O meu irmão tem um amigo (que eu vi duas vezes, no máximo) que teve um acidente grave de mota e ficou uns meses em coma. Entretanto soube que ele tinha saído do hospital mas agora tem muitas limitações.
Ontem estava chegar a casa e vi um rapaz (que percebi logo que tinha limitações, pela forma de andar e falar) a tocar à campanhia. Perguntei se podia ajudá-lo e, agora sei, respondeu-me que queria falar com o meu irmão, mas como ele articula mal as palavras entendi que ele estava à procura dum médico, que morava ali. Eu disse-lhe que ele se tinha enganado. Ele continuava a insistir da porta "é aqui sim que ele mora, o ****** (e eu continuava a perceber "o médico") e disse-lhe para tentar noutra casa, porque não conheço médico nenhum nas redondezas.
Até que acabei por pedir desculpa e fechar a porta (com um nó na garganta).
O que eu pensei (e que muito provavelmente a maioria das pessoas pensaria no meu lugar) foi que o rapaz não tinha todas as faculdades mentais e que estava enganado.
Quando, depois, a minha mãe me disse que aquele rapaz era o amigo do meu irmão (que está completamente irreconhecível), o nó na garganta ficou dez vezes maior.
Claro que já pedi ao meu irmão para lhe pedir mil desculpas, mas o mal já está feito...