amamentar (é limitativo a vários níveis, e acima de tudo é uma "prisão" porque não podemos estar longe da cria mais de 2 horas seguidas).
Tem sido uma experiência super enriquecedora e gratificante, e sinto-me mesmo sortuda por ter um bebé saudável e feliz. Mas tem sido também muito duro: mas também acho, genuinamente, que isso se deve muito ao facto de nós praticamente não termos família por perto - o que não será a realidade da maior parte das pessoas (mas também há realidades mais difíceis, tipo mães/pais solteiros, que têm toda a minha admiração e respeito). Porque há dias em que tudo o que apetece é uma hora ou duas simplesmente para respirar ou não fazer nada e pura e simplesmente não dá, porque só estamos os dois (às vezes até tarefas domésticas me apetece fazer para "espairecer" e nem isso consigo). Vamos ao ginásio à vez, saídas (para jantar ou o que quer que seja) ao final do dia não dá porque altera toda a rotina de sono do início da noite do Gustavo, ir almoçar fora a qualquer lugar sem pensar se é viável levar um bebé, ou com hora marcada, também é muito difícil (não faço uma reserva no The Fork desde que fui mãe). E qualquer um destes cenários seria possível se tivéssemos um familiar por perto que se disponibilizasse para ficar com o Gu por um par de horas. Não tendo, o cansaço psicológico de viver praticamente 24 sobre 24 horas para ele faz-se sentir.
Mas tudo se faz. Haja muito amor e paciência. E a recompensa - de estar a criar um ser humaninho adorável que só apetece espremer de tanto amor - não podia ser melhor.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #10 - Os três meses do Gustavo (e novas rotinas)

Foi por volta do meio do mês de dezembro que comecei a notar que o Gustavo já tinha um padrão de sono: começou a dormir 10/11 horas de noite (embora com 3 despertares pelo meio) e a fazer uma média de 5 sestas por dia (normalmente são micro sestas que duram entre 30 a 45 minutos. o que fazemos é tentar que ele não esteja acordado mais de 1h30m entre elas - normalmente a partir daí começa a ficar chatinho e torna-se mais difícil adormecê-lo). 
Uma ferramenta que me tem ajudado imenso a monitorizar sonos e refeições do Gustavo, e que me permitiu aperceber-me mais facilmente destes padrões do sono do Gustavo, é uma app que uso e que amo: chama-se Baby Tracker e marco lá sempre que o Gustavo mama, sempre que faz cocó/xixi, quando e tempo tempo dorme, banhos, vitaminhas (para não me esquecer de as dar) e até posso anotar mais dados mas são estes os que acho relevantes e que anoto. Recomendo imenso a pais nos primeiros meses de vida dos bebés, mesmo - numa altura em que o nosso cérebro está tão cansado, qualquer ajuda é bem-vinda.


Depois de voltarmos da Madeira, e porque o tempo colaborou (a chuva foi-se embora e vieram dias de sol), instituí uma nova rotina cá por casa nos dias de semana, que é dar um passeio de carrinho nas redondezas de casa (vamos ao supermercado comprar pão, ao parque) na altura do terceiro sono do Gustavo: é da maneira que arejo e que não tenho que adormecê-lo (já que esta é a única forma de ele adormecer durante o dia que não seja ao colo). Isto também se deveu ao facto de eu ter recuperado alguma energia pelo facto de o Gustavo já dormir mais horas de noite: é verdade que custa horrores ter que acordar para dar de mamar, mas deitando-me cedo, e enquanto não estou a trabalhar, vou conseguindo perfazer 6/7 horas de sono. Algumas vezes dá-me para ter insónias depois do segundo despertar da noite (a mim e ao pai da criança) que duram mais de 1 hora - é absolutamente horrível, principalmente numa fase e que queremos aproveitar todos os minutos de sono da criança.
Mas bem, isto para dizer que por volta do terceiro mês de vida do Gustavo - e apesar de ser muito duro ter que adormecê-lo várias vezes ao dia, e de ele fazer micro sestas - recuperei alguma da minha energia e começou a ser mais fácil aguentar a exigência do dia-a-dia com o meu filhote. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

2019 em livros (e opinião sobre as últimas leituras)

  • Lá, Onde o Vento Chora by Delia Owens
  • O livro de magia das mães by Constança Cordeiro Ferreira
  • A Gorda by Isabela Figueiredo
  • Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa by Éric-Emmanuel Schmitt
  • Milagre by R.J. Palacio
  • Os Bebés Também Querem Dormir by Constança Cordeiro Ferreira
  • Grávida by Sarah Jordan
  • Pequenos Fogos em Todo o Lado by Celeste Ng
  • Princípio de Karenina by Afonso Cruz
  • Dois Guardam um Segredo by Karen M. McManus
  • A Educação de Eleanor by Gail Honeyman
  • O Rapaz Escondido by Katherine Marsh
  • Eleanor & Park by Rainbow Rowell
  • A Ilusão de Merit by Colleen Hoover
  • O Rouxinol by Kristin Hannah
  • O Projeto Rosie by Graeme Simsion
  • A Guerra Que Salvou a Minha Vida by Kimberly Brubaker Bradley
  • O Homem de Giz by C.J. Tudor
  • A Ponte Invisível by Julie Orringer
     

























































Tracei um objetivo modesto de 18 livros para 2019 (1,5 por mês), e mesmo a maternidade tendo-se "metido" entretanto pelo meio, consegui cumprir (e até superar). Já não leio no autocarro nas viagens para o trabalho (porque não estou a trabalhar), mas na grande maior parte das noites leio antes de dormir, quando o Gustavo já dorme. Mesmo que não tenha cinco minutos durante o dia para mim (às vezes acontece), raramente não tenho aquele momento de leitura ao final do dia, e sabe-me lindamente.
Reparei, entretanto, que deixei de vos dar feedback das minhas leituras a meio do verão, pelo que aqui vai uma opinião muito breve dos últimos livros que li:
- Pequenos fogos em todo o lado: Bem escrito, tem uma história que prende (o verdadeiro page turner), achei bastante interessante. Dei 4 de avaliação (avaliação do Goodreads: 4,11/5).
- Milagre (Wonder, na versão original): Uma história sobre um menino que nasce com uma condição rara que o faz ter um aspeto muito peculiar. Retrata a integração do mesmo na sociedade, e em especial na escola. É uma história mesmo bonita e tocante. Minha avaliação: 4,5. Avaliação do Goodreads: 4,45/5.
- Os bebés também querem dormir e O livro de magia das mães, ambos da terapeuta de bebés Constança Cordeiro Ferreira: Se estão grávidas ou são recém mães, façam um favor a vocês próprias e leiam estes livros. Um dele aborda mais a perspetiva dos bebés, o outro das mães, mas ambos dão ferramentas para lidarmos com os primeiros tempos (e dificuldades) da parentalidade e, acima de tudo, fazem-nos sentir humanas com as nossas fraquezas. Li o primeiro ainda grávida e voltei a ler depois do Gu nascer, e ainda achei mais importante a leitura desta segunda vez, porque já conseguia associar aquele discurso ao meu bebé em específico. O primeiro tem 4,39/5 no Goodreads, e o segundo 4,40/5. Para mim cada um merece 5.
- A gorda: Gostei da escrita, a história está construída duma perspetiva interesssante e original, mas sinceramente não me prendeu muito (li-o nas primeiras semanas de vida do Gustavo, talvez isso não tenha ajudado). Minha avaliação: 3. Avaliação do Goodreads: 3,85/5.
- Lá, onde o vento chora: Uma história bem ao meu estilo, ou seja, drama de fazer chorar as pedras da calçada. Intercala a história de vida de uma menina abandonada pela família, que vive sozinha num pantanal, com outra, alguns anos à frente, de um homicídio cuja autoria se tenta desvendar. O final, para mim, foi especialmente bem construído. Gostei de tudo no livro (só não gostei mesmo de ter encontrado uns 3 ou 4 erros ortográficos na tradução - no comments). Avaliação do Goodreads (que é também a minha): 4,5/5.

Finalizando, vamos lá ao pódio (vou excluir aqui os de maternidade):
Livros preferidos: A guerra que salvou a minha vida, O Rouxinol e A Ponte Invisível. Principalmente os dois primeiros são ma-ra-vi-lho-sos!
Livros que gostei menos: o único que dei 3 estrelas em 2019 foi mesmo A gorda. 
Já referi isto aqui antes, mas quem gosta de ler (e aprecia minimamente o estilo de livros que vou partilhando por aqui) tem que seguir o bookgang da escritora Helena Magalhães, que é de onde tenho retirado a maior parte das minhas sugestões literárias, dentro daquelas que fazem o meu estilo (não são todas), e desde que o faço as desilusões literárias têm sido em menor número. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #9 - O nosso Natal (e a primeira viagem de avião do Gustavo)

Em 7 anos juntos, eu e o senhor namorado (agora que temos um filho sinto-me ridícula em chamar-lhe assim, mas adiante) nunca tínhamos passado o Natal juntos, para não deixar nenhuma das nossas famílias triste (e porque o Natal é tradição, e cada um de nós tinha as suas e nunca nos fez confusão passar a quadra separados). Mas sempre dissemos que quando tivéssemos um filho a coisa mudaria de figura. E assim foi. Conversámos e ele cedeu a que o nosso primeiro Natal juntos fosse passado na Madeira, com a minha família.
Foi em maio, grávida de 5 meses - quando já tinha passado a fase mais vulnerável da gravidez - que decidi comprar as viagens de avião. Os preços já estavam caríssimos (nada que me admirasse) e para não pagar um absurdo eu teria que ir no dia 16, sendo que essa data não era viável para o senhor namorado por motivos profissionais. Na altura um pouco às cegas, decidi arriscar e comprar viagem para ir sozinha com o Gu, no dia 16, e o senhor namorado logo se juntaria a nós uma semana mais tarde. Não seria a primeira pessoa a viajar sozinha com um bebé, haveria de conseguir.
Depois do Gu nascer, e com toda a logística associada a saídas com ele (desmontar carrinho, carregar o ovo, carregar as mil tralhas da cria e as minhas) tornou-se mais real a noção de que seria, efetivamente, uma aventura viajar sozinha com o Gustavo. Até que o meu querido pai - sem eu pedir nada - decidiu comprar uma passagem para vir a Lisboa buscar-nos, à filha e ao neto. Se isto não é o melhor avô do mundo, não sei o que será...
O dia 16 chegou. O tempo não estava famoso nem em Lisboa nem na Madeira. Na Madeira havia mesmo alerta amarelo e durante a manhã vários aviões foram desviados, sem conseguir aterrar. Se eu já estava nervosa por ir viajar com o meu filho de 3 meses, este cenário não ajudou nem um pouco.
Saímos de casa ao final da tarde, debaixo de chuva e trânsito. Mr. Gu fez o maior berreiro da (curta) vida dele no carro (ele até gosta de andar de carro na maior parte das vezes, mas lá está, tem que estar mesmo a andar...trânsito e pára arranca não é bem a cena de sua excelência. como o percebo...). Chegámos a aeroporto e o Gustavo acalmou logo. Custou-me tanto despedir do senhor namorado (e ele do filho...). Descobri um cantinho simpático e discreto onde dei maminha, e lá fomos para o avião. Se o meu pai não estivesse comigo, eu não teria tido alternativa que não pedir ajuda a um estranho para pegar no meu filho enquanto desmontava o carrinho do Gu para entregá-lo ao pé do avião (e carregar a tralha toda teria sido efetivamente um filme). Eu continuava sob um camadão de nervos. Já o Gustavo estava tranquilo, a apreciar tudo com muita curiosidade (dormir é que...nada). Entrámos no avião e fomos brindados com aquilo que já é muito habitual no aeroporto de Lisboa - uma eternidade dentro do avião à espera de podermos levantar voo. Mr. Gu sempre calmo. Quando descolámos dormiu perto de meia hora (e foi tudo o que dormiu entre as 16h e as 22h). Depois disso mamou e esteve calminho. Teve uma colicazinha mas nada de mais. Ao aproximarmo-nos da pista de aterragem na Madeira, respirei fundo, agarrei-me ao meu pai, e a aterragem foi bem mais pacífica do que eu esperava para um dia de alerta amarelo. Mas todo o sofrimento por antecipação que passei ninguém mo tira. Respirei, finalmente de alívio, agradeci muito o comportamento do meu filhote (que não poderia ter sido melhor), e lá fomos para casa.



No dia seguinte vivi o momento alto da viagem: apresentei o Gustavo aos meus avós paternos (os únicos que ainda tenho vivos). Há uns anos, em conversa (sem estar doente nem nada), a minha querida avó comentou, de lágrimas nos olhos, que já não iria a tempo de conhecer os bisnetos. Mostrar-lhe que estava errada - ainda que ela já não tenha a lucidez dessa altura - foi um momento mesmo especial. Ainda por cima o meu filhote fartou-se de rir para os meus avós. Coisa boa.
Outro momento especial foi a chegada do senhor namorado. Estar sem ele durante uma semana foi duro - para ele e para mim (só nós é que adormecemos a cria...e oh, se ela é difícil de adormecer durante o dia!).
Foi mesmo bom ver a alegria de toda a família com a chegada do Gustavo, o quão ele espalhava sorrisos a toda a hora por todos. Foi, sem dúvida, um Natal especial.
No dia do nosso regresso - dia 26, a minha mãe ficou com o Gu e eu e o senhor namorado fomos tomar o pequeno almoço fora. Quando cheguei a casa e vi que a minha mãe tinha conseguido adormecê-lo fiquei admirada e mesmo feliz.
A despedida foi dura. Há muito, muito tempo que uma viagem de regresso a Lisboa não me custava tanto. E nem foi por mim, mas sim por saber o que custa, principalmente aos meus pais, estar longe do Gustavo, e o quanto eles foram felizes enquanto nós lá estivemos. A chegada dos filhos muda-nos mesmo a perspetiva da vida....bem, muda-nos a vida toda, na verdade.
A viagem de regresso não foi tão pacífica como a ida. Contrariamente ao que eu esperava, também esperámos algum tempo para descolar, mas desta vez o Gustavo não teve paciência, e desatou a chorar, inconsolável. Eu tinha-o preso de costas viradas para mim, no cinto dele, e achava que não conseguia/podia amamentá-lo. Mas em desespero, depois de uns 10 minutos, virei-o para mim e lá o consegui acalmar (felizmente não há praticamente nada que a mama não resolva). Foi engraçado que, sendo já a segunda viagem com ele (e estando bom tempo), mesmo perante este cenário eu consegui manter a calma. Ao contrário do senhor namorado, que costuma ser o mais calmo de nós dois (mas que se estava a estrear naquelas andanças de viajar de avião com o Gu). E, contra o que eu imaginei, fui eu a acalmá-lo. A partir daquele momento a viagem correu sem mais percalços. E lá chegámos a Lisboa, ao final da noite.
Não me arrependi por momento algum da decisão que tomámos de ir à Madeira com o Gustavo tão pequeno, mas sendo muito honesta. foi difícil. Em termos físicos - por toda a logística associada, e eu até tenho a sorte de amamentar - e em termos psicológicos, de todo o receio de que alguma coisa corra mal. Quando estávamos em pleno voo, o senhor namorado perguntou-me, em tom irónico, "Então, ainda tens vontade de levá-lo de avião a conhecer o mundo?". E sorri e disse-lhe que aquele não era, de todo, o momento para tomarmos esse tipo de decisão (li algures que não se devem tomar decisões com base em emoções temporárias - algo do género - e faz-me todo o sentido). Indiscutivelmente, não é fácil (pelo menos para nós), mas não desisti, de todo, da ideia de voltar a andar de avião com o Gustavo nos próximos tempos (aliás, pelo menos à Madeira iremos no verão. E ainda bem que comprámos as passagens antes da viagem do Natal, não fosse o senhor namorado ter mudado de ideias entretanto ;)). E ter tido um Natal tão especial, em que consegui juntar o meu filho e os meus avós, valeu todo o esforço.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #8 - O segundo mês de vida do Gustavo (Cólicas e sonos)

[Aviso à navegação: Este post é praticamente só sobre os hábitos de sono atuais do meu filho. Escrevo-o porque quero muito poder recordar esta fase (para o bem e para o mal) no futuro, mas provavelmente será muito chato para quem não se interessar pelo assunto. É passar à frente, amigos na mesma. Prometo que tenho intenções de fazer um post sobre leituras - uma delas não relacionada com bebés - muito em breve].

Se, depois de passadas as primeiras duas semanas de maternidade, podia dizer que tudo corria sobre rodas e ia dando tempo para (quase) tudo, ultimamente as coisas já não são bem assim.
Nas últimas semanas o Gustavo deixou de fazer os sonos que fazia durante o dia (fazia pelo menos um sono de mais ou menos 2 horas) e passou a ter muita dificuldade em dormir fora do colo. Adormeço-o ao colo durante o dia (deitá-lo acordado normalmente é seguido de choro, contrariamente ao que acontece de noite) depois de uns minutos de resistência da parte dele, e pouso-o quando acho que já está ferradinho. Nas últimas semanas é muito raro ele aguentar 30 minutos a dormir depois de pousado. Na grande maioria das vezes são as cólicas que o acordam, o que aumenta muito a minha frustração (mas dá-me a esperança de sonos melhores quando as cólicas se forem embora). A grande exceção a este comportamento é se o pusermos a dormir no sling, em que aguenta basicamente o tempo que o tivermos lá colocado (quando quero mesmo que ele durma sei que é tiro e queda. as minhas costas é que não adoram a brincadeira, mas é a vidinha).
Quanto às noites, são sempre uma grande incógnita cá por casa. De cada vez que sou acordada pelo meu filho olho para o telemóvel para ver as horas enquanto digo baixinho "Por favor que tenham passado pelo menos quatro horas". 
Não sei se por esta altura já deveria haver uma rotina de sonos noturnos cá por casa (o Gustavo faz 3 meses esta semana), mas ainda não há. Já há um sono "grande" ao início da noite (que por norma varia entre 3h30 e 5h30, sendo que nos últimos tempos pende mais para as 3h/4h) e que começa normalmente algures entre as 21h e as 23h00, seguido de um sono de mais ou menos 2h e outro da mesma duração ou menos. Durante a noite é muito raro o Gustavo chorar com cólicas, mas há imensas vezes que o que o acorda são os gases que dá, e não propriamente a fome (mais uma vez, frustra-me horrores mas dá-me esperança num futuro próximo sem cólicas). 
Passámos por uns dias em que o sono do início da noite era maiorzito mas depois ficava quase uma hora acordado antes de voltar a dormir, para outros em que os sonos são mais curtos mas adormece com mais facilidade (tenho conseguido deitá-lo ainda acordado, desligo a luz e normalmente no espaço de 10 minutos ele adormece). Nem sei o que prefiro, honestamente (e quando ele adormece bem a meio da noite e me dá para ter insónias? oh vidinha!). 
Uma coisa que me irrita particularmente (e não sei se será mero acaso ou se será mesmo fisiológico dele) é o facto de o sono da noite por norma ser maior quando começa mais cedo (irrita-me porque para eu aproveitar para dormir também tenho que me deitar às 21h ou coisa que o valha, e eu quando me obrigo a dormir é meio caminho andado para ter insónias, por mais cansada que esteja). Parece que criou ali uma rotina de acordar por volta das 2h (mais coisa menos coisa) e das 7h, e o que dorme entre estes sonos é que vai variando.


Quanto a mim, acho que nunca estive tão cansada como agora. Tento assegurar 6 horas de sono diárias e quase sempre consigo, mas para isso temos 3 sonos intercalados por momentos de agitação a adormecer o meu filho, tempo em claro para adormecer-me a mim, e uma fome de leão que me assola a partir da segunda metade da noite...é duro. E mais duro do que tentar adormecer, é ter aquele despertador noturno que não dá aviso prévio, que não permite carregar no botão "adiar 5 minutos" e que nos obriga à máxima rapidez antes de começar a reclamar a sério (cá por casa durante a noite é assim, não há despertares calmos para a cria. bem, na verdade durante o dia também é raro). E este padrão de sono torna-se manifestamente insuficiente quando durante o dia uma pessoa não tem direito a uma horinha de "folga" para descansar a cabeça, como tem acontecido nas últimas semanas.
Confesso que sempre alimentei bem forte a esperança de ter um bebé que dormisse bem desde o início (é raro eu ser tão otimista quanto era com este assunto antes de ser mãe), não sei se por eu e os meus dois irmãos termos dado essa sorte aos nossos pais e já dormíamos a noite inteira com dois meses de vida (bem que podia ser uma coisa genética).
Apesar do cenário descrito, continuo a dizer que tenho um filho santo. Porque ele só é "chatinho" quando tem dores. O problema é que ele tem muitas dores. Porque quando não as tem é uma paz de alma. E dá os sorrisos mais lindos do universo. E palra comigo todo entusiasmado. E fica na espreguiçadeira sentadinho enquanto eu cozinho, lavo louça, estendo roupa ou como (normalmente farta-se ao fim de meia hora, mas sempre vai dando para eu assegurar as tarefas essenciais cá por casa).
No meio disto tudo, eu tenho bem mais sorte do que o meu filhote: porque a mim calhou-me o melhor filho do mundo. Já ele, tem que lidar com uns intestinos que (raios os partam) nunca mais ganham maturidade e aprendem a trabalhar sem fazer o meu docinho sofrer.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #7 - As primeiras semanas sozinha em casa com o Gustavo

Cinco semanas após o nascimento do Gustavo, o senhor namorado regressou ao trabalho. Com isso, acabou-se o meu sono solitário de grande parte das manhãs ou do início da noite (quando o Gustavo ficava na sala com o pai para eu descansar em condições) e as "trocas de turno" durante o dia quando o cansaço se intensificava.
Não sei se foi um pico de crescimento, se foram as cólicas a atingir o auge, mas o facto é que, contrariamente ao habitual em que, mesmo com cólicas, o Gustavo lá ia dormindo um ou dois sonos de 2 ou 3 horas durante o dia, na 3a e 4a feira dessa semana apoderou-se dele um "bicho" qualquer e não houve sonos de mais de 15 minutos para ninguém até ao pai chegar a casa, às 18h (a não ser alguns em cima de mim). E pior do que não haver sono foram os episódios de cólicas com choros dificilmente consoláveis, em que apliquei todas as estratégias e mais alguma (sendo muito honesta, disse muitos palavrões baixinho e enquanto embalava o meu filho nos braços e tentava acalmá-lo). E não dá para descrever a frustração que é adormecer uma criança, tê-la em sono profundo, e em menos de 1 ou 2 minutos ela encolhe-se toda e começa a gemer com dores (apesar de estar cheia de sono), arruinando todo o nosso esforço para fazê-los dormir.

[O meu amorzinho no colo da avó materna.]

Por aqui, vamos dando algumas massagens que ajudam a libertar gases, deitamo-lo de barriga para baixo no nosso colo (fica bastante mais confortável) e um som que costuma acalmá-lo é o secador do cabelo (consigo pensar em 100 sons menos irritantes  e mais económicos que este mas...fazer o quê?). Em termos de medicação, começámos por tentar o Biogaia, que é um probiótico, mas depois de duas semanas sem resultar mudámos (a muito, muito custo meu) para o Infancalm a ver se funcionava (digo a muito custo porque aquela porcaria leva sacarina e aroma de framboesa e tresanda a açúcar). Disclaimer: também não funcionou.
A segunda semana já correu melhor. Não em termos de cólicas - essas não foram a lado nenhum - mas acima de tudo para mim, que fui criando rotinas, agora a dois, com o Gustavo, e (o maior dos segredos) gerindo melhor as expetativas para evitar frustrações. O segredo, basicamente, é ter o frigorífico cheio de comida pronta (para garantir que mesmo nos dias maus comemos alguma coisa de jeito), e as expetativas de fazer seja o que for para além de cuidar do nosso filho bem baixas: tudo o que se conseguir fazer "extra bebé" é um bónus. Até porque na verdade, e como li no livro da  maravilhosa Constança Cordeiro Ferreira (acho que foi o "Os bebés também querem dormir") o meu "emprego" neste momento é cuidar do meu filho, é para isso que o Estado me está a pagar. E se não houver pausas para descanso das 8h às 18h (que é quando o pai está fora de casa), há nas restantes (tenho ido três vezes por semana ao ginásio sozinha  e tem me sabido pela vida).

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #6 - Balanço do primeiro mês de maternidade

Dia 14 de outubro a nossa aventura enquanto pais de primeira viagem completou um mês. Um mês! E quais foram os principais marcos deste mês?
Os primeiros dias foram muito, muito duros. Muitas dores nas costas, na zona onde tinha levado mil tentativas falhadas de epidural (estas dores continuaram durante um mês ou mais), adaptação a uma nova rotina de acordar várias vezes durante a noite e, a mais difícil de todas, a adaptação à amamentação. Se eu pudesse dar só um conselho às futuras mães - as que pretendam amamentar, pelo menos - seria procurarem ajuda de uma profissional especializada assim que o bebé nasce e, acima de tudo, no momento da subida do leite. Acho que até tive sorte, porque "só" sofri a sério para aí uma semana, mas acho mesmo que se todas as mulheres tivessem apoio especializado nos primeiros dias que para aí 95% dos casos que correm mal poderiam ser evitados. Não que fosse deixar de existir dor por completo, mas que ela diminuiria em larga escala com as técnicas certas, não duvido nada. E fico mesmo triste de pensar nos casos de mulheres que desistem só porque não tiveram o apoio necessário para conseguir ultrapassar as maiores dificuldades.
Vou falar do meu caso em especial, e quem não tiver interesse no assunto aconselho que passe à frente (mas acho mesmo importante deixar aqui o meu testemunho. se ajudar uma única pessoa no futuro já terá valido a pena). Na mesma altura em que tive a subida do leite (e com ela umas maminhas a ficarem duras e a doer horrores, e eu a sentir-me fraca e a ficar muito quente, e sem saber como se faziam as massagens para amenizar aquilo), tinha também um mamilo em ferida, pelo que decidi fazer uma pausa naquela maminha até a coisa melhorar (ia tirando algum leite com a bomba nos entretantos). Quando cheguei ao pé da enfermeira milagrosa com quem tive a consulta da amamentação, não usava a maminha ferida há dois dias. Ela disse-me que me ia ensinar uma pega de correção e mandou-me preparar para dar aquela maminha (a que estava em ferida). Eu até tremi. "Esta?". Pois que sim, a que tinha o mamilo ferido. Qual não foi o meu espanto quando o fiz com a técnica que a enfermeira indicou e...não doeu! Quando comentei "Por acaso não está a doer" a enfermeira riu-se e disse "Não é por acaso. Não é suposto doer.". Uma verdadeira fada que cruzou o meu caminho.


Outro aspeto de que acho importante falar é o famoso baby blues. Eu sou uma pessoa bastante sensível mesmo sem estar grávida ou em fase de pós parto, mas nos dias depois de ter o meu filho a coisa ganhou proporções ligeiramente assustadoras. Começou quando, no segundo dia de vida do meu filho, ainda na maternidade, chorei quando o vi chorar porque o tinham despido para lhe dar banho.  Sim, só porque vi o meu filho chorar. 
Uns dias mais tarde, quando fomos ao hospital fazer o teste do pezinho, tinha o Gustavo 4 ou 5 dias, dei por mim lavada em lágrimas na sala de espera do hospital (mas aí o principal culpado era a amamentação. e o sofrimento físico em que me encontrava). 
O episódio mais recente de choro descontrolado que tive foi no dia em que o Gustavo fez um mês, quando fui à consulta de pós parto com a minha obstetra. A consulta era em hora de ponta, de manhã cedo, num dia em que chovia sem parar, pelo que decidi ir sozinha e deixar pai e filho em casa. Chegou à hora da minha consulta e vi entrar uma pessoa antes de mim. Depois dessa entraram mais três e passou-se mais de 1h30m. Quando vi entrar a quarta pessoa desfiz-me em lágrimas (numa sala de espera cheia de gente). Eu sabia que o meu filho estava bem acompanhado e que tinha deixado leite no frigorífico, mas dei por mim a imaginá-lo com fome e a sentir a minha falta...eu sei lá, sabia que estava a fazer uma figurinha desgraçada a meio de tantas pessoas estranhas mas não consegui mesmo evitar. Entrei no consultório lavada em lágrimas e a pedir desculpa à médica pela minha figurinha.
De resto acho que passei pelo que a maioria das pessoas passa: zero paciência para comentários alheios que não foram pedidos (principalmente quando o assunto é a alimentação da criança). Zero vontade de ter visitas em casa que não fossem pessoas mesmo muito próximas (ou melhor, que não fossem a minha mãe). Zero vontade que tocassem nas mãos do meu filho ou lhe dessem beijinhos. E uns primeiros dias de muito sofrimento que foram dando lugar a dias mais leves (ou menos pesados, vá) à medida que o meu amor e disponibilidade para com o meu pequenino aumentavam. 
Sabem aquela coisa de o nosso filho nascer e sentirmos automaticamente um amor avassalador e aquele ser o dia mais feliz das nossas vidas? Eu não sei. Não senti isso. Foi tudo super intenso e especial, sem sombra de dúvida. Mas a felicidade e o amor avassalador têm chegado gradualmente. E se o amor está sempre lá presente, a felicidade vai estando - numas alturas mais que noutras (que uma pessoa não é de ferro e tem dificuldade em estar feliz quando a criança chora. ou quando acorda a meio da noite). E está tudo bem. Faz parte. Se não da experiência de todas as mães, pelo menos da minha.
Não diria que foi o mês mais feliz da minha vida, mas foi certamente o mais desafiante, preenchido e em que mais cresci a todos os níveis (inclusive no coração, com o seu novo inquilino tão especial).

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #5 - A terceira semana, as cólicas, e o meu regresso ao ginásio


Confesso que antes de ter filhos (e na vida em geral) enervam-me os discursos fatalistas (normalmente de pessoas frustradas, ou que acham que a sua experiência de vida é verdade universal) de pessoas que se riam na minha cara quando eu falava em manter um mínimo de vida extra bebé quando tivesse filhos. Ouvi de tudo: em relação a ler livros, ver séries, viajar. "Tu esquece lá isso". Como se a vida acabasse. E eu sempre me calei enquanto pensava "Veremos". E agora posso dizer - independentemente do que venha a acontecer no futuro- que pelo menos enquanto estivemos os dois em casa de licença houve tempo para fazer a lida da casa, para ele jogar, para eu ler, e para vermos alguns episódios das nossas séries. Nem sempre sem interrupções e nem sempre na altura em que tínhamos previsto inicialmente, mas lá fomos conseguindo sim. E isso, a par do sono, faz um bem tremendo à nossa sanidade mental.
Uma coisa em que mudei depois de ser mãe, no entanto, foi o não conseguir passar muito tempo em casa sem começar a "bater mal". Eu, que era aquela pessoa que não conseguia passar um dia inteiro fechada em casa (sou demasiado "hiperativa") passei a ficar às vezes dois dias seguidos, quase sem dar por ela. Normalmente ao 3.º dia obrigávamo-nos mesmo a sair, porque também nos faz bem, mesmo quando a preguiça da logística toda associada a sair com um bebé nos quer convencer que não precisamos assim tanto.
Na terceira semana deixámos de ter um bebé que praticamente não chorava, para um que, pobrezinho, começou a ter episódios de cólicas. A parte menos má disto é apenas a de que as cólicas raramente são durante a noite. Mas, noite ou dia, parte o coração ver o nosso pequenito a sofrer sem conseguirmos fazer grande coisa para ajudá-lo.
Um marco importante da minha vida de recém mãe foi o regresso ao ginásio. Como tive parto normal, tinha autorização para retomar (gradualmente e sem loucuras) a atividade física após duas semanas. Mas como estou a amamentar em exclusivo estava a custar-me sair de casa e dar-lhe biberão com leite materno (tinha pavor que lhe piorasse as cólicas por estarmos a dar biberão). Mas lá experimentámos uma vez o biberão, ele aceitou, e nessa noite, ao 23º dia de vida do Gustavo, eu fui ao ginásio fazer a minha tão adorada aula de Pilates. E voltar a fazer a aula sem adaptações para grávida foi tão, tão bom. Cheguei a casa para um bebé que ainda dormia, sem ter sido preciso usar o biberão que tinha ficado no frigorífico.

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #4 - Segunda semana de vida, primeiros passeios e o sono (dele e nosso)

No dia 23 de setembro - tinha o nosso bebé 9 dias - sentimo-nos pela primeira vez com os mínimos exigíveis de energia para sair de casa os três sem ser para ir ao médico. A ideia inicial era pôr a criança no sling. Experimentou o pai, experimentei eu...e antes de desistirmos completamente da ideia (porque não estávamos a conseguir encaixá-lo decentemente e começámos a stressar) lá pegámos no carrinho e fomos. Foi um passeio muito curto perto de casa, mas que deu para nós (pais) apanharmos sol e ver a luz do dia. O Gustavo adorou a trepidação e dormiu o tempo todo.
Nessa mesma semana demos mais um passeio nas redondezas - desta vez no sling (ieii!) e fomos à farmácia pesá-lo. Continuava a crescer dentro dos parâmetros normais. O meu sofrimento inicial estava a valer a pena.
Ainda nessa semana, na véspera de fazer duas semanas de vida, fomos fazer uma sessão de fotos profissional com a Sofia da Lovetopraphy. Ainda não vimos o resultado final mas tenho certeza que vou adorar. Seguimos as recomendações da Sofia e a sessão correu super bem, com o nosso filhote a colaborar muito (ou seja, a dormir quase todo o tempo). Para quem goste de fotografia e tenha oportunidade, recomendo mesmo muito fazerem uma sessão de fotos de recém nascido (recomendam fazer até aos 15 dias de vida, porque é quando são menos agitados e mais fáceis de "manusear" enquanto dormem).


Por essa altura o Gustavo chegava a dormir 5 horas seguidas de noite, e nós víamo-nos confrontados com o dilema de acordá-lo ou não para comer (nós tentámos alargar o intervalo gradualmente até sentirmos que ele podia dormir a noite toda se quisesse, porque ele era demasiado sôfrego a mamar quando ficava muito tempo sem comer e depois engasgava-se com frequência...mas foi quando achámos que já podíamos deixá-lo dormir à vontade que ele decidiu passar a fazer intervalos de 3h/3h30m...só para mostrar quem é que manda ;)..
Uma das maiores dificuldades de ser mãe (e pai) de um recém nascido é, sem dúvida, o sono. Mas eu faço mesmo questão de manter os "mínimos olímpicos" e para tal - pelo menos enquanto o senhor namorado também está por casa - o que tenho feito é ir muitas vezes para a cama a partir das 22h, enquanto o pai fica a adormecer o bebé na sala, ou durmo mais um sono depois da "maminha das 7h/8h da manhã", enquanto o pai leva o bebé também já para a sala. No meio disto, e porque eu desperto por completo durante a noite para dar de mamar, nessa altura não me faz sentido dividir tarefas e já que tenho que ser eu a amamentar, trato também das fraldas e de adormecê-lo, deixando o pai dormir o seu sono de beleza (é isso ou passarmos os dois o dia mal dispostos de sono, e alternando desta forma tem resultado bem). Felizmente durante a noite raramente há episódios de cólicas, pelo que eu só grito por socorro do pai mesmo se a criança der muita luta para adormecer (por ele e por mim, que acho que não lhe faz bem nenhum aturar uma mãe nervosa).

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #3 - Os primeiros dias em casa

[Aviso prévio à navegação: como podem imaginar, tendo um recém nascido em casa tenho vivido praticamente em exclusivo para ele, pelo que será muito provavelmente o meu único assunto por aqui nas próximas semanas. Para além disso, como o blogue é uma espécie de diário, faço muita questão de descrever esta jornada por aqui, para lê-la e recordá-la no futuro. 
A quem este tema não interessar, é voltar daqui a umas semanas, que o assunto bebé deixará de ter exclusividade por aqui. Para já é o que temos ;) ].



Chegámos a casa na tarde de segunda-feira, dois dias depois do nascimento do Gustavo. Ao final do dia chegou a minha mãe para passar uns dias connosco (desvantagens de ter a família a viver longe...os avós tiveram que esperar uns dias para conhecer o neto tão desejado). Durante o tempo que a (santa da) minha mãe esteve connosco, não mexemos uma palha em termos de tarefas domésticas. Cozinhou para nós, deixou-nos a casa num brinco, e ainda ficou por duas vezes com o Gu para nós sairmos. Sim, o meu filho tinha 4 dias de vida e eu consegui separar-me dele (foi só uma hora, na verdade), embora tenha sido só para ir ao supermercado mesmo ao lado de casa e estivesse sempre atenta ao telemóvel para o caso de ele ter um ataque inesperado de fome. Daí a 3 dias voltámos a sair só os dois, desta vez para ir ao centro comercial comprar umas coisas que me faziam mesmo falta. E mais uma vez deixei o meu filho bem alimentadinho e fui descansada da vida, porque a minha mãe estava com ele. Sei que nem todas as recém mães conseguem este "desprendimento" de se separar do filho - por menos tempo que seja - e eu sempre achei que se confiasse plenamente na pessoa que ficasse a cuidar dele conseguiria (na verdade, confio desta forma praticamente só no pai da criança e na minha mãe), e a verdade é que consegui sem ficar minimamente angustiada.
Mas passando à atividade dentro de casa. No mesmo dia em que saí da maternidade tive a famosa subida (ou descida) do leite e isso, aliado a uma má pega do meu filhote aqui no seu sustento resultaram nuns dias mesmo muito difíceis. Sentia-me a ficar doente, tinha muitas dores (e calores e fraqueza) e mesmo seguindo as técnicas que me tinham ensinado a coisa não foi nada nada fácil. Ateéque dois dias depois tive uma consulta de amamentação nos Lusíadas - custa 25€ e não tem acordo com nenhum seguro de saúde (tive com a enfermeira Sara Póvoa que super recomendo, apetecia-me trazê-la para casa e enchê-la de beijinhos). Para além de me ter ensinado técnicas e posições para melhorar a pega do bebé, disse-me que eu estava à beira de ter uma inflamação e mandou-me tomar brufen. A partir desse dia as coisas melhoraram um pouco, e no final da semana começaram a ficar bastante melhores.
Vou ser muito honesta (e dizer algo que provavelmente muitas sentem mas não dizem): o sofrimento físico em que me encontrava naqueles dias, aliado à privação do sono (o Gu mamava e estava a ganhar peso, mas levava eternidades no processo porque ainda não estava a pegar bem) não me permitiram desfrutar da parte boa da maternidade naqueles dias. No dia em que cheguei ao hospital para o teste do pezinho (e em que depois me apareceu aquela enfermeira santa à frente), enquanto esperava pela nossa vez, corriam-me lágrimas pelo rosto. A enfermeira, que nunca me tinha visto mais gorda, olhou para mim e comentou "Está com um ar tão cansado". Quando lhe agradeci muito no final da consulta ela agarrou-me e deu-me um abraço. Uma profissional 10 estrelas, mesmo.
Foi por volta da altura em que o Gu fez uma semana de vida que a amamentação começou a estabilizar e, com isso, as nossas noites melhoraram (passámos a conseguir dormir entre 5 a 7 horas por noite, apesar de com várias interrupções pelo meio), o meu humor também, e aí sim consegui começar a desfrutar mais do meu bebé. 

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #2 - Os dias na maternidade

Esqueci-me de terminar o último post com uma informação que sempre achei que não era muito relevante de se partilhar com o mundo, mas que toda a gente o faz, pelo que fica também aqui o registo: o Gustavo nasceu com 3,105 kg (e recuperou este peso no espaço de 5 dias só com leite materno) e 49 cm. E tudo o que era (e assim se mantém) roupa de um mês lhe ficava a nadar no corpinho (e até alguma de 0 meses).
A nossa escolha por um hospital privado em detrimento de um público deveu-se a dois principais motivos (para além de este ter acordo com o nosso subsistema de saúde, obviamente): algum receio em não conseguir vagas para consultas, e até para o parto, e podermos ficar os dois a dormir na maternidade, num quarto privado só para nós. Escolhemos os Lusíadas.
Ao início da manhã de sábado, já estávamos os três no naquele que seria o nosso quarto até ao início da tarde de segunda-feira.
Como a nossa família próxima é de longe, não recebemos visitas naquele dia. E confesso que, fora as (pouquíssimas) pessoas com que tenho um à vontade muito grande, a minha vontade de ver pessoas que não fossem profissionais de saúde era quase nula.
O dia passou-se entre muita fraqueza e alguma dor da mãe, e muitas sonecas da parte do filho (tantas que eu já estava a ficar preocupada...veio muito bem nutrido de dentro de mim, o meu filhote).
A primeira noite a três foi muito parca em sono. Lembro-me de um episódio que me marcou especialmente: tinha acabado de dar maminha ao bebé e, como não conseguia levantar-me sozinha com ele ao colo, chamei o senhor namorado para ser ele a fazê-lo. Ele costuma ter o sono muito leve, mas depois de termos passado a noite da véspera em claro - e porque, ao contrário de mim, ele não foi invadido por um exército de hormonas que me fez mandar o sono e o cansaço para parte incerta naquelas primeiras horas de vida do nosso filho - apagou por completo e não me respondia por nada. Juro que dei por mim a pensar "E se eu estou para aqui a rogar-lhe pragas e o homem teve um enfarte e está-me para ali morto e eu vou ficar sozinha no mundo com um recém nascido nos braços?". Ora o homem não respondia, opção n.º 2 era chamar ajuda: pois o comando para tal estava em cima de um móvel onde eu não chegava com a criança nos braços. Foi um momento bonito...até que o pai da criança se dignou a "renascer dos mortos" e lá ma resgatou dos braços.



No dia seguinte, quando chegou uma enfermeira para dar o primeiro banho ao nosso filho, eu percebi - de forma ligeiramente assustadora - que tinha mesmo sido invadida por um bando de hormonas pós-parto. A enfermeira despiu o Gustavo, ele começou a chorar e eu...desatei a chorar com pena do meu pobre filho (quão assustadora foi esta minha reação? racionalmente tive sempre noção disso mas...vão lá dizer isso às hormonas, vão...).
No domingo tivemos a visita da família do pai e de uma amiga querida. E sabes que é uma amiga daquelas (não que eu já não soubesse) quando ela não só traz prendas para o teu bebé, mas também traz um miminho para ti. 
No dia seguinte, segunda feira, tratámos logo de registar  Gustavo e fazer o pedido para a emissão do cartão de cidadão: é mesmo muito prático. Têm um balcão no hospital, o senhor namorado foi lá fazer o pedido e vieram ao quarto fotografar o Gustavo para o cartão de cidadão (a conservadora era tão simpática que nos tratou a mim e ao senhor namorado como se tivessemos um ligeiro atraso mental...isso ou a idade do nosso filho. adoro pessoas que estupidificam os pais de bebés). Fui vista pela minha obstetra e tive "ordem de soltura". Os pagamentos e agendamentos de consultas futuras foram, mais uma vez, feitos todos no nosso quarto, por profissionais que lá foram, e eu achei isso espetacular. 
O que não foi tão espetacular foi a pouca ajuda que tive ao longo da minha estadia na maternidade. Admito que não sou pessoa de me queixar nem de pedir grande ajuda, mas acho também que quando se é mãe (e pai) de primeira viagem, nas primeiras horas nem nós sabemos que tipo de ajuda precisamos (mas oh se precisamos, principalmente se optarmos por amamentar). Eu ia fazendo algumas perguntas mas ninguém se dignou a "perder" algum tempo comigo e ensinar pegas ou dar conselhos para a coisa correr bem. Apenas na segunda feira uma enfermeira (a primeira) espetacular (que pena que nem me lembro do nome dela) chegou ao nosso quarto e deu todas as dicas sobre mudança de fralda, banho e ainda me fez uma massagem no peito (já estava bem a precisar e lá está, não sabia disso porque...sou mãe de primeira viagem e apesar de ter estudado muita teoria, a prática muitas vezes é completamente diferente). Para além disso, de cada vez que carregávamos no comando a pedir ajuda, demoravam uma vida a chegar ao quarto. Se a criança se tivesse engasgado a sério nos meus braços, ou tivesse acontecido algo mais urgente, estávamos por nossa conta.
A única vantagem disto? Estávamos desertos por vir para casa. Se a única vantagem de estar na maternidade era ter algum apoio, assim ficava mais fácil vir embora. E assim foi: no início da tarde de segunda, dois dias depois do nascimento do nosso filhote, chegávamos a casa para começar toda uma nova vida a três.