quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Fim-de-semana prolongado em Castelo Branco - Parte II

 [Podem ler sobre a primeira parte do fim-de-semana aqui.]

No sábado visitámos aquele que, para mim, foi o lugar mais bonito de todo o fim-de-semana: as Portas do Almourão. Que paisagem soberba! (As fotos não conseguem fazer jus ao quão imponente é esta vista)






E no domingo, antes de regressarmos a Lisboa, passámos por Vila Velha de Ródão.
Almoçámos no restaurante Vila Portuguesa (por sugestão do Instagram do blogue Let's Run Away, que sigo e gosto muito) e depois estivemos sentados na relva a apreciar a vista do rio: que paz que se sente naquele lugar.





Portas do Ródão

Como disse no primeiro post sobre o fim-de-semana, não gerimos o tempo da melhor forma para conseguir ver todos os lugares maravilhosos que merecem uma visita nesta zona, mas aproveitámos o melhor que pudemos e foi mesmo bom. Vimos paisagens soberbas e vivemos momentos muito felizes em família. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #23: Relato de uma noite normal cá em casa

[Um desabafo que fiz no Instagram e que decidi trazer aqui para o blogue, para me recordar daqui a uns anos quando voltar a ter noites decentes de sono]

20h30/21h30: O Gu adormece (no colo, connosco de pé, sempre).
Nos dias em que ele adormece mais cedo faço o esforço de ver uma série de 20 minutos com o homem. Invariavelmente morro de sono a meio da série.
22h (ou antes): Vou para a cama e pego num livro. Raramente leio mais de 4 páginas antes de cair para o lado.
Se a cria acordar antes da meia noite (acontece com frequência e é sempre um mau prenúncio da noite que está para vir) vai lá o pai tentar readormecê-lo (quando acorda depois dessa hora normalmente já só acalma na mama).
00h30/1h: Cria chora. Levanto-me para ir ao quarto dele dar mama. Adormece ao fim de poucos minutos e pouso-o no berço. Com receio que desperte daí a 10 minutos (houve uma altura em que estava perito nisto) fico a dormir no quarto dele.
3h: Novo choro. Entre readormecê-lo ao colo em pé ou na mama deitada, normalmente opto pela segunda (diz que se chama tentar sobreviver). Dou mama enquanto digo mal da minha vida; afinal de contas, já levo um ano desta merd@. Volto a deitá-lo no berço. O raio da criança esteve 10 minutos a dormir agarrado à minha mama, mas quando o pouso espevita. Dou-lhes uns abanicos e lá fica ele. 
Deito-me com uma fome de leão e fico a pensar se vale a pena ir comer (e ter que lavar dentes, ou então não) e arriscar-me a despertar ainda mais, ou se tento dormir mesmo com o estômago a gritar por comida.  Decido tentar dormir e lá consigo (e todas as noites em que isso acontece e não tenho insónias são noites abençoadas, independentemente do número de vezes que acordo).
6h45: Cria começa a chorar. Olho para o relógio e fico contente por ter dormido 3 horas seguidas em vez de 2. Levanto-me rapidamente para tentar dar mama antes que ele desperte completamente, para tentar que ainda durma mais qualquer coisa. Depois de mamar (raramente adormece na mama nesta altura) vem o pai tentar adormecê-lo. Depois de quase meia hora de tentativas em que a cria vai dormitando nos entretantos, desperta por completo às 7h30 (há os bebés que dormem a noite toda e há os que dormem 12 horas ao longo do sono noturno - e há os que fazem as duas coisas ao mesmo tempo; depois há o meu que dorme 10 horas com mil intervalos).
Aquela sensação de acordar rejuvenescida depois de uma noite de sono? Há mais de um ano que não sei o que isso é.

terça-feira, 15 de setembro de 2020

14-09-2019: 366 dias do Gustavo nas nossas vidas [2.ª parte]



8º mês
Por volta do teu 8º mês de vida nasceram-te os dois primeiros dentes. 
E também por essa altura tiveste uma regressão brutal de sono: deixaste de adormecer deitado para o sono da noite, e dos 2 ou 3 despertares noturnos passámos para 4, 5, 6, 7, 8... houve ali umas 2 ou 3 semanas em que andámos à beira da loucura. Depois as coisas acalmaram passámos aos 3 a 5 despertares (até hoje, é o mais comum acontecer).
Nesta altura passaste a dormir no teu quarto (não sentimos influência no sono, nem para melhor nem para pior).
Começaste a dizer "dada" e "mama" sem qualquer intenção específica.


9º mês
A meio de junho a mãe retomou trabalho e o pai ficou de licença alargada, mas continuámos os três por casa.
Nessa altura voltámos a Braga (e fomos a Viana do Castelo) para uns dias com a família do pai. 
E passámos o nosso segundo fim de semana fora de casa (excecionando as visitas à família): fomos a Fátima e dormimos num sítio lindo.
Aprendeste a dar palminhas e a pôr-te sozinho na posição sentado.
No fim-de-semana antes de fazeres 10 meses disseste "água" intencionalmente, começaste a gatinhar, e puseste-te de pé (apoiado) pela primeira vez.

10º mês
Foi aos 10 meses que nos presenteaste com a primeira noite em que despertaste uma única vez, coisa que só voltou a acontecer um mês depois. Mas ah, que bem que soube!
No final de julho andaste de avião pela segunda vez: voltámos à Madeira e ainda fomos ao Porto Santo. Foram dias maravilhosos, filho! Inundaste a família de sorrisos (mas tens clara preferência pelas mulheres).
Por esta altura começaste a dar passos apoiado no sofá.

11º mês
Quando fizeste 11 meses começaste a subir sozinho as escadas cá de casa. Também começaste a imitar o som do cão e a apontar para a cabeça quando perguntamos por ela.
Fizeste a tua segunda noite com um despertar apenas (e continuamos a esperar ansiosamente que repitas a proeza).

12º mês
És um bebé super observador: quando vamos ao parque fartas-te de olhar para toda a gente, principalmente para bebés e crianças. Sorris para estranhos, principalmente se forem mulheres (aos homens não dás tanta confiança). Não estranhas nada nem ninguém.
Já identificas imensos nomes (bola, balão, água), já dizes adeus, e vê lá, aprendeste a chamar o pai antes de me chamares a mim porque eu te ensinei a fazê-lo (ninguém disse que a vida era justa...).
A uma semana de fazeres um ano "apanhei-te" a agarrar o copo de água que deixei ao pé de ti, distraída, e a beber direitinho como gente grande.
Também por esta altura fomos passear com os avós a Castelo Branco: vimos lugares lindos, filho.
A uma semana de fazeres um ano começaste a ir à creche (mas sobre isso vou fazer um post à parte).
E na véspera de fazeres um ano...apanhei-te feliz da vida sentado no tapete da sala de boca suja, com uma fralda aparentemente muito mal posta, e com um sorriso de orelha a orelha (como quem acaba de descobrir que é capaz de fabricar a própria comida) enquanto te lambuzavas todo...

És um menino saudável (até hoje as tuas doenças resumiram-se a três constipações, mas só agora entraste na creche...) e quero acreditar, pelos sorrisos com que nos brindas diariamente, muito feliz. És um docinho, observador, explorador de tudo o que te rodeia.
Deixas-nos de rastos todos os dias com essa tua pedalada inesgotável (e com o cansativo que é pôr-te a dormir ao colo até hoje...), mas fazes-nos imensamente felizes. Parabéns a nós por este ano incrível, meu amor. Mal posso esperar por tudo o que ainda está para vir.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

14-09-2019: 366 dias do Gustavo nas nossas vidas



Um ano de ti, meu amor. 

1º mês
Chegaste a este mundo de uma forma muito serena. Nas duas primeiras semanas de vida praticamente não te ouvimos chorar. Dormias tanto que eu e o pai tínhamos que pôr despertador a meio da noite para mamares ao fim de 4 ou 5 horas, e ficávamos a olhar para ti, a dormir na maior das serenidades, sem coragem de te acordar (entretanto já te vingaste (demasiado) bem de te termos feito esta barbaridade).
Lá para a tua terceira semana de vida foste (fomos) atormentados com o bicho das cólicas, que veio para ficar. Diziam-nos que iriam embora por volta dos 3 ou 4 meses, mas as tuas não só não passaram nessa altura como ainda pioraram, e só desapareceram lá para os 8 ou 9 meses.

2º mês
Ao final de cinco semanas, quando terminou a licença exclusiva de 25 dias úteis do pai e ele voltou ao trabalho, desaprendeste a dormir: as sestas de 2 ou 3 horas que fazias deixaram de acontecer, e deixaste de adormecer deitado. Se não te déssemos colo tu pura e simplesmente não adormecias, e se te pousássemos depois de adormeceres dormias, no máximo, 30 minutos. Passaste horas infinitas a dormir coladinho a mim: ou no (abençoado) sling, enquanto eu estava no computador ou a comer, ou ao colo enquanto eu lia ou via séries. E tanto que eu li nesses meses graças a isso, meu filho! Isto quando as cólicas permitiam, porque havia sestas em que tínhamos que subir e descer as escadas cá de casa mil vezes para te acalmar e tentar que não despertasses por completo.
No dia 8 de novembro brindaste-nos com o teu primeiro sorriso.

3º mês
Quando tinhas três meses fomos à Madeira passar o Natal. O teu avô veio de propósito da Madeira só para não fazermos a viagem os dois sozinhos (o pai for ter connosco mais tarde): pois é, filho, tens um super avó (e duas super avós). Fizeste as delícias de toda a família, mas em especial dos teus bisavós. Que natal especial nos deste a todos.

4º mês
Por volta de janeiro já nos brindavas com gargalhadas frequentes.
Também por esta altura o papá conseguiu a proeza de te ensinar a adormecer serenamente deitado no Next to me para o sono inicial da noite (era sempre o papá que te adormecia nesta altura, desde que nasceste).
Os avós da Madeira vinham visitar-te(nos) todos os meses, e o meu 33.º aniversário, no final de janeiro, não foi exceção. Nessa altura, passámos o primeiro fim-de-semana fora em modo passeio: fomos a Santarém e ficámos num alojamento espetacular.

5º mês
Em fevereiro a mãe foi trabalhar durante um mês e tu ficaste em casa com o pai. Eu tirava leite todos os dias no trabalho à hora de almoço para que tu o bebesses no dia seguinte, ao almoço. E com isto conseguimos manter a amamentação exclusiva até aos 6 meses. 
Também em fevereiro foste a Braga pela primeira vez, conhecer a terra do papá. E mostrar-nos que viagens longas de carro não fazem parte dos teus programas preferidos.

6º mês
Em março instalou-se uma pandemia no mundo e, na mesma altura em que eu voltei para casa para retomar a licença, o pai veio também, e ficou a trabalhar pertinho de nós. E que ajuda maravilhosa foi, meu amor. Tornou-se tudo mais fácil a partir daí.
Nessa altura, poucos dias depois de teres feito seis meses, deixaste a amamentação exclusiva e começaste a comer através do método Baby Led Weaning. Nos primeiros dias eu achava que ia ter um ataque cadíaco com medo que te engasgasses, mas rapidamente nos mostraste as tuas habilidades e nos provaste que podíamos confiar em ti. Em poucas semanas já comias refeições inteiras sozinho com a maior das destrezas.

7º mês
Aos sete meses começaste a aguentar-te bem sentado, sem apoio. E a estar cada vez mais engraçado e desperto para tudo à tua volta.

[Continua]

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #22 - Chegou ao fim a licença alargada do pai

E ao fim de praticamente um ano, acabou a licença alargada que eu e o pai do Gu tirámos (5 meses meus + 1 do pai iniciais, mais 3 meses de cada um de licença alargada).
Atendendo ao cenário de pandemia que se instalou no país em março e que nos deixou (a mim, ao pai e a meio mundo) em casa a trabalhar, posso dizer que a minha troca de papéis com o pai, em junho (em que eu voltei a trabalhar, e ele voltou a entrar de licença) acabou por não mudar muito a nossa rotina cá em casa: apenas passou a ser o pai que se ocupava mais do Gustavo quando ele estava acordado, enquanto eu trabalhava (ou tentava, que nem sempre é muito fácil).
Retirando as eternas cólicas que perturbaram as sestas do Gustavo até bem mais tarde do que aquilo que esperávamos, posso dizer que o pai acabou por ter uns três meses mais exigentes do que os meus, porque apanhou a fase em que o Gustavo começou a gatinhar, pelo que lá se foi o sossego de poder sentar-se tranquilo no sofá enquanto o Gu brincava quietinho. Sei que há bebés que pedem atenção o tempo todo e que não sabem brincar sozinhos: o Gustavo quando está mais cansado ou agitado pede muita atenção - como é normal em qualquer bebé, diria eu - mas também é um bebé que sabe entreter-se sozinho (como eu costumo dizer, com todo o terror que temos vivido em termos de sono desta criança, merecemos que ele seja um bebé relativamente fácil em tudo o resto :p).


Como já disse por aqui, a licença de um ano não foi propriamente uma opção nossa (ficam avisadas as pessoas que queiram planear bebés e que não queiram gozar licença alargada: numa visão muito pouco romântica mas realista da coisa, setembro é o pior mês do ano para os vossos bebés nascerem, porque o ano letivo - mesmo o dos bebés - começa em setembro, pelo que ou pagam meio ano sem meter os vossos filhos na creche para assegurar a vaga deles, ou têm alguém que vos fique com as crianças para vocês irem trabalhar, ou terão que fazer o mesmo que nós e esperar por setembro para mandar a cria para a creche).
Não vou mentir: é duro passar 24 horas sobre 24 horas fechados em casa (na maior parte do tempo) com um bebé. Mas a verdade é que o primeiro ano de vida deles deve ser provavelmente aquele em que a evolução é maior, e estar longe deles nesta fase implica arriscarmo-nos perder muitos marcos especiais, e isso também deve ser duro (como será se o meu rico filho decidir dar os primeiros passos na creche, e não à vista dos pais, mas adiante...).
Isto tudo para dizer que ao fim de um ano em casa com o nosso filhote e a poucos dias do primeiro aniversário dele, o balanço deste ano é mais do que positivo: foi o ano mais cansativo (esgotante, para ser mais precisa) da minha vida, mas sem sombra de dúvida também foi o mais rico e aquele em que mais cresci (não literalmente mas quase, porque sou bem capaz de ter perdido anos de vida nos últimos meses :p).

[Nos próximos dias conto-vos sobre a entrada do Gu para a creche e a adaptação dos primeiros dias - dele e da mãe dele :p].


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Leituras

 As leituras de 2020 começaram a um ritmo alucinante, tanto que atingi o meu objetivo (modesto num ano normal, desafiante para uma mãe de um bebé de meses) de 12 livros lidos em 2020 ainda nem o ano ia a meio.
Mas entretanto o meu rico filho deixou de precisar de colo durante as sestas (obrigada Deus!), e eu regressei ao trabalho, e o resultado da soma destes fatores foi que a partir de junho o meu ritmo de leitura diminuiu imenso (não leio em transportes públicos porque estou em teletrabalho pelo que voltei a ler só na cama, e deito-me tão exausta que mesmo indo para a cama às 22h leio uma média de...sei lá...4 páginas por noite).
Mas passando então ao último livro lido.


Fica comigo

Avaliação do Goodreads: 4,04/5
Minha avaliação: 4/5

"Fica comigo" é um romance que se passa na Nigéria, na década de 80 do século passado, e que nos apresenta um pouco da cultura daquele país. 
Tendo como pano de fundo o contexto político agitado daquela época, acompanhamos a história de vida de Yejide e Akin, um casal que não consegue ter filhos, numa cultura em que a infertilidade é vista como uma atestado de "inutilidade" às mulheres (independentemente da origem do problema poder estar no homem), já que aquilo que se espera delas é que constituam família e pouco mais. Aborda também o tema da poligamia e da maternidade, numa perspetiva muito crua e pesada (e dizer mais do que isto é entrar em spoilers).
Não é uma leitura leve, mas é mesmo muito interessante.

terça-feira, 8 de setembro de 2020

Fim-de-semana prolongado em Castelo Branco - Parte I

Na última semana de agosto tivemos a visita (maravilhosa) dos meus pais, que tiraram uns dias de férias para visitar o neto (e a filha e o genro, vá), e decidi tirar a sexta-feira de férias e fazer um fim-de-semana prolongado de passeio.
Fiz a pesquisa por alojamentos no final de junho, e devo dizer que não foi nada fácil encontrar um alojamento a um preço aceitável numa zona que tivesse pontos de interesse para visitar. Até que encontrei as Casas dos Carregais, fiz a reserva para duas noites e lá fomos nós na manhã de sexta-feira.
Confesso que não planeámos a viagem como deve ser e acabámos por nos arrepender, porque só perto do regresso nos apercebemos que não teríamos tempo para explorar todos os pontos de interesse e que não tínhamos dado prioridade ao que deveria ter sido prioritário (isso aliado ao facto de termos um bebé que não adora andar de carro, e qualquer passeio na zona implicava sempre no mínimo perto de meia hora para ir e outra meia hora para regressar). Mas adiante.
A caminho do alojamento almoçámos em Castelo Branco, no restaurante Cabra Preta, que recomendo (comida boa e medidas de segurança seguidas à risca), e a meio da tarde lá chegámos à aldeia onde passaríamos a noite: Carregais. É uma aldeia pequenita mas amorosa. Quanto ao alojamento, reservámos uma casa de xisto recuperada muito bonita e com todas as comodidades (só não ficámos fãs do pequeno-almoço, que achámos fraquinho - e que estava disponível já na casa, à exceção do pão, que nos traziam de véspera, ao final da tarde).




Na manhã de sábado fomos conhecer a praia fluvial da Cerejeira, que ficava a 5 km da nossa casa (um espaço muito giro, sem dúvida, mas preferíamos ter "gasto" mais tempo a explorar as redondezas de Vila Velha de Ródão).







E ao almoço fomos ao restaurante Ti'Augusta (com reserva feita previamente), na aldeia de xisto da Figueira. Recomendo muito, a comida era marvilhosa, assim como o atendimento e o espaço. 



[Continua...]

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Viajar em tempos de Covid (e com um bebé)

Sobre isto de viajar em tempos de Covid, e em particular para a Madeira, cá vai o relato da minha experiência.
Fizemos (os adultos, já que as crianças até 12 anos estão dispensadas) o teste do Covid num laboratório em Lisboa (nas instalações da Faculdade de Medicina da Universidade Nova), dois dias antes da viagem (previamente agendado através da submissão de um formulário online). 
[O Governo da RAM tem parceria com alguns laboratórios e se fizermos o teste num desses laboratórios não pagamos. Também podemos fazer o teste, igualmente de forma gratuita, à chegada à Madeira, no aeroporto, e aí é suposto - digo suposto, porque que eu saiba não há controlo - esperarmos até 12 horas no hotel/casa, enquanto não tivermos o resultado do teste).
Viajámos pela Easyjet, num avião completamente cheio. Toda a gente tinha máscara (obrigatória), à exceção das crianças (não sei até que idade), sendo que tivemos uma criança sentada atrás de nós que não parou de tossir a viagem toda. Para além disso, obviamente o Gustavo, como bebé de 10 meses que é, tocou em tudo o que estava ao alcance dele, inclusive com a boca (pois claro), pelo que o teste negativo que levávamos de Lisboa, à chegada à Madeira, pouca segurança me dava. 
Na Madeira ficámos em casa dos meus pais, pelo que tivemos os mesmos cuidados que teríamos em casa em Lisboa (não dei beijinhos aos meus avós nem me aproximei muito deles, e só deus sabe o que isso me custou).
Já no Porto Santo ficámos num hotel (Vila Baleira) e devo dizer que me senti bastante segura na maior parte do tempo (ou pelo menos não menos segura de que me sinto na minha vida normal, em Lisboa). Nos espaços comuns (à exceção das zonas exteriores) tínhamos que usar máscara, havia álcool desinfetante  à disposição dos hóspedes em várias zonas do hotel, e os elevadores tinham lotação máxima de 2 pessoas, ou então de uma família. Os restaurantes deixaram de ser self service, havendo funcionários a servir os hóspedes mediante aquilo que estes pedem (para mim podia ser sempre assim, já que há pessoas que, com ou sem Covid, são muito porquinhas).
Nunca fomos à piscina, só fomos à praia (mesmo sem Covid já é o que costumamos fazer, já que nenhum de nós é apreciador de piscinas, pelo menos quando também tem o mar à disposição) e lá havia espaço de sobra para todos.







Em relação à experiência de passar 4 dias num hotel com um bebé de 10 meses, como ele apesar de comer sólidos ainda não deve comer sal, levei comida cozinhada (as doses já prontas em tupperwares) para quase todas as refeições principais (e deixei-as no frigorífico do quarto) e improvisei no último dia com ovo cozido e pão. De resto comeu fruta e salada (sem tempero) como todos nós. O pequeno almoço e almoço comia no restaurante do hotel, ao mesmo tempo que nós; já o jantar, como ele come mais cedo, comia no quarto (aí a logística para não sujar tudo era mais complicada, mas fez-se). 
A sesta da manhã era feita na praia, a da tarde era com o pai, no quarto. No grande maioria do tempo que ele passava acordado, os avós maravilhosos ocupavam-se dele. Tentámos que ele se deitasse mais tarde para podermos ir todos jantar juntos (já que o jantar era à hora a que o Gu costuma ir para a cama), mas ele chegava ao final o dia verdadeiramente exausto (normal, com tanta novidade) pelo que isso não foi possível. Sei que para muita gente isto é impensável, mas quando se tem um bebé que não dorme em qualquer canto nem de qualquer maneira (em bom português, vamos a caminho de 11 meses de um verdadeiro inferno quando o assunto é sono da cria), damos por nós a nos sacrificarmos e a fazer o que antes nos poderia parecer impensável, como ir jantar à vez, mesmo estando de férias num hotel (menos mal que nenhum de nós jantava sozinho, porque estávamos com os meus pais). Mas não foi por isso que foi menos bom - é tudo uma questão de expetativas (e de tê-las bastante baixas, no caso).
Atendendo a toda a conjuntura atual de pandemia, nunca pensei que fosse possível passar dias tão felizes como os que passei. Não podia ter pedido mais nada. Foi mesmo, mesmo bom.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

As nossas férias na Madeira

É sempre bom ir à Madeira, mas depois de um cenário de pandemia que nos impediu de estarm com os meus pais durante 4 meses, e estando nós sozinhos em Lisboa (sem família) com um bebé, estas férias tiveram um sabor ainda mais especial.
Continuámos com noites de porcaria (uma fase de uns 5 despertares por noite), mas só o facto de termos quem brincasse com o Gu durante o dia, ou ficasse com ele para irmos tomar um pequeno-almoço a dois, aliado ao facto de não termos que fazer tarefas domésticas, fez com que eu conseguisse, ao fim de muitos meses, chegar às 20h sem me sentir completamente morta.
Para além desta parte logística, foi maravilhoso ver a alegria de toda a família a brincar com o Gustavo (incluindo a dele), e a felicidade dele a explorar lugares, experiências e comidas novas (fartou-se de comer maracujás da horta do avô e comeu atum pela primeira vez). 
Foi mesmo perfeito.


Gu a realizar um sonho do avô: conhecer a horta do avô

sexta-feira, 24 de julho de 2020

Madeira

Foto tirada há um ano na Madeira (em modo grávida)

Não vou à Madeira desde o natal passado. O que provavelmente também teria acontecido mesmo sem
Covid, porque agora temos um bebé e apanhar um avião para ir apenas de fim-de-semana não é tarefa que consigamos encarar com a leveza de antes. 
O que não teria (de todo) acontecido se não fosse o Covid, era não estarmos com os meus pais desde março. Desde que o Gu nasceu, em setembro, estivemos juntos todos os meses, uma vez por mês...até que se meteu uma pandemia pelo meio. E as visitas mensais dos meus pais ao neto (e à filha, mas não vamos enganar cá ninguém, que eu sei bem que passei para 2.º plano e estou muito confortável com isso :p) foram todas canceladas.
Foi em dezembro do ano passado - ainda longe de imaginarmos o cenário de pandemia que iríamos viver - que comprámos passagens para ir à Madeira agora. Quando foi decretado o estado de emergência, ficámos sem saber se esta viagem viria a acontecer mas ainda faltava muito tempo, logo se veria.
O dia chegou, a viagem não foi cancelada, fizemos o teste do Covid e deu negativo (Mr. Gu foi dispensado por ser menor de 12 anos...thank God), não há alertas de mau tempo, e eu continuo sem acreditar que ela vai mesmo acontecer. Foram muitos meses a (tentar) preparar-me psicologicamente para a possibilidade de a viagem não acontecer, porque não saberia lidar com a desilusão de criar expetativas e depois vê-las frustradas (well...tentativa falhada, porque continuo sem estar preparada para esse cenário).
Mas bem, agora é esperar que nada se meta no nosso caminho e nos impeça de ir gozar estes dias em família, com os quais ando a (tentar não) sonhar há demasiado tempo (com tanta família por perto, vai ser o mais próximo de férias que estes pais de um bebé de 10 meses vão ter em muiiito tempo).
Torçam por nós. Até já, Madeira (assim espero).

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Sobre a minha vida atual e o rumo deste blogue

Se há pessoa que nunca quis - e continua sem querer - viver em exclusivo para os filhos sou eu. Não tenho absolutamente nada contra, e agora que sou mãe ainda mais mérito dou a quem consegue fazer disso a sua vida a 100%, porque sei o que custa. E sei que, pelo menos comparando o meu bebé com a minha atividade profissional (numa época normal pelo menos), ser mãe é tarefa muito mais cansativa para mim do que é exercer a minha profissão. 
Mas dizia eu que nunca quis, nem quero até à data, viver em exclusivo em modo "mãe", mas até agora isso tem sido tarefa praticamente impossível. 
Antes de mais, porque é uma mudança (ultra) radical na nossa vida e que demora a assimilar. Olho para a minha vida atual e para a que tinha antes - ainda para mais num contexto de pandemia, que ninguém podia imaginar - e basicamente o único ponto em comum do meu dia-a-dia é que continuo a partilhar casa com a mesma pessoa (mas até a dinâmica da relação sofreu uma transformação monstra, como está bom de imaginar. e agora somos três cá em casa, e não dois, está claro). E continuo a ler antes de dormir, na maioria dos dias. E às vezes vejo séries de comédia com o homem depois de jantar (e continuo a ter sono a meio de todos os episódios, como tinha antes). 
De resto, entre maternidade e Covid, mudou tudo: não trabalho (fisicamente) no mesmo sítio (trabalho em casa, cortesia do Covid), não vou ao ginásio (mais uma vez, cortesia do Covid) não viajo (mistura de Gu e Covid), raramente almoço fora (again, mistura), e todas as saídas têm uma logística muito diferente associada. E - a parte mais dolorosa - deixei de dormir 7 a 8 horas seguidas todas as noites.




Para além de toda a experiência da entrada no mundo da parentalidade ser completamente assoberbante, nós temos a "agravante" de não termos família por perto nem qualquer tipo de ajuda para cuidar do Gu, pelo que tendo em conta que ele ainda não foi para a creche, mesmo que não quiséssemos viver em exclusivo para ele, pelo menos nesta fase não conseguimos que tal aconteça (e está tudo bem). 
Bom...tudo isto um bocadinho como forma de justificar o rumo que este blogue tomou nos últimos meses. Eu queria falar-vos sobre outros assuntos que não o meu filho, mas sendo este blogue uma espécie de diário da minha vida (sei que este tipo de blogue está completamente out, mas a minha pretensão principal continua a ser apenas a de ter um registo de algumas das memórias mais importantes da minha vida), fica difícil falar-vos sobre outros assuntos porque a minha vida além Gu neste momento é praticamente inexistente. Acredito que com o tempo, e principalmente com a ida do Gu para a creche, e quando o regresso à "normalidade" voltar a implicar sair de casa para trabalhar, a coisa mude um bocadinho de figura (mas não garanto). 
Mas fica feito o aviso, que eu não quero trazer cá ninguém ao engano: o Gu agora será sempre uma "peça" fundamental do blogue, porque é a pessoa mais importante (e presente) da minha vida, e sendo este um blogue pessoal, não dá para ser de outra forma. A quem, nos entretantos, tenha deixado de se identificar com os conteúdos que vou partilhando por aqui, percebo perfeitamente se forem à vossa vida, e só posso agradecer por terem estado desse lado até agora.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #21 - Balanço sobre o BLW ao fim de 4 meses

Uma coisa que a (pouca) experiência já me ensinou neste mundo da maternidade (e da alimentação dos bebés em particular) é a não dar nada por adquirido. Nunca. Até agora a experiência de BLW tem corrido super bem (e esperemos que assim continue).
Posto isto, vamos então falar nos últimos quatro meses cá por casa, no que toca à alimentação.
Ponto n.º 1: O baby led weaning pode parecer muito giro quando vemos vídeos no Youtube das criancinhas com meses de vida a comer brócolos tão bem ou melhor do que adultos, mas para lá chegarmos há um processo que é moroso e, por vezes, implica algum sofrimento (dos pais, não dos filhos). Digo moroso porque nas semanas antes de começar o BLW e nas primeiras semanas em que eu o apliquei com o Gu, passava horas do meu dia a ler sobre o assunto para aprender e aperfeiçoar cortes e consistências dos alimentos. E os reflexos de vómito dos primeiros dias, como já contei noutro post, deixavam-me muito stressada (agora são muito menos frequentes, como é normal, e já não me incomodam, porque sei que são normais e que não são um sinal de perigo, pelo contrário). Foi só depois de passados os primeiros dias, e de me ter apercebido que estava a correr tudo bem que consegui relaxar e deixar de precisar tanto de estudar o assunto, porque a experiência e o feedback do Gustavo já me iam permitindo ver o que é que funcionava melhor com ele, e que a que alimentos e texturas ele mostrava maior recetividade.
Nós sempre tivemos intenção de dar sopa ao Gustavo, porque é algo que comemos cá em casa praticamente todos os dias, mas antes disso queríamos que ele se familiarizasse com os sólidos. Ao final de dois meses de sólidos em exclusivo, e porque ele passou por uma fase de não estar tão recetivo aos vegetais (para além do que era chegada a altura em que pelo método tradicional de introdução alimentar passa-se de 2 para 3 refeições diárias (para além do leite, claro)), decidimos que era a altura de introduzir a sopa. E durante mais de um mês correu super bem, até que ele se fartou e deixámos de dar todos os dias (dando sempre legumes inteiros em alternativa). E fomos sempre dando a sopa conforme o Gu a "pedia": muitas vezes ele estava tão impaciente e sôfrego que púnhamos mais água na sopa e davamos-lha a beber, outras íamos dando a colher para a mão dele e ele ia comendo à sua maneira, outra dávamos de forma mais tradicional, sempre conforme ele nos ia comunicando que a queria.


Exemplo de uma refeição adaptada à fase atual do Gustavo: hambúrguer de cogumelos e feijão branco, brócolos, cenoura e pepino (a partir do momento em que eles começam a fazer o movimento de pinça torna-se mais fácil dar variar mais no formato e diversidade de alimentos).

Não é sempre fácil ter paciência para isto, e por vezes a sujeira é muita, mas sou completamente contra forçar os bebés a comer seja o que for - se não faz sentido com o leite materno, porque é que faria com qualquer outro alimento? Não quer, dou-lhe alternativa (dentro do que há), e se não quiser nada do que tenho para oferecer, há sempre a maminha portanto está tudo bem.
Temos dado sempre almoço e jantar. Pequenos almoços e lanches damos na maioria das vezes (panquecas e/ou fruta) mas nem sempre. Deixei de oferecer maminha a seguir às refeições principais depois de termos tido consulta com a pediatra e ela ter dito que o leite impedia a absorção do ferro - presente na carne, por exemplo -,quando consumido na mesma refeição.
Até agora, e retirando uns dias em que há alguns vegetais para os quais o Gu não está muito virado (normalmente quando estão só cozidos, com menos sabor, por isso percebo-o perfeitamente ;)), diria que o meu filhote não tem sido nada esquisito. Mas mostra uma clara preferência por proteína, que é sempre a primeira coisa que vai buscar quando lhe pomos o prato à frente (seja leguminosas, ovo, carne ou peixe, é sempre a primeira escolha dele). Também adora fruta (principalmente manga e mirtilos), mas não há nenhuma que rejeite. Na grande maioria dos dias é um gosto tremendo vê-lo comer de forma autónoma (e se forem os alimentos preferidos dele, limpa o prato à velocidade da luz). Ainda não partilhamos as refeições em família porque, para já, prefiro que ele coma os alimentos da forma mais natural possível e os nossos horários de refeição também nem sempre são compatíveis. Mas consigo perfeitamente tê-lo a almoçar/jantar ao pé de mim enquanto arrumo a cozinha ou cozinho, por exemplo.
Como disse no início do post, se quisermos fazer BLW de forma consciente e segura é uma opção que nos primeiros tempos dá muito mais trabalho do que a opção pelo método tradicional, mas em termos de experiências sensoriais, desenvolvimento das capacidades motoras, e (espero) construção de uma relação saudável com a comida, diria que é um investimento de tempo que compensa muito. Pelo menos para já, eu não podia estar mais feliz com a opção que tomámos (ou tomei eu, já que alimentação é um assunto que me interessa muito mais a mim, e o homem apoiou a 100% desde o primeiro dia) e não podia recomendar mais (mas só se tiverem muita paciência, tempo e se preocuparem pouco com sujeira).

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Leituras



O bairro das cruzes

Avaliação do Goodreads: 4,67/5
Minha avaliação: 4,5/5

Este livro merece um post só sobre ele, de tão bom que é.
Foi mais uma vez, sugestão do Bookgang da Helena Magalhães, e quando vi a avaliação no Goodreads fiquei ainda mais curiosa. Passa-se entre Mafra e Lisboa, nas décadas de 60 e 70 do século passado, e conta-nos as peripécias de uma família peculiar, tendo como pano de fundo momentos importantes da história do nosso país.
O livro valeria só pela escrita, que é absolutamente soberba. Mas como se isso não bastasse, ainda tem uma história super interessante, sem momentos enfadonhos, e construída de forma irrepreensível, até chegar a um final inesperado (pelo menos para mim), tal como eu gosto. A-do-rei.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #20 - 10 meses desta aventura pelo mundo da maternidade

É absolutamente impressionante a quantidade de sensações tão (aparentemente) contraditórias que se podem sentir num mesmo dia e às vezes quase até num mesmo momento, neste mundo da parentalidade. Há dias que parecem não ter fim, mas os meses vão passando a uma velocidade vertiginosa e quando damos por ela puff...passaram-se 10 meses (say what?).
No último post comentei o facto de o Gu não ser nada precoce em termos de capacidades motoras. Pois bem, continua sem o ser, mas no fim-de-semana passado foi toda uma avalanche de primeiras vezes, tantas que nem deu tempo para saborear cada uma.
No mesmo dia começou a gatinhar (já há algumas semanas que ele ia fazendo um pseudo gatinhar que o ia levando onde queria, mas no fim de semana começou a fazê-lo de forma mais consistente, embora ainda se farte ao fim de pouco tempo) e disse a sua primeira (tentativa de) palavra intencional. Perguntei-lhe se queria água, como faço sempre que lha ofereço, e ele repetiu depois de mim, à sua maneira, mais de uma vez, "água". Qual mamã, qual papá, qual quê.
No dia seguinte, quando olhei para ele, estava de pé, sozinho (mas apoiado) pela primeira vez. Foi demasiada emoção para um fim de semana só.

A verdade é que há ali uma "barreira" por volta dos 6 meses, a partir da qual eles se tornam muito mais despertos para o mundo e, com isso, mais engraçados a cada dia que passa. Pelo menos cá em casa sentimos isso. E é maravilhoso (re)descobrir o mundo através dos olhos deles. As coisas mais insignificantes para nós podem ser toda uma experiência de descoberta para eles (ficar a olhar para as sombras que faz um candeeiro, ou para as marcas do sol que passam através dos estores de casa...até um cabelo (ou um pedaço de pó...) apanhado do chão pode ser dissecado ao mais ínfimo pormenor...enfim, tudo pode ser objeto de exploração e descoberta. E é tão giro assistir a isso.
Não sou sempre a mãe que queria ser (confesso que adorava ser mais relaxada em relação a rotinas e, principalmente, aos sonos do Gu) mas sei que sou sempre  a melhor mãe que consigo ser e, modéstia à parte, acho que me tenho safado bastante bem neste papel. A verdade é que sempre quis ser mãe e inclusive sempre fui um pouco "mãezinha" daquelas pessoas de quem gosto particularmente (na perspetiva de me preocupar, por vezes em demasia, com pessoas de quem gosto, mesmo que elas sejam adultas), e esta tarefa de (tentar) criar um ser humano para ser o mais feliz e saudável possível e ter os valores certos, é difícil pra caraças mas na maior parte dos dias dá-me um gozo tremendo.
Quanto ao Gustavo, passada a (eterna) fase das cólicas (que por aqui não durou os habituais 3/4 meses, mas sim perto de 9), temos um bebé doce, sorridente, curioso, saudável e feliz, pelo que diria que nos saiu a lotaria em forma de bebé (o 2º prémio vá, já que é uma praguinha para dormir).

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #19 - Três meses de licença alargada em plena pandemia (e a evolução dos últimos meses)

Como já contei por aqui, eu e o pai do Gu optámos por tirar ambos licença alargada, já que não conseguimos arranjar vaga na creche para o ano letivo que está agora a terminar (se os pais partilharem ambas as licenças - inicial e alargada - podemos tirar um máximo de um ano, sendo que a partir do 7º mês o subsídio baixa muito).
Já regressei ao trabalho há quatro semanas, mas como estou em teletrabalho acabei por não sentir grande diferença.
O meu último dia de trabalho (da nossa licença inicial) foi o dia 11 de março, ainda em modo "normal". No fim de semana seguinte já estava o caos instalado no país, e logo na semana seguinte o pai cá de casa entrou em modo teletrabalho (e a mãe em modo feliz da vida com isso). E assim temos estado desde então, os três por casa. E devo dizer que isso facilitou imenso a minha vida: porque não precisava de ter as refeições todas planeadas, porque muitas vezes era o pai que adormecia o Gustavo para as sestas do dia, e porque não senti tanto aquela solidão de quem passa dia após dia em casa com um bebé sem ter um adulto com quem conversar.
Depois de ter passado pela experiência de ter tirado licença alargada e no contexto em que foi, acho  que não termos tido hipótese de pôr o Gustavo na creche mais cedo foi o melhor que nos podia ter acontecido. Dizem que os bebés evoluem muito quando vão para a creche (e o nosso bem precisava de aprender a ser mais autónomo a adormecer...), mas eu não tenho pressa nenhuma em que ele faça x ou y 1 ou 2 (ou até 3 ou 4) meses mais cedo. E não há amor nem atenção como o dos pais. E a alegria que o Gu tem mostrado nestes meses, com ambos os pais em casa o dia inteiro com ele, é impagável.
Entre as mil vantagens de não estar sozinha com o Gu, uma das maiores foi mesmo a de termos iniciado o Baby Led Weaning estando os três em casa (para quem não sabe o que é, é ver este post), porque muito honestamente nos primeiros dias o meu medo de que o Gu se engasgasse (e eu congelasse perante esse cenário) era tanto que não sei se o teria feito nas refeições em que estivesse sozinha em casa com ele.
Entretanto o sono continuou (e continua) a ser o grande desafio cá por casa, tanto de noite como de dia. O pouco que tínhamos "conquistado" de noite (era a única altura em que o Gu já adormecia pacificamente deitado e estava a acordar em média 3 vezes por noite) de repente mudou por completo aos 8 meses e tivemos várias semanas de 7, 8, 9 despertares noturnos em que andávamos à beira do desespero (nunca chegámos a perceber o motivo). Adormecer deitado para o sono da noite também nunca mais voltou a acontecer até hoje, e durante o dia adormecer deitado também é para esquecer (já se for no colo consigo a "proeza" quase sempre em menos de 5 minutos).



A nível de capacidades motoras, o Gustavo não é nada precoce, muito pelo contrário, e isso é coisa que não me tira o sono (ao contrário de algumas pessoas chatinhas que perguntam a tooooda a hora se já gatinha, se já isto, se aquilo).
O Gustavo só se sentou bem sem apoio aos 7 meses (daí termos começado o BLW, sem pressas, apenas aos 6 meses e meio, por uma questão de segurança) e só esta semana começou a colocar-se sozinho na posição sentado (estando deitado) (às vezes dá-lhe para praticar no berço, às 5h da manhã...), e até hoje ainda não gatinha (bem...às vezes semi gatinha em modo marcha atrás), mas lá se vai arrastando e chega onde quer. Já adora estar de pé (mas temos que ser nós a apoiá-lo), adora fazer posições de "ioga" e pranchas (e queixar-se enquanto as faz, como se estivesse a ser obrigado) e põe-se aos saltinhos (sentado), a tentar arranjar balanço para se levantar. O facto de não gatinhar nem andar não impede que já tenha dado início ao seu CV de nódoas negras.
Farta-se de "palrar" e vai dizendo os seus "ma ma" (mas está tudo menos a chamar-me), "pa pa" (mas está tudo menos a chamar o pai), "da da", e agora deu em estalar a língua. E tem uma adoração maluca pelo pai: não sei se consigo ver melhor por estar de fora, mas o olhar que ele dirige ao pai, tantas e tantas vezes, é dos cenários mais deliciosos a que já assisti em toda a minha vida (e que sortuda que sou, por poder ver com tanta frequência).
Com a regressão brutal de sono, decidimos mudar o Gustavo para o quarto dele aos 8 meses e meio, para ver se dormiria melhor sem nós (mas na verdade continuámos a dormir com ele, à vez, pelo que não sei se se cumpriu o propósito). Ele não estranhou nada a mudança...mas também não foi por aí que passou a dormir melhor. Foi também por esta altura que surgiram os primeiros dois dentes (eu sei que dito assim parece que foi o motivo do sono piorar, mas ele não só não parecia ter dores quando acordava como durante o dia estava sempre bem disposto).
Estreámo-nos na relva (ficou feliz da vida) e na praia (esteve o tempo todo - tipo 30 minutos - com um ar miserável de "tirem-me daqui" e quando molhou os pés na água começou a chorar, não em modo berraria, mas aquele beicinho sofredor digno de deixar o coração de uma mãe em cacos em 3 tempos). No final da minha licença fomos de fim de semana prolongado visitar a família do senhor namorado a Braga/Viana e não só não estranhou ninguém (não estávamos juntos há quase 4 meses) como distribuiu sorrisos por toda a gente (a foto deste post foi tirada nesse fim-de-semana, em Viana).
É uma praguinha para dormir, mas quando está acordado é um doce, quase sempre bem disposto, e que nos faz rir mais a cada dia que passa. É absolutamente delicioso vê-lo comer. E é o motivo para eu estar (quase) sempre cansada e com sono, mas é também o meu maior motivo de felicidade nos últimos meses. Meu Gucas querido.