quarta-feira, 27 de abril de 2011

Quem diria que afinal até tem piada viver sozinha


Acordar. Pôr a rádio com o volume no máximo. Desfilar pela casa de toalha a cantar. Tomar banho de porta aberta. Tomar o pequeno-almoço e deixar tudo na mesa para levantar só e apenas quando me der na real gana. Não ter horários a cumprir esta manhã. Banalidades que me souberam pela vida.

Ah como é bom ser maluca e não ter regras para cumprir às vezes. E estar de férias. E ter uma casa só para mim por uns dias (sim, Gelatina Maria está mesmo a dizer isto).
Já vos disse que sou feliz? Ui que até tenho medo de escrever isto aqui. Consta que metade da blogosfera não aprecia manifestações demasiado evidentes de felicidade. Pronto: tenho uma vida amorosa de meter dó. Ajuda? Mas eu quero é que isso se lixe.

Home


É bom ouvir português em cada esquina. É bom jantar com alguém muito especial e, poucos minutos depois, ter a sensação que nunca sequer chegámos a estar longe um do outro. É bom ver o telejornal e sentir-me um bocadinho menos desactualizada (se bem que quando ouço o assunto predominante apetece-me mas é voltar para França). É bom poder falar rápido e sem me atrapalhar a cada duas frases. É bom sentir o sossego do meu lar (que me aterrorizava até há bem pouco tempo atrás).
É tão bom estar de volta.

terça-feira, 26 de abril de 2011

O último dia antes de ir de férias para Portugal

Nyon



Foi passado na Suíça, entre o lago e a montanha.

E agora estou prontíssima para ir uns dias ao meu país matar (quase) todas as saudadonas.

Sem tirar nem pôr


Foi isto que vim encontrar aqui: o caminho da felicidade.

Foto tirada num passeio no campo. Existirá nome de rua mais fofo que este para se viver?

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um Domingo de Páscoa diferente






Com pronúncia francesa. Com muitos quilos de chocolates trazidos pelos sinos (em França não há cá coelho da Páscoa. sim, porque tem muito mais piada ser um ser inanimado a tratar do assunto (??)) para as crianças (e para os adultos). Com muito colesterol a saber pela vida. E com muita boa disposição.

Eis a história dos sinos: eles deixam de tocar nas igrejas desde a Sexta-Feira Santa porque vão a Roma buscar os chocolates para as crianças. Voltam no Domingo de Páscoa, altura em que os deixam escondidos no jardim para elas os irem buscar.
Como é que os sinos fazem para se mexer sem pernas nem braços eu já não sei. Mas felizmente nenhum dos meus meninos decidiu fazer-me perguntas do género.
A história até é  fofinha, mas eu continuo a preferir a versão do Coelho.

domingo, 24 de abril de 2011

Samedi @ Lucerne, Suisse







Esta cidade entrou directamente para o Top 3 de todas as que já visitei desde que cá estou.
Suponho que as imagens expliquem bem o porquê.

Não deixa de ser engraçado as duas menos bonitas até agora terem sido as únicas das quais eu já tinha ouvido falar: Lyon (que, comparado com todas as outras, não é mesmo nada de especial) e Genève.
Pergunto-me quantos mais lugares pouco conhecidos e maravilhosos não existirão espalhados por este mundo fora.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Três meses de Gelatina Poppins: agradecimentos especiais


Ao ex-Gelatino, por termos acabado uma relação que estava pela hora da morte.
Às sociedades de advogados que não me quiseram para um estágio que eu me estava a tentar convencer de que queria fazer.
Ao rapazinho que, depois de me ter dado um cheirinho de felicidade, decidiu acobardar.
Ao concurso público nojentinho para cujo exame estudei durante 6 meses e cuja data de realização nunca foi marcada (até ao dia de ontem, incrivelmente. e agora a pachorra já não é muita e os planos para o futuro estão cada vez mais virados para outras direcções. a ver vamos...).

Sem o vosso contributo valioso para me pôr no fundo do poço eu não estaria hoje aqui nem me teria tornado finalmente numa pessoa da qual me orgulho.
Portanto, a todos vós, um grande bem haja.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

O teclado do meu computador já aderiu ao acordo ortográfico


O hífen decidiu tirar férias e agora só apresenta serviço muito de vez em quando.
Mas visto que agora se escreve hei de e hão de (??) e ultrassecreto (vómito), tenho que admitir que ele até soube escolher o momento oportuno.

Até o mini francesinho concorda

Contar numa língua estrangeira não é fácil. Mas ainda se torna pior quando essa língua é francês e em vez de se dizer "setenta" diz-se "sessenta dez" (soixante-dix), "sessenta onze", "quatro vintes" em vez de oitenta e por aí adiante. É especialmente fácil quando vamos às compras e temos que pagar qualquer coisa como "soixante quinze euros et quatre-vingt-onze centimes".


Ora estava eu a ajudar o meu menino a contar quantas moedas ele tem no mealheiro quando chegamos à temida dezena. E eu começo: "soixante et onze", "soixante douze". Ele pára de arrumar as moedas, olha para mim com um ar intrigado e pergunta-me "Tens certeza que isso existe?".
Pois é meu querido, diz que sim, que na tua terra é assim. Gostam de complicar, vocês, hã?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Saí de casa preparada para comprar isto

Pela primeira vez tinha encontrado a combinação perfeita: tamanho 32 (coisa rara), o modelo exacto que eu gosto e a cor que eu queria. Problema: era o único casaco que tinha defeito. 

Pois então que agarrei no dinheiro e cheguei a casa com isto:

Quase a mesma coisa, portanto.

E antes que digam "ah e tal depois vens para aqui queixar-te que estás gorda e mimimi" estes são para levar para Portugal para partilhar... ou pelo menos alguns, vá.

Lá se foi o cliché de ir de bicicleta para todo o lado

Eu, do alto do meu 1,58m, já me tinha resignado com o facto de que nunca poderia vir a ser campeã de basquetebol. O que não sabia é que também não tenho altura suficiente para me pôr em cima duma bicicleta normal de adulto (ou pelo menos da que temos cá em casa, e que satisfazia perfeitamente as necessidades da Au Pair que cá esteve antes de mim...bahh).


Nada a fazer, vamos continuar a ser só mesmo eu e os meus pezinhos.
Ou então posso pedir a bicicleta dos miúdos emprestada (que seria quase perfeita em termos de altura, não fosse o tamanho do meu rabo para estragar tudo).

Eu sei que o amor não escolhe idades (e até sei bastante bem)


Mas acho que o meu rico paizinho tinha um colapso se eu me metesse numa destas.

Qual intervenção do FMI em Portugal qual quê? São notícias desta relevância nacional que se me apresentam quando faço login no MSN.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Não sei se rio ou se choro


Pela primeira vez na vida tenho um par de mamas que se vê sem ser preciso lupa. E uma barriga que se vê a kms de distância.

Acho que afinal se calhar não será muito boa ideia ficar cá até ao fim do ano. Ou então retirem o queijo de cabra e os bolos (a toda a hora!) cá de casa. A sério, é mais forte do que eu.

Há quatro meses atrás

Foste buscar-me à estação, passaste-me a mão pela cabeça e disseste que eu estava muito gira, tentando pôr um ar de naturalidade nas tuas palavras. 
Acabaste a noite olhando embevecido para mim, não como se eu fosse "muito gira" mas antes a mulher mais bonita à face da Terra, como se eu fosse perfeita. Abraçaste-me com uma intensidade deliciosa. Fizeste-me sentir uma autêntica princesa.
Por um dia apenas, por umas horas, mostraste-me que tudo aquilo com que eu sempre sonhei existe efectivamente.


Quatro meses depois, a lembrança desse dia faz-me chorar. Mas não a trocava por nada deste mundo.
Chamem-me estúpida, ridícula, cega, o que for. Eu sei o que vi no teu olhar, eu sei o que senti, eu sei o que tu sentiste, e sei que a combinação de tudo isso não é comum.
Se vai ficar mesmo por aqui eu não sei. Mas sei que o pouco que vivi e o muito que senti contigo não acontecem todos os dias ao virar de qualquer esquina.

No calendário passaram quatro meses. No meu coração mantém-se tudo igual.

Da vida de Au Pair: o lado não tão cor-de-rosa da coisa

Frequentar um curso com mais dezoito Au pairs faz-me dar ainda mais valor à família que me acolhe.

Tenho uma colega que tem que fugir de casa ao fim-de-semana (em que supostamente está de folga) porque se lhe apetecer ficar a descansar os pais batem-lhe à porta às 8h da manhã, atiram-lhe com as crianças (quase literalmente) e vão à vida deles. Ela fartou-se e vai embora no fim do mês. 


Tenho outra que vive numa casa com 3 andares e limpa-a toda sozinha, jardim incluído (é empregada doméstica, portanto. situação que até não lhe incomodaria muito se lhe pagassem para isso). Essa não vai embora porque, em conversa com uma outra colega, sentiu-se sortuda por "só" limpar 3/4 horas por dia. 

Tinha uma colega cujas crianças lhe cuspiam na cara e os pais nem se dignavam a repreendê-las. Essa já está longe, no país dela (vá-se lá saber porquê).
E esta é só uma pequena amostra de tudo que já ouvi.

Como vêem, ser Au Pair pode não ser propriamente a aventura de uma vida (ou pelo menos não nos termos em que a imaginamos). É preciso ter sorte. E eu sei que tive. Muita.