Tão independente que eu já era. Tão bem que eu dormia sozinha. Tão bem que eu estava no trabalho sem uma vontade desgraçada de ir à sala dele babar para aqueles olhos que me cortam a respiração. Tanto nojo que me metia o casalinho que vai sempre no mesmo autocarro que eu com ar de apaixonadíssimo. Tanto que eu achava ridículo aquelas frases do género "ai meu Deus que vamos estar dois dias sem nos vermos, tantas saudades que eu vou ter". Tão convencida que eu já estava que não existiam príncipes encantados e já tinha tirado o casamento dos planos para o meu futuro. E tão feliz que eu era mesmo assim.
Até que ele apareceu na minha vida. No lugar mais improvável de todos. E mudou tudo.
E fez com que eu passasse a sentir-me especial todos os dias sem excepção. E dá-me elogios de tirar o fôlego. E, sem precisar de abrir a boca, diz-me com o olhar, todos os dias, o quanto gosta de mim (e gosta tanto). E diz coisas pirosas, tão pirosas, que me fazem disparar o coração de uma forma asssustadora. E olhar para ele faz-me sentir coisas boas, tão boas, que eu nem sei traduzir em palavras.
E tudo isto faz com que eu comece a perceber melhor a porcaria que passou pela minha vida nos últimos tempos e o tanto que essa porcaria me fez sofrer. Afinal era ele... era dele que eu estava à espera, este tempo todo.