quinta-feira, 21 de abril de 2011

O teclado do meu computador já aderiu ao acordo ortográfico


O hífen decidiu tirar férias e agora só apresenta serviço muito de vez em quando.
Mas visto que agora se escreve hei de e hão de (??) e ultrassecreto (vómito), tenho que admitir que ele até soube escolher o momento oportuno.

Até o mini francesinho concorda

Contar numa língua estrangeira não é fácil. Mas ainda se torna pior quando essa língua é francês e em vez de se dizer "setenta" diz-se "sessenta dez" (soixante-dix), "sessenta onze", "quatro vintes" em vez de oitenta e por aí adiante. É especialmente fácil quando vamos às compras e temos que pagar qualquer coisa como "soixante quinze euros et quatre-vingt-onze centimes".


Ora estava eu a ajudar o meu menino a contar quantas moedas ele tem no mealheiro quando chegamos à temida dezena. E eu começo: "soixante et onze", "soixante douze". Ele pára de arrumar as moedas, olha para mim com um ar intrigado e pergunta-me "Tens certeza que isso existe?".
Pois é meu querido, diz que sim, que na tua terra é assim. Gostam de complicar, vocês, hã?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Saí de casa preparada para comprar isto

Pela primeira vez tinha encontrado a combinação perfeita: tamanho 32 (coisa rara), o modelo exacto que eu gosto e a cor que eu queria. Problema: era o único casaco que tinha defeito. 

Pois então que agarrei no dinheiro e cheguei a casa com isto:

Quase a mesma coisa, portanto.

E antes que digam "ah e tal depois vens para aqui queixar-te que estás gorda e mimimi" estes são para levar para Portugal para partilhar... ou pelo menos alguns, vá.

Lá se foi o cliché de ir de bicicleta para todo o lado

Eu, do alto do meu 1,58m, já me tinha resignado com o facto de que nunca poderia vir a ser campeã de basquetebol. O que não sabia é que também não tenho altura suficiente para me pôr em cima duma bicicleta normal de adulto (ou pelo menos da que temos cá em casa, e que satisfazia perfeitamente as necessidades da Au Pair que cá esteve antes de mim...bahh).


Nada a fazer, vamos continuar a ser só mesmo eu e os meus pezinhos.
Ou então posso pedir a bicicleta dos miúdos emprestada (que seria quase perfeita em termos de altura, não fosse o tamanho do meu rabo para estragar tudo).

Eu sei que o amor não escolhe idades (e até sei bastante bem)


Mas acho que o meu rico paizinho tinha um colapso se eu me metesse numa destas.

Qual intervenção do FMI em Portugal qual quê? São notícias desta relevância nacional que se me apresentam quando faço login no MSN.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Não sei se rio ou se choro


Pela primeira vez na vida tenho um par de mamas que se vê sem ser preciso lupa. E uma barriga que se vê a kms de distância.

Acho que afinal se calhar não será muito boa ideia ficar cá até ao fim do ano. Ou então retirem o queijo de cabra e os bolos (a toda a hora!) cá de casa. A sério, é mais forte do que eu.

Há quatro meses atrás

Foste buscar-me à estação, passaste-me a mão pela cabeça e disseste que eu estava muito gira, tentando pôr um ar de naturalidade nas tuas palavras. 
Acabaste a noite olhando embevecido para mim, não como se eu fosse "muito gira" mas antes a mulher mais bonita à face da Terra, como se eu fosse perfeita. Abraçaste-me com uma intensidade deliciosa. Fizeste-me sentir uma autêntica princesa.
Por um dia apenas, por umas horas, mostraste-me que tudo aquilo com que eu sempre sonhei existe efectivamente.


Quatro meses depois, a lembrança desse dia faz-me chorar. Mas não a trocava por nada deste mundo.
Chamem-me estúpida, ridícula, cega, o que for. Eu sei o que vi no teu olhar, eu sei o que senti, eu sei o que tu sentiste, e sei que a combinação de tudo isso não é comum.
Se vai ficar mesmo por aqui eu não sei. Mas sei que o pouco que vivi e o muito que senti contigo não acontecem todos os dias ao virar de qualquer esquina.

No calendário passaram quatro meses. No meu coração mantém-se tudo igual.

Da vida de Au Pair: o lado não tão cor-de-rosa da coisa

Frequentar um curso com mais dezoito Au pairs faz-me dar ainda mais valor à família que me acolhe.

Tenho uma colega que tem que fugir de casa ao fim-de-semana (em que supostamente está de folga) porque se lhe apetecer ficar a descansar os pais batem-lhe à porta às 8h da manhã, atiram-lhe com as crianças (quase literalmente) e vão à vida deles. Ela fartou-se e vai embora no fim do mês. 


Tenho outra que vive numa casa com 3 andares e limpa-a toda sozinha, jardim incluído (é empregada doméstica, portanto. situação que até não lhe incomodaria muito se lhe pagassem para isso). Essa não vai embora porque, em conversa com uma outra colega, sentiu-se sortuda por "só" limpar 3/4 horas por dia. 

Tinha uma colega cujas crianças lhe cuspiam na cara e os pais nem se dignavam a repreendê-las. Essa já está longe, no país dela (vá-se lá saber porquê).
E esta é só uma pequena amostra de tudo que já ouvi.

Como vêem, ser Au Pair pode não ser propriamente a aventura de uma vida (ou pelo menos não nos termos em que a imaginamos). É preciso ter sorte. E eu sei que tive. Muita.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dimanche @ Evian







E voilá, como não podia deixar de ser a fonte da água Evian que, estranhamente, 
sabe bem melhor do que a engarrafada, da qual eu nunca fui grande fã.

Cidade fofíssima. Jardins lindos. O lago Léman, sempre fabuloso, numa outra perspectiva. Uma (nova) companhia que se revela melhor a cada dia que passa. Um gelado que nunca tinha experimentado e que (não sendo o maravilhoso) me soube pela vida. E um sol fabuloso.
Parfait.

Samedi @ Allinges

Château d'Allinges


E um chazinho relaxante depois da caminhada.
Nunca tinha provado, gostei muito.
Maria: o chá é com maple syrop :p.

domingo, 17 de abril de 2011


Há três anos atrás fui visitar uma amiga que estava em Itália a fazer Erasmus havia quatro meses. Lembro-me bem do que pensei quando cheguei ao pé dela e a vi com mais um quilinhos valentes em cima.
Agora, é com esse sentimento de piedade que vou ser recebida pelos meus quando voltar a Portugal daqui a pouco tempo.

Avó, vais ficar tão orgulhosa quando constatares o quão bem a tua rica neta se anda a tratar.

sábado, 16 de abril de 2011

Porque é que eu começo a ponderar (muito) ficar até Dezembro

Luzern, Suisse

Annecy, France

Châtel, France

Não é preciso dizer mais nada pois não?

 Tenho que parar de fazer pesquisas na Internet senão fico aqui mas é para o resto da vida.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Gelatina Poppins na floresta

Estava eu a cumprir o ritual da minha corridinha de Ipod nos ouvidos a meio da floresta quando passo por um moço que fazia o mesmo. Dei boa tarde, como faço a toda a gente que se cruza comigo. Daí a segundos ouvi qualquer coisa. Pareceu-me um "Ça va?" mas como estava de phones nos ouvidos aproveitei e comecei a acelerar o passo. Nada feito, porque o moço já tinha dado meia volta e estava ao pé de mim outra vez.



- Posso correr contigo?
- É como você quiser mas aviso já que corro bastante devagar.
- Então podemos andar e conversar (toma lá que é para pensares numa melhor para a próxima).
Visto que não estava ninguém nas redondezas para me salvar, lá começámos a andar.
Dois minutos de conversa da treta e ele ataca:
- Acho-te bonita (belle foi o termo que ele usou).
- Obrigada.
(momento constrangedor de silêncio...)
- E tu o que achas de mim?
- Errr...eu sou muito tímida. (vá, agora já te ias embora, não?)(mas aqui que não me ouves até tens um corpinho jeitoso, sim).
(...)
- Posso te dar a mão?
- Estou bem assim, obrigada.
- Posso te dar um beijo?
- Não obrigada. (amigo, acabaste de perder os 0,000001% de possibilidade de arrancar qualquer coisa daqui com essa pressa toda no rabo. mas isto funciona assim em França ou és mesmo tu que és apressadinho?).
- És mesmo tímida.
- Pois...
(...)
- Amanhã encontramo-nos à mesma hora?
- Sabes, ao fim-de-semana não tenho horários fixos. Nem sei se venho ou não.

Está bonito, está. E eu que estava a gostar tanto de correr naquele paraíso...


Não vale a pena esforçar-me


Ninguém me leva a sério seja em Portugal, em França ou onde em qualquer outra parte do mundo.
24 anos de vida, acabo de atender o telefone e perguntam-me se os meus pais estão em casa.

Desta vez safei-me de fazer figura de palhaço a tempo

Felizmente falei com a mãe da minha família antes de ir à farmácia. Já ia preparada para perguntar se precisava de "recette" para poder comprar ibuprofeno. E, ao que consta, em francês "recette" é só mesmo para as culinárias. Receita médica é "ordonnance".


Não ia ser um momento bonito.

Pelo menos não para mim, já que os senhores da farmácia até deveriam ficar agradecidos pelo momento de boa disposição no trabalho. Mas vamos lá dar férias à Gelatina versão palhaço, que ainda está fresca na memória a vez em que disse aos meus vizinhos que "Eu sou Portugal" (olhem quanto patriotismo) em vez de dizer que venho de Portugal. Mas eles até foram uns queridos e fingiram que não perceberam.