E assim chegamos aos últimos dias da minha viagem maravilhosa entre a Turquia e a Grécia. O dia 7, sexta-feira, foi ainda passado a bordo do Celestyal Cristal.
A última paragem antes de Istambul era em Lavrion, a 1 hora de Atenas, sendo que o barco só ficaria parado naquele porto durante cinco horas. Pesquisámos e não encontrámos nenhuma opção de transportes públicos viável que nos levasse a Atenas, pelo que a opção era ficar no barco (e desperdiçar a oportunidade de ficar com um cheirinho de Atenas) ou pagar 68€ por pessoa (auch!) e ir na excursão programada pelo navio conhecer a Acrópole e pouco mais.
Foi então a única excursão que fizemos e, da minha parte, apesar de ser claramente um abuso de preço para aquilo que oferecem (transporte em autocarro, ida e volta mais visita à Acrópole com direito a excplicações - tanto sobre a Acrópole como sobre toda a história da Grécia até à atualidade), atendendo a que era a nossa única opção para conhecer Atenas, não me arrependi nem um pouco (apesar de tencionar voltar com mais tempo).
Dispensa apresentações.
A Grécia tem à volta de 11 milhões de habitantes. Quase metade está em Atenas (portanto este aglomerado é apenas um pequeno exemplo do que é aquela cidade em termos de contruções).
Antes do meio dia já estávamos de volta ao barco, desta vez para já só sair de vez, na manhã do dia seguinte, em Istambul. Istambul é linda de qualquer forma, mas num dia de sol como este (ao contrário do que tinha acontecido na semana anterior) é ainda mais.
Não, não é Nova Iorque. É mesmo Istambul.
A vista da Mesquita Azul e da Hagia Sofia, ainda dentro do barco.
O resto do Sábado (e a manhã de domingo) foi para aproveitar a cidade maravilhosa que é Istambul. Visitámos a Mesquita Azul e a Hagia Sofia (contruções fantásticas, não conseguia parar de olhar para elas) e ao final da tarde fomos passear ao Grand Bazaar, um dos maiores e mais antigos mercados cobertos do mundo (onde, mais uma vez, perdi a cabeça e comprei um anel e um pendente de prata que são a coisa mais linda).
Eu juro que o calçado igual e a perna levantada não foram combinados (somos pirosos mas com limites).
O dia em Istambul foi mágico, maravilhoso. Já a noite foi devastadora, e eu passo a explicar o porquê. Estávamos nós a chegar ao hotel vindos do Grand Bazaar, já o sol se estava a pôr, quando começámos a ver imensos refugiados (durante o dia não sei onde andam, porque na manhã seguinte voltaram a desaparecer completamente). O primeiro que me deixou toda arrepiada foi um menino que não devia ter mais de 4 anos, que estava sozinho, sentado a um canto, com dois pacotes de lenços na mão (devia estar a vendê-los), com a mãozinha levantada mas a dormir um sono profundo. Uma criança, quase um bébé, a vender lenços de papel para sobreviver. Depois disso vimos vários grupos de meninas, também elas sozinhas, que não tinham mais de 10 anos. Casais novos com bébés ao colo eram muitos também. Todos a pedir ajuda. E nós com uma sensação de impotência tremenda por não conseguirmos ajudar todos.
Houve outra menina que também me tocou particularmente porque estava sozinha e não devia ter mais de 4 anos. Fomos ter com ela, demos-lhe água e comida (e foi uma espécie de alívio quando ela começou a brincar com a comida em vez de comê-la, queria dizer que não estava esfomeada) e sorria e brincava sozinha, com um ar feliz de quem não faz ideia do que está a passar (entretanto chegou ao pé de nós uma senhora mais velha, que devia ser avó da menina).
Uma pessoa vê estas cenas na televisão e fica bastante sensibilizada, mas assistir ao vivo é mil vezes mais doloroso. Só conseguia sentir-me estúpida e fútil ao pensar nas compras supérfluas que tinha andado a fazer durante a tarde, quando aquelas pessoas não têm absolutamente nada. E pensar que há gente que é contra acolher estas pessoas que perderam tudo (e que a única coisa que fizeram para isso foi nascer no país errado), e dar-lhes uma vida digna, é coisa que eu nunca vou entender, independentemente do argumento que usem. A incapacidade que tanta gente tem de se pôr no lugar do outro mete-me nojo, muito nojo.
Bem, adiante. Na manhã do dia seguinte aconteceu o que tinha acontecido na véspera: nada de vê-los em lado nenhum (o que foi uma pena, porque não consigo pensar num destino melhor para dar às liras que não tínhamos gasto quando a viagem chegou ao fim).
E foi assim que deixámos Istambul, com um banho de realidade que nos faz pensar no quão injusta é a vida, que permite a uns tirar férias de 10 dias no estrangeiro, enquanto a outros tira tudo.