terça-feira, 10 de agosto de 2010

O quinto elemento


Será que sou a única solteira (ai meu Deus, nossa Senhora e demais santidades, que ainda não me habituei a dizer isto) que não adora a ideia de ir jantar (ou fazer qualquer outro programa) com dois casais de namorados?
Eu sei que quando vai mais de um casal a ideia não é namorar mas mesmo assim há ali qualquer coisa que me deixa desconfortável.
Eu quando tinha namorado não achava mal nenhum mas quando passamos para o outro lado a coisa muda de figura.

Não há nada como sentir na própria pele. Essa é que é essa.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Lembram-se?

Winner Taco

Magnum Cone

Sou só eu que acho que a Olá tem o dom de acabar muitas vezes com os melhores gelados que tem?
Não percebo. Será que o meu gosto é assim tão especial?
É que, para mim, o magnum cone é o melhor gelado que eles já tiveram. Tenho tantas saudades!

Serão todas assim?

Vivo sem os meus pais em Lisboa há 6 anos. Como se nota, continuo viva. Mas eles vão uma semana de férias quando eu estou a ficar em casa deles e a minha mãe faz questão de deixar tudo orientado (não vá eu me esquecer de comer ou de dormir, sabe-se lá).


"Filha, o ananás corta-se com esta faca que é mais fácil", "A fruta está aqui, não te esqueças de comê-la" (é só uma cesta enorme visível em toda a cozinha, mas nestas coisas convém não arriscar, não vá eu decidir ir à cozinha de olhos vendados), "Não te esqueças de meter a louça na máquina", e podia continuar aqui o resto do dia.
Eu adoro a minha mãe, mas às vezes assusto-me quando me dizem que estou cada vez mais parecida a ela.
Será que um dia também vou ser assim? Será que estas atitudes são apenas sinónimo de ser mãe, independentemente de os filhos terem 10 ou 30 anos?

sábado, 7 de agosto de 2010

Tortura


Cada vez que entro na cozinha sou invadida pelo cheiro de bolo feito ontem pela minha mãe mas que "tem que ficar intocado até Sábado à noite para cantar os parabéns ao teu irmão". Isto não se faz.
Se eu estivesse verdadeiramente eu (nos últimos tempos sou apenas uma versão não gulosa de mim mesma) era coisa para ter ponderado dormir fora de casa a noite passada sob pena de não responder pelos meus actos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

(vamos chamá-la) Prenda de Verão oferecida pela mãe

Porque ainda sabe melhor receber prendas quando não há nenhum pretexto especial, mesmo que sejam pedidas (pormenores que não interessam para nada).


E também porque o que tenho igual a este em castanho estava a sentir-se muito sozinho, coitado.

Um rasgo de Gelatina feliz

É bom saber que há pessoas com quem não mantínhamos uma relação próxima há muito tempo que ainda se preocupam e gostam de nós. Que não nos abandonam nos momentos piores. Que estão ali para o que der e vier. Que, mesmo que muitas vezes só queiramos nos fechar em casa a sofrer a nossa dor, não nos deixam fazer isso.


Ontem tive um jantar espectacular para o qual sei que só fui convidada pelo facto de andar mais em baixo ultimamente mas que, independentemente disso, adorei, e sei que também gostaram da minha companhia.
Um jantar onde me ri como já não ria há muito tempo. Onde bati o recorde de tempo sem pensar nele (ou pelo menos de pensar sem um aperto no coração) desde o dia fatídico. Em que até ponderei voltar a comer uma sobremesa cheia de vontade, sem ninguém insistir para eu fazê-lo (mas ainda não foi desta).
Um jantar onde, ainda que só por umas horas, voltei a sentir-me feliz.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Há dias de sorte

Fomos ao cinema no meu carro. Antes de ir para casa, decidimos dar um passeio e não me apetecia conduzir. Dei-lhe a chave do carro para as mãos. Ele ainda me disse que não tinha levado a carta de condução mas, caramba, qual era a probabilidade de nos pararem logo naquele dia?
Pois... Não é preciso dizer mais nada, pois não? Lá se vão uns euritos para o caneco.
Seis anos de carta e foi parado pela segunda vez. É preciso ter pontaria.




E já agora que raio de regra é esta de ter que ir apresentar a carta e pagar multa? Então não bastava ter que pagar multa se a pessoa tivesse mentido acerca de ter carta quando foi interpelada pela polícia? Isto põe-me fora de mim, principalmente quando vejo tanta gente perigosa e maluca pela estrada que continua impune.

Senti-me tão mal

O meu irmão tem um amigo (que eu vi duas vezes, no máximo) que teve um acidente grave de mota e ficou uns meses em coma. Entretanto soube que ele tinha saído do hospital mas agora tem muitas limitações.

Ontem estava chegar a casa e vi um rapaz (que percebi logo que tinha limitações, pela forma de andar e falar) a tocar à campanhia. Perguntei se podia ajudá-lo e, agora sei, respondeu-me que queria falar com o meu irmão, mas como ele articula mal as palavras entendi que ele estava à procura dum médico, que morava ali. Eu disse-lhe que ele se tinha enganado. Ele continuava a insistir da porta "é aqui sim que ele mora, o ****** (e eu continuava a perceber "o médico") e disse-lhe para tentar noutra casa, porque não conheço médico nenhum nas redondezas.

Até que acabei por pedir desculpa e fechar a porta (com um nó na garganta).
O que eu pensei (e que muito provavelmente a maioria das pessoas pensaria no meu lugar) foi que o rapaz não tinha todas as faculdades mentais e que estava enganado.



Quando, depois, a minha mãe me disse que aquele rapaz era o amigo do meu irmão (que está completamente irreconhecível), o nó na garganta ficou dez vezes maior.
Claro que já pedi ao meu irmão para lhe pedir mil desculpas, mas o mal já está feito...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ainda os biquinis

Outra ideia brilhante: conjuntos que não podem ser vendidos em separado.
Mas será que sou só eu que sou desproporcional? Para mim o ideal é o XXXXS para a parte de cima e o M para a parte de baixo.

Tenho um parecido a este. Claro que me fica melhor do que a ela (cof cof).
(aquele colete ali não está com nada, que combinação mais horrorosa de cores).

Depois de dois posts seguidos a reclamar devem estar a pensar "Coitada, tanto trauma que vai naquela cabeça, a miúda não deve ter um biquini sequer e deve fugir da praia a sete pés".
Por acaso é das compras que mais gosto de fazer (neste momento "só" tenho 5). É que, depois de muitos anos, já sei bem quais são as lojas onde posso levar o meu rabo e manter a auto-estima intocada e aquelas em relação às quais tenho que manter a distância.
E quanto a fugir da praia, se há lugar bom para curar traumas é lá. Há sempre alguém pior do que nós (esta agora foi cruel).

Espelho, espelho meu, há alguém com mais celulite do que eu?


Eu não consigo perceber qual é a ideia das lojas que vendem biquinis e acham que colocar, nos provadores, luzes da maior potência possível e imaginária, é de génio.
Pois fiquem sabendo que já deixei de fazer muitas compras do género à pala dessas luzinhas. Então se, na praia, a minha celulite (a que se vê sem ser preciso olhar com atenção, claro, que com a outra posso eu bem) não passa do rabo e, nessas lojas, vejo-me ao espelho e quase que chega às unhas dos pés.
Se há lugar onde podiam (e deviam) fazer poupança de energia era nas luzes dos provadores. O ambiente agradece e a minha auto-estima também.
É que, pelo menos para mim, funciona assim: o que os olhos não vêm o coração não sente, e eu dispenso bem essa visão do inferno.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Aprendendo a ser solteira #3

Depois de quatro dias de praia sozinha (as amizades por estes lados já são poucas, e as que existem nem sempre estão disponíveis), o cenário é o seguinte:
Já ganhei um odiozinho de estimação a um casal da minha idade (o único, também é verdade) que está lá todos os dias, religiosamente. Olho para eles e só consigo pensar em quando eramos nós dois ali.
Já sei da vida de metade da praia (que isto de não ter ninguém para conversar obriga-nos a ouvir as conversas alheias).
Até já sei o nome da miúda mimada que está sempre na piscina dos bébés e nunca empresta as bonecas a ninguém (está-lhe a fazer falta um irmãozinho).
Ah, e o mais importante, até já consigo pôr protector solar nas costas todas sozinha. Digam lá que não sou uma acrobata.

É esta a "minha" praia (a foto não é minha).

Um mês

Faz hoje um mês que tive a despedida mais difícil da minha vida. Que me foi arrancada metade de mim. Que o "nós" deu lugar ao "eu". Que comecei o desafio mais complicado que já tive em mãos: reaprender a ser feliz duma maneira completamente diferente daquela a que estava habituada, a única que conhecia.

Atingi níveis de sofrimento que não sabia que existiam. Tive vontade de voltar atrás vezes sem conta. Fui muito ingrata com as (muitas) coisas boas que tenho na minha vida.
Um mês em que não vivi. Sobrevivi.
Mas em que também aprendi de forma bastante cruel uma grande verdade:


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Deve ser do género: aquela baixinha braquela que tem o rabo grande, sabes?


Sabem quando estamos à conversa e queremos referir-nos a alguém de quem a pessoa que está a falar connosco não se lembra, e temos que dizer coisas do género "aquela que tem as orelhas grandes" ou "aquele chato que nunca deixa ninguém falar" para identificar esse alguém?
Eu gostava bem de saber o que é que dizem de mim para me identificar. Vocês não?

Eu também queria tanta coisa

Senhora Ministra da Educação:
Estamos em Agosto, o país está praticamente parado, anda tudo pelo Algarve enquanto você tem que trabalhar. Imagino que seja chato, a sério que sim, mas se não tem nada para fazer eu posso lhe dar algumas ideias (a começar pela faculdade de Direito de Lisboa).
Diz que quer acabar com os chumbos. Verdade? Eu não sei se sabe mas eu explico-lhe como é que normalmente se faz para não chumbar. Pelo menos foi o que eu fiz durante 18 anos de vida de estudante e, por acaso, resultou sempre. Simples: estudei. Verdade verdadinha. Juro.



Claro que também me teria custado menos ter passado de ano sem fazer nenhum, mas depois ficava com o cérebro atrofiado e não fazia nada de produtivo na minha vida profissional (que ainda não começou, é verdade, mas eu tenho esperança que hei-de fazer alguma coisa de jeito, caramba). Quanto aos alunos com necessidades especiais (algum tipo de deficiência), ao que sei, já têm um regime especial, certo? Pelo que julgo que estamos a falar dos restantes.

Já agora, se conseguir essa proeza, o que é que acha de tentar acabar com as guerras, e a fome, e o aquecimento global? Isto é tudo muito bonito mas há problemas cuja solução vai muito para além da boa vontade...

domingo, 1 de agosto de 2010

E já agora, eu perguntei alguma coisa?


Depois de três tardes consecutivas de praia sabe tão bem ouvir um "estás tão branquinha!".
Para mim é quase tão mau como quando dizem "estás mais gordinha, não estás?" (menos mal que ao menos dessa estou safa neste momento).
Eu sei que não é por mal mas não gosto (até porque, como podem imaginar, eu também preferia bronzear com facilidade, mas nem toda a gente tem sorte, o que é que hei-de fazer?).
Além do que tenho espelho em casa, não me estão a dar propriamente uma novidade.