terça-feira, 23 de agosto de 2011

Da triste fase da vida de uma pessoa que chamam de adolescência

A casa onde nasci e vivi até aos 17 anos de idade está em obras. E agora chegou a parte de mexer no meu vestuário. A minha mãe chega ao pé de mim e pergunta-me se pode pôr os posters da Britney Spears (que eu, muito inteligentemente, decidir colar com cola UHU daquela de batom - que foi? já ouviram falar na fase da parva? toca a todos, sim?) no lixo.
Mas pior sou eu que ainda me dignei a responder a uma afronta destas.


Vá lá que não se lembrou de fazer o mesmo em relação à secção de frases da Bravo de seu título "Rapazes...enfim" e que, ao que consta, já pôs os mestres todos à gargalhada. Se eu já tinha decidido não pôr lá os pés até a casa estar pronta agora então podem ter certeza que me vou manter a milhas. Lamento mas não lhes vou dar o gostinho de conhecerem a autora desse ilustre trabalho. No way.

Momento de pequena pausa na boa disposição que tem reinado por aqui

Quando deixei a casa onde vivi em França durante seis meses estava lá sozinha (a minha família estava do outro lado do país em férias). E então decidi espalhar post-its pela casa com mensagens para o dia em que eles regressassem: deixei  na porta do frigorífico a lembrar-lhes que lhes tinha deixado uma lasanha de atum (que eles tanto gostam) no congelador para o caso de chegarem com fome, na cama dos miúdos a dizer que gosto muito deles e com uma mini prendinha, e na cama dos pais a dizer em brincadeira para não ficarem com ciúmes das crianças e a agradecer por tudo, pela milésima vez.



Hoje foi o dia em que eles regressaram a casa e encontraram-na como eu deixei. E quando recebi uma mensagem a agradecer o gesto e a dizer que lhes faço muita falta só me apeteceu chorar.
Já para não falar que daqui a um dia há alguém a ocupar o meu quarto e a minha função por lá. E eu confesso que estou com medo, muito medo, de perder também o meu lugar especial no coração daquela família.

Sim, eu sei que já não tenho idade para estas cenas. Isto daqui a nada já me passa (mas enquanto não passa vou só ali deprimir mais um bocadinho. bahhh!).

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Momento doce do dia

A minha mãe tenta disfarçar, mas cada vez que me vê entrar na cozinha dela preparada para meter as mãos na massa começa com palpitações. Se há assunto em que ela não consegue deixar de olhar para mim como uma eterna criança é este, nada a fazer.
E é vê-la a querer meter sempre a colher em tudo o que eu faço (vais pôr 200gramas? mete antes 199. vais usar essa farinha? usa antes esta. e por aí adiante). E a torcer o nariz às minhas (tentativas de) inovações. E a tentar demover-me subtilmente (ah vais fazer bolo de maçã para levar para a casa da avó? olha que engraçado eu vou fazer tarte de maçã. o quê? duas sobremesas de maçã? oh não tem nada a ver, são tão diferentes - como se eu não percebesse que é para garantir que vai haver qualquer coisa comestível de maçã).
Mas hoje a saudade de cozinhar falou mais alto e então aproveitei que ela estava entretida e fechei-me à socapa na cozinha para garantir que ia sair dali uma receita 100% made by Gelatina.


O resultado foi um crumble de pêra que, modéstia à parte, ficou uma maravilha (não em aspecto, claro, mas isso pouco me importa).


Cá está a receita se quiserem fazer uma sobremesa deliciosa e super fácil:
- 5 pêras maduras (cortadas aos bocados pequeninos e dispostas no fundo da travessa, regadas com um pouco de Vinho Madeira (ou Porto) e polvilhadas com canela em pó)
- 200gr de manteiga (eu usei Becel vegetal porque é mais saudável e fica bom na mesma)
- 200gr de açúcar
- 400gr de farinha
(amassar estes três ingredientes e espalhar em cima da pêra e depois cobrir com canela em pó)
Vai ao forno até a massa ficar crocante (35-40 min a 200ºC)

Imperdoável


O facto de eu só ter lido O principezinho agora, aos 24 anos de idade. Mas mais vale tarde que nunca, certo?

Gostei muito. E adorei o fim.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Apetite controlado

Desde que comecei a comer uma (ou duas, depende do tamanho) peça(s) de fruta mais ou menos meia hora antes do almoço dei por mim a comer um prato com uma quantidade normal de comida em vez do típico prato à la Gelatina.
Faz uma diferença tão grande no apetite que não sei como é que não comecei a fazer isto mais cedo.

E isto de ser Verão e ainda por cima estar no paraíso da fruta (onde ela é 10000 vezes melhor que em Lisboa) é coisinha para me fazer comer à volta de cinco peças por dia quase sem dar por ela.
A foto é da cozinha cá de casa: o que estão a ver aí é despachado praticamente só por mim e pelos meus pais todas as semanas.

Mais uma semana, mais uma levada

Mais um passeio delicioso recheado de verde e água por toda a parte.








Caldeirão Verde e Caldeirão do Inferno (desconfiamos que este último se chama assim porque para lá chegar temos que passar por uma subida daquelas bem assassinas da celulite). Na zona das Queimadas.

Quem vier à Madeira não pode deixar de fazer este passeio. É lindo de morrer e (a ida ao Caldeirão Verde, não ao do Inferno) não tem dificuldade nenhuma.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Pode ser que eu esteja enganada


Mas receber uma sms que começa com "Oix" e acaba com "Beijinhux" muito dificilmente será o prenúncio de uma bela amizade.

Preconceituosa? Emproadinha? Talvez um bocadinho dos dois, sim.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Eu já fui romântica de meter dó, a sério que sim

Amiga (com aquele ar de quem não podia estar mais apanhadinha): "Ele mandou-me uma mensagem a dizer que já não sabe ser feliz longe de mim (seguido de suspiro longo, à espera que eu dissesse alguma coisa) ... Não dizes nada?"
Gelatina: "Queres que seja sincera? Então pronto: eu acho triste a nossa felicidade depender só de alguém."


E acho que é por já ter sido (tããão) assim que tenho tanto medo de voltar a me "prender" a alguém. Tenho medo de, depois de tanta aprendizagem, voltar a estragar tudo. 
É que quem sou eu para dizer que não vou voltar a viver em função de uma relação quando todos sabemos que o lado racional não é tido nem achado quando se está apaixonado? (olhem que bem, até rimou e tudo).

De entre os 1001 cenários que imaginei poder vir a experienciar na minha vida adulta


Pintar o cabelo mensalmente por obrigação (sacanas dos brancos que se multiplicam todos os dias) ainda com borbulhas na testa não foi, decididamente, um deles.

Sempre achei que ia ter direito a uns aninhos de glória entre as duas fases.
Numa próxima vida, quem sabe.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Dos livros especiais

Não sei se sou eu que agora olho para tudo o que é francês com outros olhos (também é, também é), mas gostei mais deste livro do que do primeiro, Os olhos amarelos dos crocodilos, que li há um ano atrás, quando nem me passava pela cabeça que iria viver em França daí a uns meses.
E quando li, nos agradecimentos, a referência a alguém com quem a autora passeou no Lago de Annecy, a cidade que mais me marcou de todas as que conheci durante aqueles seis meses, fiquei com o coração apertadinho por já não viver naquele país.


Tenho saudades.
Pode parecer estúpido, eu sei que foi pouco tempo, mas agora sinto aquele país um bocadinho meu. E não sei se é por isso mas acabei o livro há menos de uma hora e ainda estou com um nó na garganta. Acho que foi só porque acabou. Mais um bocadinho de França do qual eu tanto gostei e que também acabou (mas este, felizmente, tem continuidade: o terceiro e último desta trilogia).

Do feriado

Santo da Serra

Olá, tenta outra vez que desta não funcionou.
(não gostei do toque de canela ali)




Ponta de São Lourenço (ponta Este da Madeira)

Risotto de cogumelos (tenho que aprender a fazer disto).

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A sério


Pôrem-me o homem perfeito à frente, com tudo o que eu podia pedir e ainda o que me pudesse eventualmente ter esquecido, e não poder ser feliz com ele para o resto da minha vida é coisa em relação à qual não me consigo habituar. Não consigo, pronto.

Não, o problema não é ter namorada (que não tem). Just in case...

domingo, 14 de agosto de 2011

Arte ao ar livre numa noite de Verão

Na zona velha do Funchal, que está tão diferente dos tempos em que eu andava na escola ali ao lado. Está linda linda!
A um risotto comido a ouvir o barulho do mar seguiu-se um passeio a apreciar as pinturas em várias portas de casas ali da zona, feitas por artistas de rua.




Tasca Literária. Foférrima.


A minha porta preferida.


Uma ideia fantástica, a meu ver, que não me importava nada que fizessem o mesmo à minha porta se lá morasse.

sábado, 13 de agosto de 2011

Um mês







Um mês (praticamente) sem falar francês. Um mês sem apertar aquelas duas mini carinhas lindas. Um mês sem conversas longas pelo serão fora sobre tudo e mais alguma coisa com os pais. Um mês sem comer macarons à beira do lago Léman. Um mês sem as corridas na floresta à beira do Arve. Um mês sem galettes au chèvre e sem crème marron. Sem crepes nem pains au chocolat (eu sei que há cá, mas para além de não terem a mesma piada estou a ver se volto a ter peso de gente). Um mês sem a minha amiga russa. Um mês sem passeios sozinha pelo desconhecido. Um mês sem alimentar a minha panca das fotos de bandeiras.

Um mês de Portugal. Um mês de saudades de tudo o que deixei por terras franco-suíças.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Que me desculpem as outras

Mas a Madeira é a ilha mais linda do mundo e arredores.
Cá estão as imagens que não me deixam mentir.








Levada do Galhano (Ribeira da Janela).

9 horas e 31 km de pura felicidade (que incluíram a passagem por 8 túneis, um dos quais com 1,2km de comprimento).