terça-feira, 27 de novembro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 5 (regresso a Kathmandu)

Uma pessoa distrai-se um bocadinho e de repente já se passaram dois meses desde a viagem ao Nepal e ainda não está o diário de viagem todo feito. Ora vamos lá então continuar com isto que eu faço questão de deixar tudo registado antes que comece a esquecer-me dos pormenores.
Depois de quatro dias nos Himalaias, apanhámos um voo de regresso para Kathmandu.
A cidade de Kathmandu causou-me mixed feelings: é maravilhosa a nível cultural, é um autêntico museu a céu aberto com templos em quase todas as ruas (apesar de muitos estarem bastante degradados por causa do sismo de 2015). Mas, por outro lado, tive muita dificuldade em lidar com a poluição e o caos de não conseguir andar na estrada no centro da cidade porque não há passeios e há sempre motas e carros praticamente em cima de nós.
E por falar em caos, vejam a foto abaixo.
























Quando falo em poluição, falo numa cidade onde não se consegue (literalmente) respirar fundo na rua e os peões (inclusive os locais) andam de máscara a tapar o nariz. Principalmente do fumo que deitam os carros e motas (duvido que haja inspeção automóvel naquele país). É bastante aflitivo.


Mais uma stupa no centro da cidade.


E a vista do pequeno-almoço do hotel onde ficámos, em Patan.
























Regressados de Pokhara, apanhámos um taxi na parte da tarde e fomos visitar a Boudhanath Stupa, um templo budista maravilhoso fora do centro, dentro do perímetro do vale de Kathmandu.
A stupa fica no centro de uma praça e está sobre uma plataforma em forma de mandala.





A foto abaixo é do interior de um templo hindu, que fica na mesma praça da Boudhanath Stupa.



As stupas não se visitam por dentro (nem sei se tem alguma coisa dentro e sequer se dá para entrar, honestamente) pelo que também o culto é feito no exterior, à volta da stupa.



E fica a faltar um último post sobre o Nepal para fecharmos este capítulo aqui pelo blogue.

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Mudança



Os últimos meses têm sido de verdadeira mudança para mim. Nada de muito exteriorizável (para além da grande limpeza que ando a fazer em casa) mas sim a nível interior, de mentalidade. [Pois é, tenho estado muito caladinha por aqui, mas esta minha cabecinha tem andado a fervilhar ultimamente]
Resolvi algumas das minhas principais preocupações mais sérias, o que me permitiu "desempoeirar" o cérebro (como diz a minha querida psicóloga) e com isso veio uma grande vontade de transpôr isso para a minha vida. E assim tem sido.
Depois de ter reduzido drasticamente a minha roupa, a vontade de comprar também reduziu e muito. Não só porque dá trabalho desfazermo-nos daquilo que não é essencial (e pesa muito na consciência termos que assumir perante nós próprias que temos n peças que comprámos e não sabemos bem porquê - porque ou nunca usámos, ou nunca gostámos especialmente delas) mas também - e cada vez mais - por uma questão de consciência social. 
Tenho lido e aprendido muito ultimamente sobre o estado em que o consumo desenfreado da civilização ocidental está a deixar o planeta, e sinto-me cada vez mais incomodada com isso. É assustador saber que (bem) mais de metade do plástico que consumimos, mesmo que o coloquemos no Ecoponto, não é reciclado e nunca vai desaparecer do planeta. É igualmente assustador pensar que aquele par de calças que uma pessoa comprou e nunca usou implicou o gasto de n litros de água e de mais uma série de recursos naturais. 
Não pretendo ser radical nem nada que se pareça. Mas sinto que o que tenho feito até agora é pouco. E sinto-me na obrigação - para comigo própria e para com o planeta - de fazer a minha parte e pensar duas vezes antes de comprar certas coisas que não são essenciais na minha vida.
Nos últimos quatro meses as minhas compras de roupa resumiram-se a um par de leggings de desporto (que não precisava, mas que adoro e pretendo usar muito). Black Friday? Gostava de aproveitar para comprar uma malha de caxemira vermelha que me durasse uma vida, mas é só. Se aproveitar, será para repôr o stock de alguma maquilhagem que está a acabar, ou para fazer uma encomenda da minha comidinha saudável. Há muito que não compro nem cozinho carne vermelha, mas gostava mesmo de deixar de consumir carne em casa (não querendo atirar as culpas para o senhor namorado, era bem mais fácil concretizar este desejo se ele também estivesse para aí virado. mas lá chegaremos...ou então ganharei eu coragem para fazê-lo sozinha).
Repito que não tenciono virar extremista e que vou continuar a cometer as minhas loucuras de vez em quando. Mas pretendo fazê-lo muito menos vezes do que antes. E, acima de tudo - e no que à roupa respeita - comprar (muito) menos e com mais qualidade. 
O planeta, a minha casa e a minha sanidade mental agradecem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Fim-de-semana

Ao que parece, desta vez escolhi especialmente bem o fim-de-semana para ir matar saudades da família e da ilha (apesar da viagem já estar comprada há meses, como de costume, que é a única maneira que consigo ir de fim-de-semana a casa sem ficar à beira da falência).
E como tivemos visitas também andámos a "turistar" um pouco e a rever lugares especiais.





































Eira do Serrado


Miradouro do Pico dos Barcelos


Câmara de Lobos

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 4 (Trekking e nascer do sol em Poon Hill)

O nosso terceiro dia de trekking começou antes das 5h da manhã. Ainda era de noite quando saímos do nosso alojamento para uma hora de caminho até Poon Hill.
Poon Hill fica a 3210 metros de altitude e está rodeado de montanhas, a mais alta com mais de 8000 metros (Annapurna I).
A grande maioria dos trekkings naquela zona passam por aqui e fazem aquilo que nós fizemos: assistir ao nascer do sol em Poon Hill. Pelo que quando lá chegámos estavam algumas centenas de pessoas (ainda para mais, outubro é o mês mais concorrido).
O caminho até lá é sempre a subir e dura pouco menos de uma hora, mas como não tínhamos a mochila e estava bastante frio, fez-se bem. Chegámos antes do sol nascer e tivemos muita sorte: praticamente não havia nuvens naquele dia (depois do trauma que trouxémos de Machu Picchu, foi mais do que merecido). Estava tanto frio que fiquei com dores nas mãos depois de alguns minutos a fotografar.


Comprei uma manta em Ghorepani para sobreviver a este momento (que agora está no nosso sofá).


























Não há fotografias que consigam fazer jus àquilo que nós vimos. As montanhas cobertas de neve a toda a volta, o sol a aparecer aos poucos e a tornar todo aquele cenário ainda mais mágico, foi das experiências mais bonitas da minha vida. Foi mesmo, mesmo especial.



























Depois daquele espetáculo maravilhoso, voltámos ao alojamento para tomar o pequeno-almoço e pôr a mochila às costas para mais um dia de caminho. E que dia mágico. Foi o dia das paisagens mais bonitas, mas foi também o dia em que disse mais palavrões interiormente pela dureza das subidas (estava convencida que tínhamos chegado ao ponto mais alto e que a partir dali seria plano ou a descer, não estava preparada psicologicamente para aquilo).



























































Parámos para almoçar em Tadapani, depois das últimas subidas do percurso, em que eu tive literalmente vontade de matar o nosso guia. Depois de ele me ter dito que o mais difícil já tinha passado, aparece-nos um percurso monstro de escadas e mais escadas para subir.  E o raio do homem sempre com um ar fresco e fofo o que "só" me triplicava a vontade de o matar...agora tem piada mas na altura foi só mesmo por não ter energia suficiente para tal que não cometi homicídio :p.


Dentro da área protegida do Annapurna não vendem água engarrafada por questões ambientais (mas vendem coca-cola e afins...vá-se lá perceber). A única forma de bebermos água é encher as nossas garrafas com aquilo que eles chamam de "água purificada", que está à venda nos restaurantes e afins. Depois de mil e uma recomendações sobre cuidados a ter com a alimentação, eu estava reticente, mas consumi essa água (que remédio...) e correu bem.
E a meio da tarde chegámos a Ghandruk, para a nossa última noite na montanha.



























A imagem que vêem abaixo é muito frequente na montanha. Vê-se muitos jovens carregadíssimos a subir a montanha (alguns são porters e carregam a mochila dos turistas - que é coisa que me faz alguma confusão, confesso, apesar de ser (mal) remunerado -, outros, como este, carregam alimentos ou outros bens necessários para as aldeias a meio da montanha, inacessíveis por estrada (que são várias). 
Os guias de montanha começam todos as suas carreiras a trabalhar enquanto porters e só depois podem conseguir a licença para ser guias (depois de provas físicas bastante rigorosas). Não admira que o nosso guia - com um aspeto todo franzino - fosse um Speedy Gonzalez com um ar sempre fresco e fofo.


Acordar em Ghandruk com este cenário:


Na manhã do quarto dia era altura de nos despedirmos da montanha. Depois de uma hora de caminhada fizemos uma viagem (surreal, para não variar) de jipe, mais de uma hora em terra batida até chegarmos à estrada e, por fim, de volta a Pokhara.
Foram quatro dias tão duros quanto maravilhosos e inesquecíveis. Dos mais inesquecíveis que já vivi.

Primeira parte do trekking aqui.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Feriado



Oh feriadinho bom! Para fazer adivinhem o quê? Pois é, mais do mesmo: destralhanço. 
Ontem atingi um dos meus objetivos no que toca à roupa: as minhas coisas ocupam agora menos um roupeiro do que ocupavam antes. Neste momento a minha roupa toda (excluindo malas e calçado) ocupa uma cómoda e dois roupeiros. Eu sei, estou longe de ser minimalista, mas também nunca foi esse o meu objetivo. O que eu pretendo é ter apenas peças que uso e gosto. E apesar de ainda não ter chegado a isso a 100%, estou bem mais perto. Continuo a ter algumas daquelas peças que não uso mas adoro (não perguntem que eu também não sei explicar. mais alguém conhece a sensação? só assim para eu não me sentir tão sozinha) e que ainda não foi desta que me consegui desfazer. Dei-me uma última oportunidade mas se chegar ao fim do inverno sem lhes ter tocado vão ter que sair lá de casa.
E com isto tenho imensa roupa que ainda não sei bem que fim lhe dar. A maioria há de ir para o contentor da Cáritas que tenho ao pé de casa, mas há alguma que - por razões várias - prefiro tentar vender. Digo tentar, porque da minha experiência no Olx, roupa não é coisa que se venda com facilidade. [Tenho várias peças - maioritariamente vestidos mas também algumas partes de cima - como novas, de tamanho XS, muitas delas bastante recentes - a 10€ ou menos. Se alguém por aqui achar que poderia ter interesse digam-me, por aqui ou por email, que eu pondero colocá-las por aqui ou enviar fotos].
Limpeza ao roupeiro feita, ainda deu tempo para uma caminhada à beira rio que soube pela vida. Depois de tanta chuva e vento, esteve um dia mesmo bonito e agradável. 
E agora que chegue rápido o fim-de-semana, que este feriado foi bom mas soube a pouco.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

A nossa aventura pelo Nepal - parte 3 (Pokhara e trekking nos Himalaias)

E eis que chegámos à minha parte favorita da viagem: o ponto de partida do nosso trekking (caminhada) nos Himalaias. Mas não sem uma viagem memorável (de tão má) para lá chegar.
Na manhã do 5º dia da nossa estadia no Nepal, apanhámos um autocarro em Chitwan para ir até Pokhara. A distância entre as duas cidades não chega a 100km. A viagem durou 6h15m. Não me enganei: foram seis horas. Tínhamos sido avisados que duraria à volta de 5 horas (e uma pessoa já se perguntava "Mas como, se são 90 e tal km?"...oh santa ingenuidade!).
Ora e como é que se consegue a proeza de demorar seis horas para fazer 90km? Eu explico. As estradas por todo o Nepal estão em péssimo estado (estão a arranjar a canalização toda, tanto quanto percebi também devido ao terramoto de 2015) e basicamente temos uns centímetros de estrada boa a meio, rodeados de estrada de terra batida à volta (que é onde temos que andar sempre que temos carros a circular na faixa oposta). Depois, não fosse a viagem já longa o suficiente, há uma paragem de 45 minutos num lugar ranhoso para almoçar. Mais: desde que entrámos no autocarro e até sairmos da cidade, ele parou umas 10 vezes para recolher pessoas (?), outra para comprar água para dar às pessoas (??), outra para ir à oficina buscar um pneu (?!) e outra ainda para o cobrador de bilhetes ir comprar bolachas - estávamos na estrada há uns 20 minutos (???). Não é de uma pessoa ficar maluca?
Chegámos a Pokhara já passava da hora de almoço. É uma cidade pequena com pouco para ver, mas é amorosa, com um lago rodeado de montanhas. Nesse dia demos uma volta e aproveitámos para fazer algumas compras para a caminhada. No dia em que regressámos da caminhada fizemos um passeio de barco pelo lago.
A primeira foto abaixo é da vista do hotel onde ficámos em Pokhara.



E na manhã do 6º dia, às 9h, tínhamos o nosso guia à nossa espera no hotel para nos levar rumo à nossa aventura pela montanha (contratámos o pacote inteiro pela internet, ainda em Portugal, a uma agência nepalesa. Não terá sido a opção mais barata mas não tivemos que nos preocupar com nada relacionado com aqueles 4 dias - alojamento, refeições, autorizações para entrar nas zonas protegidas, etc). Ponho-me a pensar naqueles dias e - acreditem - sinto o meu coração a bater mais rápido, tamanho é o entusiasmo que as lembranças me trazem. Teve quase tanto de duro como de maravilhoso mas foi, sem dúvida, das melhores experiências da minha vida.
Começámos por fazer uma viagem de duas horas de carro (mais uma vez, para uma distância curta) até ao ponto de partida do trekking, em Nayapul. 
Andámos uma hora em terreno plano e parámos para almoçar num dos vários restaurantes que existem pelo caminho.




Depois do almoço a coisa complicou: esperavam-nos mais de 3200 degraus até Ulleri, onde iríamos passar a primeira noite. Estava sol e calor, e com uma mochila às costas (que depois de algum tempo começa a pesar) subir tanto degrau não foi tarefa nada fácil. Ainda para mais com um guia que parecia o Rambo e que estava sempre pronto a acelerar (e uma pessoa lá tinha que demonstrar fraqueza de vez em quando e pôr um travão ao moço).
Cá estão os primeiros de muiiiitos degraus:


Passámos por algumas pontes suspensas durante a caminhada.


E a meio da tarde chegámos à aldeia de Ulleri. É impressionante como conseguem construir estas aldeias a meio do nada, com várias estalagens com todas as condições (quartos com casa de banho privativa, restaurante) sem acesso por estrada. São pessoas e burros que transportam tudo o que chega a estas aldeias.
Esta era a vista do alojamento onde ficámos na primeira noite:

Na manhã do segundo dia, retomámos caminho.
As casinhas que se vê nas fotos abaixo são a aldeia onde dormimos na primeira noite.



























E ao início da tarde chegámos à aldeia onde passámos a segunda noite: Ghorepani (imagens abaixo), a 2874m de altitude. O imenso calor que sentimos na véspera deu lugar ao frio.


Na madrugada do dia seguinte, esperáva-nos o ponto alto do trekking.



(continua)