Corriam os últimos meses do ano de 2010. Tinha eu 22 anos, acaba de sair de um relacionamento de 10 anos. Ele (não o ex, outro), 31 anos (não propriamente um adolescente, portanto. Já de mim não se podia dizer bem o mesmo).
Eu estava a viver os dias mais infelizes da minha vida [na altura tinha criado o blogue há uns meses e tudo o que se foi passando nunca foi por mim revelado abertamente aqui, como será agora] quando ele, muito pouco tempo depois do fim do meu namoro, deu um ar de sua graça. Conhecia-me há anos, sempre tinha sido uma pessoa super correta, por quem eu tinha muita admiração enquanto ser humano, atraía-me a um nível negativo em termos físicos. Mal lhe disse que estava solteira passou a ser conversa diária (sempre iniciativa dele) e de repente, conversa puxa conversa (tudo no mundo virtual do falecido Messenger) eis que o rapaz começa a fazer-se ao piso. E eu não queria acreditar que aquilo me estava a acontecer. A pessoa mais improvável do mundo estava a fazer-me recuperar o sorriso (e de repente até se tinha tornado gira e tudo!), numa altura em que eu tinha o coração desfeito num trilião de pedaços, e achei que assim continuaria por uns bons anos (sim, eu estava completamente convencida disso e ai de quem tentasse dizer-me contrário, sabiam lá o que era o amor!).

Acontece que esta pessoa alegadamente tão bem formada não estava muito virada para relacionamentos. A bem dizer, nem para me ver ao vivo sequer, porque cada vez que eu sugeria tal coisa o rapaz revelava-se o ser humano mais ocupado do planeta (e com 300km a separar-nos, ele tinha a vida facilitada nesse aspeto).
Houve um dia em que a criatura lá baixou a guarda e, durante umas horas, eu senti-me o ser humano alvo da maior paixão que o mundo já viu. Senhores, como aqueles olhos me enganaram bem! Depois desse dia, voltámos aos 300km de distância e a criatura passou dias sem me dizer nada de nada. Em vésperas de natal, eu na Madeira, com a minha família (mas tão longe dela), numa depressão de meter dó. Aquela criatura conseguiu o que o meu ex namorado (um senhor ao pé deste pedaço de bosta. e sem ser ao pé deste pedaço de bosta também, a bem dizer) não conseguiu: a tristeza de antes passou a depressão. Nunca tive pensamentos suicídas, mas estava convencida que morrer seria menos doloroso do que aquilo por que eu estava a passar.
Foi nesses dias de tratamento de silêncio da criatura que eu decidi "agarrar em mim" e ir para França ser Au Pair. E foi essa experiência que me deu de volta a alegria de viver.
A criatura ainda me assombrou mais uns tempos (depois de me ter tentado vender a ideia de que era uma pessoa muito traumatizada com um relacionamento passado, coitadinha, e que não conseguia ter um relacionamento sério - e ter-me deixado quieta no meu canto em vez de me vir atormentar só para alimentar a p**** do ego, não teria sido uma boa ideia?) até que eu fui para Londres e os meus interesses mudaram de direção e ele, quando percebeu isso, deixou-me em paz. Não falamos desde essa altura (corria o ano de 2011, já tinha passado mais de um ano desde o início daquela "brincadeira").
Entretanto o Facebook tratou de me informar que a pobre criatura traumatizada lá viu a luz e encontrou o amor (aquele que ele já tinha encontrado comigo - ahahahahah! - mas que o seu ser interior não lhe permitia viver, que ele tinha nascido mas era para ser uma alma livre e correr o mundo) e, no fim-de-semana que passou, parece que se casou (com um outfit medonho - que fique registado. obrigada universo por não teres atendido às minhas preces de um dia casar-me com ele. é que, se eu já não tivesse aberto os olhos antes, no segundo em que eu pusesse os olhinhos naqueles calções (????!!), teríamos noiva em fuga na certa).
E eu, apesar de há muito ter deixado de ter sentimentos (bons) por esta pessoa, tenho que confessar que não consigo ficar feliz com a felicidade dele no departamento do amor. Também não fico infeliz, calma, mas há aqui dentro um ressentimento que me impede de lhe desejar o melhor no amor.
Como costumo dizer às minhas amigas, não lhe desejo nada de mal...apenas que tenha sexo mediano o resto dos seus dias :p.