quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Rússia: 6 dias, 3 cidades e 1 casamento - São Petersburgo (1ª parte)

A última parte da nossa viagem foi passada em São Petersburgo, para onde fomos no comboio noturno que faz a viagem a partir de Moscovo e que dura aproximadamente 9 horas. Atendendo à diferença de preços achámos por bem escolher uma camarata de duas camas (e não nos arrependemos nem um bocadinho dessa decisão). Havia uma casa de banho (sem duches) no nosso corredor, a partilhar entre umas 18 pessoas (o quê? tomar banho? deixem-se lá de excentricidades!)
Eu sou um fenómeno raro que adormece em qualquer meio de transporte com a maior das facilidades durante o dia, mas se for para passar a noite, e por mais cansada que esteja, estranho sempre lugares diferentes e demoro séculos a adormecer. No comboio não foi exceção (já o senhor namorado abandonou-me às minhas insónias e dormiu que nem um bébé).

Cá está a camarata.

Chegados a São Petersburgo ao início da manhã, fomos pôr as malas ao hotel e partimos à descoberta da cidade (o tal do banho que não conseguimos tomar no comboio? pois esperem mais um bocadinho que não vos faz mal nenhum. ou não tivéssemos nós escolhido um hotel todo pipi, que nos pedia metade do preço duma noite se quiséssemos entrar mais cedo no quarto).
O primeiro ponto de paragem na cidade foi o Hermitage. Não vimos por dentro (por falta de tempo) mas por fora é um edifício muito bonito.


E o ex libris de São Petersburgo: a Catedral do Sangue derramado.

O edifício é lindíssimo, o mais bonito de São Petersburgo (na minha opinião), mas não bate a Catedral de São Basílio, de Moscovo.


Catedral de Santo Isaac.

Ao início da tarde decidimos ir ao hotel conhecer os nossos aposentos para aquela noite (chama-se Trezzini Palace Hotel e podem encontrá-lo aqui). Na receção ofereceram-nos água, champanhe e chocolates (e aqui os burros de serviço recusaram tudo gentilmente - isto quem nasce para pelintra nunca chegará a chique, nada a fazer), no elevador também havia champanhe e, quando nos abriram a porta do nosso quarto, eu não sei qual de nós dois fez uma cara maior de espanto, enquanto nos eram apresentadas todas as divisões (é nisto que dá reservar o alojamento com meses de antecedência, quando chegámos lá já não nos lembrávamos do que tínhamos escolhido).
Não é que tenha custado uma pechinca - longe disso, mas atendendo à relação qualidade preço até foi bastante acessível (um quarto destes, em Portugal, ficar-no-ia pelo menos pelo triplo do preço que pagámos).

Hall de entrada do quarto.

Sala.

Sala

Quarto

Quando o funcionário saiu do quarto olhámos um para o outro e a conversa que se seguiu foi algo do género: 
"Quanto é que pagámos mesmo por este quarto? De certeza que não te enganaste na conversão e te esqueceste de um zero?"
"Isto é claramente um engano, deram-nos a suite presidencial. Qual de nós vai à receção falar sobre isto?". "Oh, vamos é aproveitar enquanto não se apercebem do engano!" 
#pelintrasforever


Ao final da tarde encontrámo-nos com a minha amiga e o marido, e fomos a um restaurante de comida georgiana, que foi uma agradável surpresa (e o bom que foi ter uma pessoa connosco que falava russo? ah, maravilha!)


[continua...]

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Madeira


Imagens daqui.

Acontecem desgraças todos os dias, em todas as partes do mundo. Mas há algumas que, inevitavelmente, nos tocam o coração de forma especial, mexem connosco de uma forma diferente. Aquelas que tocam de perto os nossos. 
Só me apercebi da dimensão dos fogos que assolam a Madeira ao final da tarde de ontem e, desde essa altura, sinto uma angústia tão grande dentro de mim. 
Tanto quanto sei, pelo menos até agora a minha família e amigos estão a salvo. Mas é tão duro assistir ao terror das pessoas enquanto vêem a sua vida ser destruída à sua frente, e às imagens da minha linda Madeira a ser consumida, desta forma tão cruel, pelas chamas.
Só espero que o vento dê tréguas e permita que tudo isto acabe logo. Na Madeira e no resto do país. E que os pedaços de lixo que provocam cenários destes tenham o que merecem.

[A única ajuda que está ao alcance de quem está longe, neste momento, tanto quanto sei, é esta: fazer um donativo à Caritas, que criou uma conta solidária para este fim, com o número PT50 0035 0697 0059 7240130 28] 

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Revolta

Cá em casa, esta manhã, só cheirava a fumo. O caminho à saída de casa para o trabalho fez-se debaixo de uma névoa escura, muito escura, de fumo.
Na minha Madeira, já evacuaram dois hospitais (oh meu Deus, pobres doentes!) devido ao aproximar dos fogos e há ventos de tal ordem a ajudar à "festa" que nem os aviões estão a aterrar hoje.
Esta tarde, enquanto via o noticiário e me apercebia do que se estava a passar, a sensação de impotência e revolta era tão grande que só não desatei a chorar porque estava no ginásio e tive vergonha.
Put@ que pariu os incendiários.

Rússia: 6 dias, 3 cidades e 1 casamento - Moscovo (2ª parte)

O final da primeira tarde passada em Moscovo foi dedicado a visitar o Bolshoi para assistir à Opera "Fausto" (não tivemos escolha relativamente à peça porque era a única em cena. e até tivemos sorte, porque no dia seguinte encerravam a temporada até setembro). O teatro é lindíssimo e as canções eram imponentes (assim como a voz dos cantores), mas ficámos com imensa pena de não nos ter calhado em sorte um bailado, porque a Ópera, cantada naquilo que me pareceu muito vagamente ser francês (mas que supostamente era alemão, porque a versão original do "Fausto" é alemã) e com um quadro com legendas em russo, foi imensamente difícil de perceber (só ficámos mesmo com uma ideia genérica), o que foi algo frustrante. Mas mesmo assim, e sendo a única opção disponível, não nos arrependemos de ter ido. [agora vou tratar de comprar o livro a ver se fico a conhecer melhor a obra]



Na manhã do dia seguinte começámos por visitar o Armoury Museum, que vale muito a pena (tem os mais variados objetos - todos de luxo - pertencentes aos czares russos), - e custa 700 rublos, à volta de 10€) e, na parte da tarde, visitámos o interior das fortificações do Kremlin (500 rublos), que está cheio de jardins e igrejas, mais uma vez, fabulosos. 
[E não é que nem nas bilheteiras do Kremlin as senhoras falavam inglês? Se tiverem dúvidas na hora de comprar os bilhetes, temos pena!]


Catedral da Anunciação, à direita, e Catedral do Arcanjo, à esquerda.


[Raios partam as gruas que deram cabo das fotos]


Os jardins no centro de Moscovo estavam todos muito bem cuidados, cheios de arranjos de flores. Outra coisa que me chamou atenção foi o facto de ser uma cidade muito limpa (pelo menos o centro), não se via lixo em lado nenhum.




Adorei Moscovo. Adorei mesmo!
Não é nada amigável para os turistas devido ao facto que já referi 50 vezes de não falarem inglês (só encontrámos pessoas que falassem inglês em dois lugares: os hotéis e um restaurante italiano onde jantámos) e, a maioria das pessoas, quando tenta comunicar, não é propriamente simpática nem afável. Até a maioria das estações de metro (todas as que usámos, tanto quanto me lembro), apesar de belíssimas (algumas parecem quase palácios) só têm indicações em russo: o pe-sa-de-lo! Valeu-me o facto de ter como companheiro de viagem a pessoa que deve ter o melhor sentido de orientação da história (e juntou-se à pessoa com o pior de sempre), porque realmente foi uma autêntica aventura. Mas mesmo assim não pude deixar de ficar encantada com a quantidade de igrejas  fabulosas (basicamente a cidade são igrejas e mais igrejas, e cada uma mais linda que a outra) e com os jardins todos cuidados ao pormenor.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Fim-de-semana

O primeiro fim-de-semana depois das férias...estava ansiosa por ele desde que a semana começou. Houve pouco descanso, mas houve tanta coisa boa!

Voltámos à Tasquinha do Caco e desta vez não correu tão bem como de costume. Ou sou eu que ando com o paladar demasiado saudável, ou a limonada tinha demasiado açúcar e o hambúrguer demasiado sal (já o senhor namorado lambuzou-se todo não se queixou de nada).

Houve visita à praia na tarde de sábado, e apesar do vento ligeiro até se aguentou bem (na toalha, claro, que até ver ainda não me deu para atitudes suicidas e não tentei ir à água - sim, porque tenho certeza que o meu sangue madeirense congelava instantaneamente lá dentro).

Depois de ter encontrado a página da Favela do Biquini no Instagram e de ter achado que a marca não podia ter mais a minha cara (riscas, laços e folhos é tudo o que eu adooooro. e a combinação de branco com preto (ou azul) e vermelho a mesma coisa), fui à loja física, na Rua Miguel Bombarda, e não resisti. Os tamanhos são mesmo brasileiros, porque uma das partes de baixo que comprei é um L (tudo bem que até sou avantajada de rabiosque, mas nunca tinha comprado um L na vida) e os preços até são bem convidativos (dos que vi, as partes de cima eram 17€ e as de baixo 20€). 

E ontem lá regressei à praia toda contente para estrear um dos biquínis novos, mas a alegria não durou muito tempo, porque não aguentámos mais do que uma hora na praia devido ao fofinho do costume (para os felizardos que não sabem do que falo: o vento).



[Amanhã retomo o relato da minha viagem à Rússia, que foi demasiado especial para não ficar gravada por aqui ao pormenor]

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Descobri o meu admirador secreto


Lembram-se deste post?
Pois que descobri quem é o Rodolfo. Estava a ver umas fotos do meu gym nas redes sociais quando me deparo com uma foto dum tal de Rodolfo. Abri o perfil do dito cujo e (ainda para mais não sendo um nome muito comum) confere, já vi aquela cara pelo gym a olhar para mim com uma intensidade algo perturbadora.
Mostrei o perfil do rapaz ao senhor namorado - o qual evidencia uma pessoa muiiiito vaidosa (e inclui fotos de tronco nu que evidenciam também muita saúdinha, há que admitir). Depois de me perguntar, em jeito de brincadeira, se podia continuar sossegado depois de eu ter feito aquela descoberta (sim, ele lida muito bem com estas coisas), e ainda a olhar para o perfil do rapaz,  o senhor meu namorado apontou para uma das tais fotos de tronco nu (em que está tudo o que é músculo em grande destaque), e pergunta: "Esse aí também é ele?". E depois da minha confirmação de que sim, era o rapaz: "Errrr, ok...espero nunca ter que andar à porrada com ele". 

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Rússia: 6 dias, 3 cidades e 1 casamento - Moscovo (1ª parte)

Na manhã após o casamento, era altura de regressar a Moscovo. Tínhamos que ir apanhar comboio a Vladimir cedo, pelo que decidimos ir tentar a nossa sorte a ver se nos serviam o pequeno-almoço antes da hora habitual (era uma Guest House pequena e de ambiente familiar). Encontrámos as duas funcionárias na cozinha e lá tentámos comunicar a pedir comida porque tínhamos que apanhar taxi às 8h15. A única palavra que a senhora percebeu foi "táxi", e toca de agarrar no telemóvel para nos chamar um táxi (e, fofinha mas só qb, ela não ia falar com o motorista, estava já preparada para nos passar o telemóvel para a mão, para falarmos com mais alguém que só falava, adivinhem o quê? pois, russo). Lá fizemos os gestos de que não senhor, não queríamos o táxi, esse assunto estava tratado, queríamos comer. Ela ouvia falar em táxi e voltava a agarrar no telemóvel. Quando finalmente, por um qualquer milagre, a senhora conseguiu perceber o que queríamos, e com um balcão cheio de crepes já feitos em frente aos nossos olhos, teve um rasgo de iluminação, abanou a cabeça com um não redondo, e disse "9 o'clock". Fofinha!
Lá fomos apanhar o táxi que nos tinha sido pedido de véspera pela organizadora do casamento, para uma viagem de 40 quilómetros que nos custou o equivalente a 10€. Numa estrada regional com uma faixa para cada sentido, o motorista conduziu sempre  a uma velocidade estonteante, sem cinto de segurança (nos bancos de trás nem havia sítio onde prender os cintos), assistimos a n ultrapassagens com praticamente nenhuma visibilidade, e a melhor de todas foi esta: o nosso motorista a desviar-se para a berma para continuar o seu caminho, sem a mínima reação (como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo) enquanto, mesmo em cima de nós, no lado oposto, um carro tinha decidido ultrapassar um camião (repito que só havia duas faixas, uma para cada lado).
Achou o destino que seria demasiado injusto levar-nos daquela para melhor sem sequer termos conhecido a capital russa, e lá sobrevivemos para contar a história.
Chegados a Moscovo fomos deixar as malas ao hotel e rumámos à famosa Praça Vermelha, e eu fiquei automaticamente encantada mediante tamanha beleza.

State History Museum

Catedral de Kazan (fiquei com a sensação que metade das igrejas na Rússia - e são muitas mesmo - são catedrais).



Não tenho palavras suficientes para expressar o que senti ao ver a Catedral de São Basílio ao vivo. Maravilhosa, linda, espetacular. Uma pessoa olha para esta beleza e sente-se a léguas da Europa, num mundo completamente à parte (um amigo disse-me que a Praça Vermelha parece uma espécie de Disneyland czar, e eu achei um piadão porque pensei algo parecidíssimo quando lá cheguei, perante tanta cor e beleza).

O famoso Gum, um centro comercial lindo com imensas marcas de luxo (e alguns restaurantes medianos onde comemos duas refeições).



Uma parte do Kremlin.

Catedral de Cristo Salvador. Soberba!


[E como isto já vai longo, deixo a segunda parte de Moscovo para outro post]

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Rússia: 6 dias, 3 cidades e 1 casamento - o casamento

Os noivos já tinham casado antes em França, pelo civil, e (ficámos nós a saber depois), uma semana antes do casamento ortodoxo, o noivo - francês e agnóstico - foi batizado na Rússia pela igreja ortodoxa numa cerimónia que decorreu à beira rio e incluiu mergulho (literalmente) do batizando. Nesse momento, foi-lhe dado a escolher, entre os nomes dos santos que se comemoravam naquele dia, qual o nome ortodoxo que ele queria adotar, e ele escolheu Nikolay (sendo que o nome francês dele não tem nenhuma parecença com este).
Os noivos chegaram juntos à igreja, e os convidados puseram-se todos, de pé (não há cadeiras nas igrejas) à volta dos noivos e do padre, sendo que as mulheres tiveram que cobrir a cabeça. A missa é cantada, e os fiéis benzem-se sensivelmente 70 vezes durante a cerimónia (sem exageros) e não há padrinhos. [Decidi não colocar fotos dos noivos aqui, mesmo com a cara tapada, porque não lhes pedi autorização para tal]
A única coisa que percebemos o padre dizer foi "Nikolay e Aleksandra" diversas vezes. Eu, que não conheço bem o noivo, achei que seria o segundo nome dele. O senhor meu namorado - uma enciclopédia de história ambulante - pôs-se a adivinhar que aquilo nada tinha a ver com o nome dos noivos, sendo sim uma alusão aos dois últimos czares da Rússia que foram posteriormente santificados. A família dele, que também não sabia que o noivo tinha "ganho" um novo nome com o seu batizado ortodoxo, ficou a pensar "O que é que se passa aqui que até já me mudaram o nome ao rapaz".
Outro momento engraçado da cerimónia foi quando o padre agarrou nas duas coroas que estavam na mesa (e que nós, na ignorância, assumimos que seriam um elemento decorativo simbólico) e coroou os noivos, que deram três voltas à igreja com as ditas cujas na cabeça.
Também gostei especialmente do momento em que o padre perguntou ao noivo se ele queria casar com a Alex e ele, que percebe mesmo muito pouco de russo, teve que esperar pela tradução da noiva para dizer o seu "da" (sim).

Eu estava com de receio de não ir vestida de forma suficientemente formal, mas afinal até estava bastante "arranjadinha" atendendo à generalidade dos convidados (havia um coitado, inclusive, cuja mala não chegou a tempo e estava de calções e t-shirt. eu teria morrido de vergonha, mas ele estava na boa - não é que tivesse grande remédio, mas adiante. noutra vida também vou ser assim, relaxada e sem me importar com o que os outros pensam).

A igreja da cerimónia foi a do lado direito da foto (repararam que a torre do meio está torta, qual torre de Pisa?).

Seguiu-se um passeio a pé até ao local da festa que, para mim, de salto alto, foi uma aventura e tanto (tinha descidas em terra a meio do mato, um mimo!), apesar de, em termos de vistas, ter sido muito giro.



Chegados ao local da festa, puseram-nos a vestir disfarces e a dançar danças típicas russas, com animadoras que (guess what?) só falavam russo e nós (franceses e afins) só nos ríamos e íamos tentando fazer o que nos mandavam. Ainda fizeram um segundo jogo (que eu, graças a deus e a todos os santos, dispensei antes de saber o que era) que consistia em dois grupos a competir um com o outro que deviam, à vez, esvaziar uma garrafa de vodka (bebendo todos do mesmo copo...no-jo! ainda ando a ponderar se me divorcio do senhor namorado por ele ter entrado na brincadeira).

O baú dos disfarces.

Cá está o disfarce que nos calhou em sorte.



Achava eu que, quando nos sentássemos para comer, a animação pararia. Está bem, está... Se eu vos disser que, enquanto comíamos (ou antes, tentávamos comer) não houve mais de 5 minutos seguidos sem que o animador não tenha tirado alguém das mesas para algum jogo ou nos tenha mandado fazer um dos 100 brindes que fizemos durante a festa, não estarei a exagerar. Tanto que a maior parte das pessoas estava tão entretida na hora do prato principal que muitos nem lhe tocaram.
Provámos várias especialidades russas, entre elas uma sopa de peixe com vodka que, estranhamente, não só sabia bem como me soube um pouco à nossa canja.
O que dizer deste dia? Vi a minha amiga realizar um sonho, conheci pessoas espetaculares de várias nacionalidades, dancei, ri, provei várias iguarias e fiquei a conhecer imensas tradições russas. Mesmo que tivesse ido à Rússia apenas para assistir ao casamento, garanto-vos que já teria valido (e muito) a pena.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Esse dia maravilhoso que é o do regresso ao trabalho

O dia ontem não foi fácil. Voltar ao trabalho depois das férias não costuma ser propriamente um momento de felicidade plena para mim, mas voltar ao trabalho num lugar que ainda não consegui adotar como meu consegue ser bem pior. Não tardou muito até o entusiasmo das férias dar lugar ao vazio dos últimos tempos.
Entretanto recebi uma mensagem de uma das duas pessoas que, apesar de tudo, tornam as coisas bem mais fáceis para mim por aqui, desafiando-nos (a mim e ao senhor namorado) a ir à feira medieval de Santa Maria da Feira depois do trabalho. Disse que sim, com vontade de dizer que não. Passei o dia com vontade de lhe dizer que tinha mudado de ideias. O único programa que me parecia minimamente apetecível perante aquele humor de cão era a minha terapia do costume: enfiar-me no ginásio. Mas fiz um esforço, principalmente por mim própria, e fui. E apesar do trânsito que apanhámos para lá chegar e da confusão de gente que lá estava (nem quero imaginar como será ao fim-de-semana), ainda bem que fui. Porque para além de ter sido um passeio muito giro, durante algumas horas a minha cabeça entrou em descanso e não fabricou problemas nem preocupações.






 

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Rússia: 6 dias, 3 cidades e 1 casamento - Suzdal

Apesar de terem mais n aspetos com que se preocupar relacionados com o casamento, a Alex e o marido deram-se ao trabalho não só de tratar de toda a logística das viagens de todos os parentes do lado dele (francês) como ainda organizaram um roteiro turístico de 10 dias para os convidados que incluiu visitas em Moscovo antes do casamento, e Suzdal e São Petersburgo depois, tudo isto na companhia dos próprios noivos (inclusive na véspera do casamento!) e de guias turísticos. 
Nós já tínhamos comprado os nossos bilhetes de avião quando recebemos o programa completo das visitas, daí não termos conseguido estar com o grupo na maior parte da viagem.
Em Suzdal (cidade onde ocorreu o casamento), a maior parte dos convidados (nós inclusive) ficou alojada em Guest Houses, reservadas e oferecidas pelos noivos (que não descuraram um único detalhe para nos fazer sentir bem).
Depois de instalados, ao final da tarde de sábado, aproveitámos o que restava da luz do dia para conhecer um pouco da cidade, que é muito amorosa.

Suzdal está cheia de igrejas, cada uma mais bonita que a outra.


O kremlin de Suzdal. Tão bonito.



Pode não parecer, mas este edifício de madeira também é uma igreja.

Pôr do sol fabuloso, e mais uma igreja.


O passeio acabou num dos restaurantes típicos da cidade, onde qualquer tentativa de falar inglês não passou disso mesmo, de tentativa (como aliás em qualquer outra parte de Suzdal). Naquela cidade só conseguimos falar inglês mesmo no casamento com alguns convidados (senhor namorado delirava de entusiasmo de cada vez que apanhava alguém que não falasse apenas russo ou francês), e a nossa grande sorte foi que todos os taxis (vários) que tivemos que apanhar (e que custavam uma autêntica pechincha) foram pedidos pela Alex ou pela organizadora do casamento, senão teria sido completamente impossível andarmos neles (a começar pelo facto de não fazermos ideia como se lê o nome dos sítios no alfabeto russo, passando pelo facto de, se o fizermos em inglês eles não pescarem nada, não sei mesmo como teria sido).
Para jantar deram-nos um menu em inglês (isto depois de termos sido ignorados por 3 empregados, enquanto esperávamos de pé na entrada do restaurante para sermos atendidos - e não, não valia a pena dar meia volta e ir embora, porque seria tudo mais do mesmo) e lá apontámos no menu aquilo que queríamos comer.


No meio de uma oferta de basicamente carne e de pratos maioritariamente de fritos, optei por este prato bastante típico: crepes com caviar.
Calhou de eu pedir a sobremesa  a uma pessoa diferente daquela a quem tínhamos pedido os pratos. Essa pessoa, por aquilo que percebi depois, achou que nós tínhamos ousado sentar-nos no restaurante para comer um mísero crepe, e então olhou para mim e encolheu os ombros, como quem diz "Ok, queres um crepe? Bom para ti!". Fofinho! Quando mais tarde lhe pedimos a conta (com gestos, obviamente) e esta continha apenas a descrição do crepe percebemos o motivo da má disposição do senhor (que, obviamente, não justifica a atitude, mas adiante) e, mais uma vez através de gestos, tentámos de várias formas dizer-lhe que tínhamos comido mais do que aquilo, e que a conta estava errada.
Não contei este episódio à Alex, para não fazê-la sentir-se mal, já que estávamos na terra dela e ela recomendou o restaurante, o que me leva a pensar que, quando uma pessoa fala russo até deve ser bem tratada, ao ponto de ela não fazer ideia que tal poderia acontecer.
Já fiz algumas viagens, mas falando eu inglês e francês e desenrascando o espanhol, até hoje nunca me tinha deparado com esta barreira de forma tão acentuada, e digo-vos, esta parte foi mesmo muito frustrante e cansativa.