sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 6 (Kathmandu e Dubai)

Ora então vamos lá terminar o relato da nossa viagem ao Nepal.
Já foi há dois meses que voltámos desta viagem e de vez em quando já bate uma saudade. Mas tenho que confessar: quando isso acontece, é dos Himalaias e das paisagens deslumbrantes decoradas de bandeiras tibetanas que eu me recordo com emoção, e não de Kathmandu propriamente dita. Se bem que esta cidade, apesar do caos, vale (muito) a pelos templos, e a Swayambhunath stupa (mais conhecida por Monkey temple, porque está literalmente cheia de macacos) é um deles. A manhã do nosso última dia em Kathmandu foi passada por lá.







A stupa fica numa colina, pelo que tem vistas panorâmicas muito interessantes.





"Não me incomodem que estou a meditar".

De tarde fizemos um Free walking tour pelo centro da cidade, e na manhã do dia seguinte, antes de rumarmos ao aeroporto, visitámos o centro de Patan (onde ficámos a dormir nestes dias).

Como podem ver, os andaimes e edifícios em ruínas são uma constante em Kathmandu, devido ao terramoto de 2015.


E antes de regressarmos a Lisboa passámos umas horas no Dubai, que não foram aproveitados ao máximo (não só nenhum de nós tinha uma vontade imensa de conhecer a cidade como estávamos cansados, e acreditamos que iremos voltar a passar por lá em alguma outra escala).
Dormimos num aparthotel com piscina com vista para o Burj Kalifha (o edifício mais alto do mundo) e depois de o senhor namorado ter dado um mergulho (eu ainda ponderei, mas não me estava nada a apetecer pôr-me de biquíni ao pé de umas muçulmanas que lá estavam a mergulhar todas vestidas) demos um saltinho ao famoso Dubai Mall antes de rumarmos ao aeroporto.
O centro comercial é enorme e tem todas as lojas possíveis imaginárias de todo o mundo (até as minhas adoradas Ben's Cookies de Londres lá estavam...quase chorei lágrimas de emoção naquele momento. foram a minha refeição preferida em duas semanas :p.).



Foi, sem dúvida, a viagem mais intensa que já fiz. Foi duro lidar com o caos e a poluição, foi complicado ter ficado doente na selva, e foi muito mau tentar alimentar-me naquele país (culpa minha, que detesto picante e não dá para fugir dele por lá), mas foi uma viagem tão, mas tão enriquecedora!
Aprendi muito sobre os nepaleses, sobre o hinduísmo e o budismo, tive experiências brutais (aqueles dias na montanha são das coisas mais espetaculares que já fiz na vida) e vi cenários dignos de filme. Obrigada Nepal, foi incrível!

[Se tiverem alguma pergunta/curiosidade sobre a viagem da qual eu não tenha falado por aqui, perguntem à vontade.]

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

The true cost


No fim-de-semana passado vi um documentário que já estava na minha lista há algum tempo: chama-se The true cost e mostra o lado negro da indústria da moda (principalmente da chamada fast fashion): o impacto ambiental e as condições de  trabalho existentes nas fábricas de países subdesenvolvidos (como o Cambodja e o Bangladesh) que produzem para algumas das maiores empresas deste ramo de negócio.
O documentário não dá grandes novidades que a maior parte das pessoas do mundo ocidental não saiba, mas coloca o dedo na ferida de forma bastante incomodativa. Uma pessoa senta-se no seu belo sofá num fim-de-semana de descanso de um trabalho com condições dignas, vestida com as suas roupas confortáveis (muitas delas feitas naqueles países à custa do suor e - literalmente - do sangue daquelas pessoas) enquanto assiste a uma realidade diametralmente oposta à sua de pessoas que a única coisa que fizeram para tal foi nascer no país errado, e dá por si cobardemente a ansiar que aquilo acabe para voltar à sua vida confortável.
O documentário mostra as condições degradantes a que estão sujeitos os trabalhadores das fábricas que produzem para as grandes cadeias de fast fashion (e relembra a tragédia que aconteceu numa fábrica no Bangladesh, em 2013, que ruiu e matou mais de 1000 trabalhadores), os salários (muitos de 2USD/dia), o impacto no ambiente deste tipo de produção (as águas saem das fábricas cheias de químicos e contaminam a água potável nestes países, gerando inúmeras doenças numa população que mal tem dinheiro para comer, quanto mais para ir ao médico).
E enquanto isto as grandes cadeias de fast fashion lavam as suas mãos e apregoam aos sete ventos que os seus trabalhadores têm condições dignas de trabalho. Pois, porque o que elas fazem é subcontratar a produção aos fabricantes destes países subdesenvolvidos a troco de valores irrisórios (valores esses que se vão refletir obviamente nas condições de trabalho e salário dos trabalhadores das fábricas). Estão a contratar o produto final às fábricas, não têm portanto nada a ver com tudo o que acontece até esse produto lhes chegar às mãos. Nada hipócrita, portanto.
Eu não acho que a solução esteja em nós, consumidores do primeiro mundo, boicotarmos por completo a compra de roupa produzida nestes países. Aliás, acho que isso pode até ser perigoso, porque levaria ao desemprego em massa dessas pessoas que, se vivem mal com as condições que este tipo de emprego lhes proporciona, não ficarão muito melhor no desemprego.
Acho que o pouco que podemos fazer (e refiro-me às pessoas da classe média clientes de lojas de fast fashion) é tentar reduzir a quantidade de roupa que compramos sem ser verdadeiramente necessária (diminuindo o impacto ambiental causado pela indústria da moda) e evitar ao máximo as pechinchas a preços absurdos. Porque uma t-shirt, para chegar até nós depois de ser produzida do outro lado do mundo com recursos naturais, trabalho humano e transporte e custar 5€, é porque se poupou em algum lado. E esse lado, o único onde ainda se vai conseguindo reduzir os custos, é o do costume, o lado mais fraco: o das pessoas que são exploradas diariamente para produzir estas peças em massa.
Enquanto cliente, se me fosse dada a opção de pagar mais um pouco por essas peças mais baratas com a contrapartida desse extra servir para melhorar as condições de trabalho nas fábricas do terceiro mundo, aceitaria de bom grado. E acredito que mais pessoas pensem como eu...
Mas, na impossibilidade de fazer isso, resta-me ir lidando com o sabor amargo desta realidade e fazendo o melhor que posso para consumir cada vez menos e de forma mais ponderada.



[Já agora, se tiverem sugestões de outros documentários do género deste digam-me por favor.]

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Fim-de-semana

Para quem (como a seguidora querida que me escreveu um comentário na sexta-feira passada) possa estar preocupado, tenho a dizer-vos que está tudo bem comigo. Apenas a sofrer de uma grande falta de inspiração. Ou melhor, muitas vezes até me apetece escrever sobre as mil coisas que me ocupam a mente com mais frequência (alimentação saudável, moda, preocupações ecológicas e consumo mais consciente) mas chego sempre à mesma conclusão: o que eu sei e faço em qualquer uma destas áreas é muito pouco e há n pessoas por esta blogosfera fora com informação mais completa e interessante do que aquela que eu tenho para partilhar. Mas pode ser que entretanto eu tenha um desbloqueio e me apeteça começar a partilhar mais por aqui. A ver vamos.
O que também tem escasseado deste lado são passeios, mas este fim-de-semana lá voltámos às caminhadas à beira-mar e às descobertas de restaurantes novos. E ambas correram lindamente.






































O restaurante que fomos conhecer no domingo chama-se Bota Sal, fica em Campo de Ourique, e fizemos a reserva pelo The Fork, com direito a 30% de desconto. As fotos que tirei ficaram uma porcaria, pelo que "roubei" uma do site do The Fork para verem o estilo da decoração (bem gira, por sinal).



 Para além dos pratos que estão no menu, o restaurante também tem algumas sugestões diárias, e foi uma dessas que eu escolhi: bife de atum (mal passado, como eu adoro) com arroz de coentros e legumes. Estava maravilhoso!
O senhor namorado pediu um pica pau de lombo acompanhado de batatas fritas que também estava ótimo.
Para sobremesa ele pediu leite creme (que adorou, e acreditem que é uma raridade o homem adorar seja o que for) e eu pedi um bolo de chocolate e caramelo que também estava ótimo.
O único problema? As dores eram bem servidas e eu, como gosto pouco de desperdiçar comida, limpei os pratos e saí do restaurante quase à beira da indisposição, de tão cheia que fiquei.
Com o desconto do The Fork pagámos à volta de 40€. Adorei o espaço, o atendimento e a comida. Recomendo muito.




































Tinha saudades de um fim-de-semana assim: cheio de sol, passeios e boas descobertas gastronómicas.

terça-feira, 27 de novembro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 5 (regresso a Kathmandu)

Uma pessoa distrai-se um bocadinho e de repente já se passaram dois meses desde a viagem ao Nepal e ainda não está o diário de viagem todo feito. Ora vamos lá então continuar com isto que eu faço questão de deixar tudo registado antes que comece a esquecer-me dos pormenores.
Depois de quatro dias nos Himalaias, apanhámos um voo de regresso para Kathmandu.
A cidade de Kathmandu causou-me mixed feelings: é maravilhosa a nível cultural, é um autêntico museu a céu aberto com templos em quase todas as ruas (apesar de muitos estarem bastante degradados por causa do sismo de 2015). Mas, por outro lado, tive muita dificuldade em lidar com a poluição e o caos de não conseguir andar na estrada no centro da cidade porque não há passeios e há sempre motas e carros praticamente em cima de nós.
E por falar em caos, vejam a foto abaixo.
























Quando falo em poluição, falo numa cidade onde não se consegue (literalmente) respirar fundo na rua e os peões (inclusive os locais) andam de máscara a tapar o nariz. Principalmente do fumo que deitam os carros e motas (duvido que haja inspeção automóvel naquele país). É bastante aflitivo.


Mais uma stupa no centro da cidade.


E a vista do pequeno-almoço do hotel onde ficámos, em Patan.
























Regressados de Pokhara, apanhámos um taxi na parte da tarde e fomos visitar a Boudhanath Stupa, um templo budista maravilhoso fora do centro, dentro do perímetro do vale de Kathmandu.
A stupa fica no centro de uma praça e está sobre uma plataforma em forma de mandala.





A foto abaixo é do interior de um templo hindu, que fica na mesma praça da Boudhanath Stupa.



As stupas não se visitam por dentro (nem sei se tem alguma coisa dentro e sequer se dá para entrar, honestamente) pelo que também o culto é feito no exterior, à volta da stupa.



E fica a faltar um último post sobre o Nepal para fecharmos este capítulo aqui pelo blogue.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mudança



Os últimos meses têm sido de verdadeira mudança para mim. Nada de muito exteriorizável (para além da grande limpeza que ando a fazer em casa) mas sim a nível interior, de mentalidade. [Pois é, tenho estado muito caladinha por aqui, mas esta minha cabecinha tem andado a fervilhar ultimamente]
Resolvi algumas das minhas principais preocupações mais sérias, o que me permitiu "desempoeirar" o cérebro (como diz a minha querida psicóloga) e com isso veio uma grande vontade de transpôr isso para a minha vida. E assim tem sido.
Depois de ter reduzido drasticamente a minha roupa, a vontade de comprar também reduziu e muito. Não só porque dá trabalho desfazermo-nos daquilo que não é essencial (e pesa muito na consciência termos que assumir perante nós próprias que temos n peças que comprámos e não sabemos bem porquê - porque ou nunca usámos, ou nunca gostámos especialmente delas) mas também - e cada vez mais - por uma questão de consciência social. 
Tenho lido e aprendido muito ultimamente sobre o estado em que o consumo desenfreado da civilização ocidental está a deixar o planeta, e sinto-me cada vez mais incomodada com isso. É assustador saber que (bem) mais de metade do plástico que consumimos, mesmo que o coloquemos no Ecoponto, não é reciclado e nunca vai desaparecer do planeta. É igualmente assustador pensar que aquele par de calças que uma pessoa comprou e nunca usou implicou o gasto de n litros de água e de mais uma série de recursos naturais. 
Não pretendo ser radical nem nada que se pareça. Mas sinto que o que tenho feito até agora é pouco. E sinto-me na obrigação - para comigo própria e para com o planeta - de fazer a minha parte e pensar duas vezes antes de comprar certas coisas que não são essenciais na minha vida.
Nos últimos quatro meses as minhas compras de roupa resumiram-se a um par de leggings de desporto (que não precisava, mas que adoro e pretendo usar muito). Black Friday? Gostava de aproveitar para comprar uma malha de caxemira vermelha que me durasse uma vida, mas é só. Se aproveitar, será para repôr o stock de alguma maquilhagem que está a acabar, ou para fazer uma encomenda da minha comidinha saudável. Há muito que não compro nem cozinho carne vermelha, mas gostava mesmo de deixar de consumir carne em casa (não querendo atirar as culpas para o senhor namorado, era bem mais fácil concretizar este desejo se ele também estivesse para aí virado. mas lá chegaremos...ou então ganharei eu coragem para fazê-lo sozinha).
Repito que não tenciono virar extremista e que vou continuar a cometer as minhas loucuras de vez em quando. Mas pretendo fazê-lo muito menos vezes do que antes. E, acima de tudo - e no que à roupa respeita - comprar (muito) menos e com mais qualidade. 
O planeta, a minha casa e a minha sanidade mental agradecem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Fim-de-semana

Ao que parece, desta vez escolhi especialmente bem o fim-de-semana para ir matar saudades da família e da ilha (apesar da viagem já estar comprada há meses, como de costume, que é a única maneira que consigo ir de fim-de-semana a casa sem ficar à beira da falência).
E como tivemos visitas também andámos a "turistar" um pouco e a rever lugares especiais.





































Eira do Serrado


Miradouro do Pico dos Barcelos


Câmara de Lobos

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 4 (Trekking e nascer do sol em Poon Hill)

O nosso terceiro dia de trekking começou antes das 5h da manhã. Ainda era de noite quando saímos do nosso alojamento para uma hora de caminho até Poon Hill.
Poon Hill fica a 3210 metros de altitude e está rodeado de montanhas, a mais alta com mais de 8000 metros (Annapurna I).
A grande maioria dos trekkings naquela zona passam por aqui e fazem aquilo que nós fizemos: assistir ao nascer do sol em Poon Hill. Pelo que quando lá chegámos estavam algumas centenas de pessoas (ainda para mais, outubro é o mês mais concorrido).
O caminho até lá é sempre a subir e dura pouco menos de uma hora, mas como não tínhamos a mochila e estava bastante frio, fez-se bem. Chegámos antes do sol nascer e tivemos muita sorte: praticamente não havia nuvens naquele dia (depois do trauma que trouxémos de Machu Picchu, foi mais do que merecido). Estava tanto frio que fiquei com dores nas mãos depois de alguns minutos a fotografar.


Comprei uma manta em Ghorepani para sobreviver a este momento (que agora está no nosso sofá).


























Não há fotografias que consigam fazer jus àquilo que nós vimos. As montanhas cobertas de neve a toda a volta, o sol a aparecer aos poucos e a tornar todo aquele cenário ainda mais mágico, foi das experiências mais bonitas da minha vida. Foi mesmo, mesmo especial.



























Depois daquele espetáculo maravilhoso, voltámos ao alojamento para tomar o pequeno-almoço e pôr a mochila às costas para mais um dia de caminho. E que dia mágico. Foi o dia das paisagens mais bonitas, mas foi também o dia em que disse mais palavrões interiormente pela dureza das subidas (estava convencida que tínhamos chegado ao ponto mais alto e que a partir dali seria plano ou a descer, não estava preparada psicologicamente para aquilo).



























































Parámos para almoçar em Tadapani, depois das últimas subidas do percurso, em que eu tive literalmente vontade de matar o nosso guia. Depois de ele me ter dito que o mais difícil já tinha passado, aparece-nos um percurso monstro de escadas e mais escadas para subir.  E o raio do homem sempre com um ar fresco e fofo o que "só" me triplicava a vontade de o matar...agora tem piada mas na altura foi só mesmo por não ter energia suficiente para tal que não cometi homicídio :p.


Dentro da área protegida do Annapurna não vendem água engarrafada por questões ambientais (mas vendem coca-cola e afins...vá-se lá perceber). A única forma de bebermos água é encher as nossas garrafas com aquilo que eles chamam de "água purificada", que está à venda nos restaurantes e afins. Depois de mil e uma recomendações sobre cuidados a ter com a alimentação, eu estava reticente, mas consumi essa água (que remédio...) e correu bem.
E a meio da tarde chegámos a Ghandruk, para a nossa última noite na montanha.



























A imagem que vêem abaixo é muito frequente na montanha. Vê-se muitos jovens carregadíssimos a subir a montanha (alguns são porters e carregam a mochila dos turistas - que é coisa que me faz alguma confusão, confesso, apesar de ser (mal) remunerado -, outros, como este, carregam alimentos ou outros bens necessários para as aldeias a meio da montanha, inacessíveis por estrada (que são várias). 
Os guias de montanha começam todos as suas carreiras a trabalhar enquanto porters e só depois podem conseguir a licença para ser guias (depois de provas físicas bastante rigorosas). Não admira que o nosso guia - com um aspeto todo franzino - fosse um Speedy Gonzalez com um ar sempre fresco e fofo.


Acordar em Ghandruk com este cenário:


Na manhã do quarto dia era altura de nos despedirmos da montanha. Depois de uma hora de caminhada fizemos uma viagem (surreal, para não variar) de jipe, mais de uma hora em terra batida até chegarmos à estrada e, por fim, de volta a Pokhara.
Foram quatro dias tão duros quanto maravilhosos e inesquecíveis. Dos mais inesquecíveis que já vivi.

Primeira parte do trekking aqui.