quinta-feira, 19 de abril de 2018

Peru, diário de viagem - Dia 9 (Machu Picchu)

Ao longo dos vários dias de viagem pelo Peru, e de cada vez que eu me maravilhava com alguma paisagem e pensava que a cada dia que passava a viagem ficava melhor (literalmente, foi sempre a melhorar, dia após dia), dava comigo a pensar "E ainda não vimos o Machu Picchu!".
Na véspera deste dia, estava de tal modo entusiasmada que tive alguma dificuldade em adormecer (ainda por cima iam buscar-nos ao hotel de madrugada, às 4h45). Vi as previsões meteorológicas (como em todos os outros dias) e deparei-me com a informação de que teríamos um belo dia de sol, com algumas nuvens. Agarrei nas minhas adoradas gazelle às bolinhas e lá escolhi uma roupa confortável mas que ficasse bonita naquelas que seriam muito provavelmente das fotografias mais bonitas que ia tirar na vida. Mas, pelo sim pelo não, pus o quispo na mala. Quispo esse que não cheguei a despir.
O Machu Picchu fica longe, mas longe! Em Lisboa, estamos a 15 horas (3 voos) de avião (até Cusco), duas horas (e pouco) de autocarro (até Ollantaytambo), uma hora (e pouco) de comboio, e mais uns 20 minutos de autocarro de lá. É o quanto se tem que viajar para chegar ao Machu Picchu! E retirando os voos, que já tínhamos feito antes (voámos até Arequipa e de lá até Cusco fomos de autocarro), tivemos que fazer tudo o resto (ida e volta) naquele dia. Na primeira viagem de autocarro começou a chover. Na viagem de comboio (que é suposto ser muito gira) continuou a chover. Na viagem de autocarro por aquela subida algo assustadora, de terra e cheia de precipícios, até ao Machu Picchu, continuou a chover. E quando lá chegámos, continuava a chover. 
Eu com as minhas gazelle às bolinhas, sem guarda-chuva nem um impermeável, apenas com um quispo supostamente impermeável (que -comprovei naquele dia - deixa de ser impermeável depois de uma hora à chuva).


Cá está o comboio que nos levou de Ollamtaytambo até ao povoado do Machu Picchu.

Tínhamos três horas para estar no complexo arqueológico do Machu Picchu, com visita guiada. O nosso guia ignorou completamente a chuva e lá nos levou, durante três horas, fazendo as suas explicações. Quando saímos do autocarro ele levou-nos àquele que é o lugar onde são tiradas as belas das fotos cliché. E eu, quando lá cheguei, só queria chorar. Mas nada de figurativo...apetecia-me mesmo desatar a chorar, tamanha era a minha frustração.

Isto sou eu, quando ainda conseguia agarrar no telemóvel, a tentar fotografar alguma coisa. Dá ou não dá vontade de chorar? Não esteve este nevoeiro cerrado o tempo todo, deu para ver alguma coisa, mas choveu ininterruptamente (e não foi coisa pouca). O maior problema foi que não passou muito tempo até ficarmos completamente ensopados (gazelle fofinhas inclusive, pois claro), sem lugar onde secar a máquina/telemóvel para conseguir tirar fotografias, e muito, muito (muito!) desconfortáveis (arrependi-me tanto de não ter levado uma daquelas capas de plástico horrorosas para proteger da chuva).













































Pormenor muito interessante sobre o Machu Picchu: esta cidade inca, localizada no topo da montanha, a 2400m de altitude, foi deixada a abandono por aquele povo na altura em que os espanhóis chegaram ao Peru, como forma de proteger aquele lugar de ser invadido. E esse plano foi de tal forma bem sucedido que o Machu Picchu ficou "perdido" durante séculos, até que foi redescoberto, por acaso, em 1911, sendo então a única herança inca que permanece nos dias de hoje em toda a sua autenticidade, sem o "toque" dos espanhóis.
Apenas 30% do que se vê hoje em dia fazia parte da cidade original, mas todas as reconstruções estão feitas de forma propositada e suficientemente distinta da original, de forma a que se consiga distinguir com facilidade o que é original do que não o é.



Não vos vou mentir: aquilo é espetacular (sim, mesmo com chuva), mas eu estive em sofrimento o tempo todo. Era o guia a falar e eu a pensar "Mas quando é que isto acaba?". É isso mesmo: eu, Gelatina Maria da Silva, estava no Machu Picchu...cheia de vontade de ir embora! É que nem nos meus piores pesadelos...mentira, eu tinha pânico de apanhar chuva no Machu Picchu (cheguei a ver fotos de outras pessoas em que não se via, literalmente, um palmo à frente do nariz, e isso sim seria o drama total) mas nunca me ocorreu que fosse passar por aquele desconforto físico horrível como passei (ainda para mais isto aconteceu de manhã e passámos o dia inteiro, até às 20h, com aquela roupa e calçado).





Cá está a minha foto cliché da viagem. A  montanha ao fundo? É imaginá-la, que vos faz bem exercitar o cérebro :p.



Só eu sei o que me custou conseguir este carimbo (e ainda consegui molhar metade das folhas do passaporte).

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Leituras


Messias. Avaliação do Goodreads: 4,19
"Messias" é um thriller/policial do qual eu tinha as melhores referências (tenho em muito boa conta as opiniões literárias da Lénia, que é uma leitora compulsiva com um gosto especial por policiais). 
É um page turner desde o início, à exceção de uma ou outra cenas com descrições detalhadas especialmente macabras em que fiquei à beira da indisposição mas...policial digno do nome tem que suscitar alguns esgares, não é verdade?
Adiante. Mais uma vez comprovei que daria uma péssima detetive (e o momento em que eu achei que tinha descoberto alguma coisa sobre o assassino foi sol de pouca dura), porque não adivinhei quem seria o assassino. E gostei particularmente da forma como o autor vai retratando o personagem principal - o detetive Red Metcalfe - e da forma - para mim genial - como acabou a história no que respeita a este personagem em particular.
Para quem aprecie este género, não deixem de ler este livro. É mesmo bom.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Peru, diário de viagem - Dia 8 (Vale Sagrado)

Este dia foi dos que mais gostei. Foram buscar-nos ao hotel ao início da manhã, e seguimos para um dia de excursão, de autocarro, com várias paragens super interessantes. 
A primeira delas foi no complexo de Awanacancha, onde vimos (mais) rebanhos de lamas e alpacas, várias variedades de milho, e mostraram-nos o processo de fabrico dos têxteis com a lã de alpaca, desde que é tirada dos animais.






























A caminho da segunda visita, parámos num pequeno miradouro com uma paisagem espetacular dos Andes.


 A meio da manhã houve paragem pelo mercado artesanal de Pisac, onde, entre outras coisas, vimos várias das (espetaculares) pedras da prata existentes no Peru e assistismos a partes do processo de fabrico da joalharia com aquele material. Foi tão giro! Por falar em prata, outra das n recordações que gosto de trazer dos países que visito é uma peça de joalharia que me faça lembrar o país. E no Peru o difícil era escolher. Trouxe dois pendentes (um com a cruz andina e outro com o calendário inca) e dois pares de brincos (com a cruz andina e com o símbolo da "Pachamama", a mãe natureza), a ver se me lembro de vos mostrar.


Tintas para colorir as lãs (um pormenor muito engraçado: algumas delas, quando aplicadas, são de uma cor que não tem nada a ver com a que está nestes recipientes).


Presépios fofinhos.


Parámos para almoçar num hotel no meio do nada que tem um dos espaços exteriores mais amorosos de sempre. Oh, lugar mais encantador!















































































A parte da tarde estava reservada a visitar Ollantaytambo, uma das localidades do Vale Sagrado dos Incas, dominada pela arquitetura (impressionante) característica daquele povo. É a única cidade da era Inca, no Peru, que ainda é habitada. Estava um dia lindo de sol, o que nos permitiu desfrutar ao máximo daquele lugar, que é absolutamente fabuloso, magnífico, imponente.
















































Maravilhoso!

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Fim-de-semana

Desde que voltei do Peru que os passeios de fim-de-semana não têm sido muitos. O inverno que teima em não querer acabar, aliado a alguma preguiça, têm sido os culpados disso. Mas depois de tantos dias de chuva tivemos que aproveitar as tréguas do sábado para passear. E para matar saudades de um belo sushi (andava com desejos há semanas e nada de conseguir concretizar a coisa).





































Não me canso de elogiar o Sushi dos Sá Morais. Adoro, adoro, adoro e não conheço sítio em Lisboa com melhor relação qualidade/preço que este (ainda para mais continuam com os 30% de desconto pelo The Fork).
Depois do almoço fomos passear a um sítio onde raramente vamos (porque nos obriga a atravessar a cidade toda): o Parque das Nações.




Quanto aos meus pezinhos (ai de vocês que tenham chegado a esta parte do post sem reparar neles que a nossa relação acaba aqui, sim?) : lembram-se deste post em que declarei estar perdida de amores por estas New Balance? E se eu vos disser que no dia a seguir a ter feito aquele post recebi um email da New Balance a anunciar pomoções de 30%, e que estas meninas estavam incluídas na promoção, acreditam? Pois, eu também não queria acreditar, e não quis abusar da sorte e tratei de comprá-las logo. E sabem quando fazem uma compra online sem nunca a ter visto ao vivo e quando vêem são ainda mais bonitas do que imaginavam? Pois é, foi o que aconteceu. Estou mega in love!

sexta-feira, 13 de abril de 2018

E a viagem de junho está, finalmente, marcada



Imagem daqui.

Não estava fácil tomarmos uma decisão e isso já andava a mexer-me com o sistema nervoso (sabem aquela coisa de pensarem num plano de viagem e simularem-no no site da companhia aérea e cada vez que voltam a fazê-lo o preço já está mais alto? os calafrios que isso me dá, senhores, os calafrios!). Eu dava uma sugestão e o senhor meu namorado (que estava com pouco tempo para pensar na coisa) tratava de vetar, mas sem dar sugestões alternativas (grrrr). 
Depois de muito pensar, lá decidimos voltar a um país onde já fomos muito felizes, para conhecer duas ou três cidades que ainda não conhecemos (uma das quais há anos que quero muito visitar) e revisitar outra. Mal posso esperar!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Pessoas estranhas


Ontem fui ao teatro ouvir a Marta Gautier falar sobre "Pessoas estranhas".
A autora está sozinha no palco o tempo todo e vai fazendo uma sátira a uma série de tipos de pessoas e comportamentos (desde os betos - onde a própria se inclui - aos pais, aos professores, casais, etc. Apesar de haver um guião, o discurso acaba por ser bastante improvisado (dando-lhe um toque muito genuíno e autêntico), assim como o é a postura corporal da Marta (muito engraçada, por sinal).
Foram duas horas de espetáculo com muita gargalhada, em que não dei pelo tempo passar. 
Gostei muito da peça e recomendo.