domingo, 29 de março de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #15 - Balanço de seis meses de amamentação exclusiva

Não me perguntem porquê (que não sei responder) mas amamentar nunca foi um dos cenários associados à maternidade com que eu sonhasse propriamente. Mas sabendo que era a melhor opção para o meu filho, comprometi-me desde o início comigo própria a tentar pelo menos. E assim fiz.
Amamentar deveria ser instintivo: afinal de contas, desde que existe a espécie humana que as mulheres amamentam. Bom… pelo menos comigo não foi assim tanto.
Mas comecemos pelo início. Eu tinha aprendido no curso de preparação para o parto que o ideal seria o bebé mamar logo na primeira hora de vida e que, sendo-lhe dado tempo, fá-lo-ia naturalmente quando pousado no nosso peito. O Gustavo foi posto em cima de mim quando nasceu, mas foi por uns minutos apenas (de seguida levaram-no para os testes de rotina, e depois disso fui para o recobro e enquanto isso ele estava na mesma sala que eu, mas num berço longe de mim). Ninguém, em momento algum, falou comigo sobre a amamentação. Foi apenas quando me estavam a levar para o quarto que uma enfermeira me perguntou se eu ia querer amamentar e, quando eu disse que sim, deitou o meu filho ao meu lado virado para mim (eu estava também de lado). Só isto. Como se fosse óbvio o que eu devia fazer a seguir. O facto é que o Gustavo mamou logo e correu (aparentemente) tudo bem. Mas no início do segundo dia de vida dele já me começou a doer um dos mamilos (conforme dizem todos os profissionais: se a pega do bebé for bem feita, amamentar não deve doer). Os enfermeiros eram todos muito simpáticos e diziam para chamar se precisássemos de ajuda (mas uma pessoa sabe lá que ajuda é que precisa!), mas apenas uma enfermeira, no último dia, olhou para mim com "olhos de ver" e deu-me logo uma massagem no peito, deu-me os parabéns porque eu já tinha leite (e já não apenas colostro) e aconselhou-me a massajar muito para não deixar ficar com o peito demasiado duro. De resto, tive ajuda duma querida funcionária de limpeza, que me ajudou a experimentar uma posição diferente para dar maminha ao Gustavo (e que no dia seguinte fez questão de me ir ver e perguntar como estava a correr).
Os primeiros dez dias foram dolorosos: o peito ficava duro com muita rapidez, as massagens para amenizar a coisa eram muito dolorosas, e a ferida no mamilo não só não melhorou como piorou (e deixei de dar maminha dessa mama, até ter tido uma consulta de amamentação, por volta do 5º dia de vida do Gustavo - tirava leite com bomba dessa mama). Quando fomos fazer o teste do pezinho, por volta do 5º dia, tive uma consulta de amamentação com uma enfermeira querida que me ajudou imenso (ensinou-me uma posição para não me doer o mamilo ferido - e não doeu mesmo! - e aperfeiçoámos a pega do Gustavo). Depois disso, ao 7º dia continuava com dores e foi quando decidi experimentar mamilos de silicone. Usei-os durante uns dias (3 ou 4) e se não tivesse sido isso não sei se teria aguentado. Sei que há profissionais que não aconselham, mas acho mesmo que me salvaram a vida naqueles dias.
Ao final de uns 10 dias começou, finalmente, a correr melhor, e deixei de ter dores (ou pelo menos passaram a ser bem mais ligeiras). Sinceramente, quando ouço relatos de mastites e de mulheres que tiveram dores durante meses sinto-me uma sortuda pela experiência que tive. 
Só que na verdade o meu filhote nunca mamou lá muito bem (apesar de claramente o fazer de forma eficaz, porque não ficou um pequeno leitão do ar que respira), o que fez com que a maior parte da nossa experiência não tenha sido caraterizada por momentos íntimos de tranquilidade entre nós. Tranquilidade é palavra que se aplica pouco à minha experiência de amamentação.  Minto: nos primeiros dois meses, eventualmente três, a coisa era relativamente tranquila (apesar das cólicas), mas depois parece que piorou (e eu não consigo perceber o porquê). Ele era a criança a pôr e tirar a boca n vezes, ele era criança a esbracejar enquanto mamava (muitas vezes a bater-me mesmo), ele era criança às vezes queixosa com cólicas (também) enquanto mamava. Enfim... Havia dias mesmo frustrantes em que me sentia mesmo triste e só pensava "Que bom que estamos quase a deixar a amamentação exclusiva" e "Duvido que vá ter saudades disto". 
Houve ali uns dias, por volta da altura do meu regresso ao trabalho, em que as cólicas não só não melhoraram como ainda ficaram piores (principalmente à noite) e eu ponderei seriamente antecipar a diversificação alimentar, com esperança que com isso as cólicas melhorassem. Mas não havendo evidência de que tal aconteceria, e sabendo que o recomendado pela OMS é a amamentação exclusiva até aos 6 meses, lá continuei firme na minha opção.
A amamentação exclusiva durou até o Gustavo ter 6 meses e 10 dias (como queríamos fazer baby led weaning - falo sobre isso noutro post - esperámos que ele conseguisse sentar-se de forma minimamente segura, e isso só aconteceu por volta dessa altura).
Nunca, durante estes seis meses, e apesar das dificuldades, ponderei desistir de amamentar. A promessa que tinha feito a mim própria de só tentar até ao limite do razoável? Talvez a tenha incumprido em alguns momentos dos primeiros dias. Mas agarrei-me aos n relatos que diziam que o difícil são os primeiros dias e, passada essa fase, passa a correr bem.
Sendo muito honesta, talvez pela experiência que tive, apesar do balanço ser claramente positivo, não adoro amamentar. Faço-o pelo meu filho e porque sei que é o melhor para ele. Se me enche o coração pensar que tenho o melhor alimento do mundo para ele? Sim. Mas vejo a amamentação duma forma muito prática e pouco romântica. Prefiro mil outros cenários de cumplicidade que tenho com o meu filho do que a amamentação. E não há problema nenhum com isso. Se vou ter saudades no dia em que ele deixar de querer maminha? Boa pergunta. Cá estarei para descobrir a resposta ;).

quarta-feira, 11 de março de 2020

Leituras



Factfulness

Avaliação do Goodreads: 4,37/5
Minha avaliação: 5/5

Que livro tão, mas tão interessante! E é tão informativo que arrisco-me  dizer que é daqueles que toda a gente deveria ler. Faz mesmo pensar sobre a visão que temos do mundo (de uma forma bastante otimista, para variar).
O autor, Hans Rosling, é um professor de saúde internacional com uma experiência profissional e de vida riquíssimas, que nos mostra - com base em factos - como o mundo, no geral (em termos educacionais, de distribuição da riqueza, saúde, esperança de vida, etc), está muito melhor do que aquilo que temos tendência a pensar (e que nos mostram diariamente os telejornais). 


O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido

Peguei neste "O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido" à espera de algo diferente, mais humorístico. Ao início cheguei a arrepender-me de o ter comprado, mas no final da leitura a opinião global é positiva.
A autora é psicoterapeuta, e muito resumidamente aponta a educação que tivemos por parte dos nossos pais como a causa de praticamente todas as nossas "falhas" enquanto pais. Mas faz outra coisa - essa, achei bem mais interessante - que é dar-nos ferramentas para comunicar e entender as necessidades dos nossos filhos numa perspetiva de diálogo e compreensão, tentando evitar aquela postura autoritária do "Fazes assim porque eu sou a mãe/pai e eu é que mando". Claro que este cenário idílico não será sempre possível e haverá crianças mais fáceis de se aplicar estas estratégias que outras, mas é uma abordagem que me parece muito interessante e que vou, definitivamente, (tentar pelo menos) aplicar com o meu filho.



A rapariga do casaco azul

Avaliação do Goodreads: 4,05/5
Minha avaliação: 4/5

"A rapariga do casaco azul" é um young adult que se passa em Amesterdão na época da II Guerra Mundial. É um tema do qual nunca me farto de ler: sobre pessoas que arriscaram a sua vida para ajudar muitas vezes desconhecidos cuja vida foi posta em risco apenas por serem judeus.
Não está no meu top de favoritos sobre o tema, mas foi uma leitura interessante.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #14 - Balanço da minha "pausa" na licença para um mês de trabalho

[A três dias do regresso a casa]
Depois dos primeiros dias em que senti na pele (e principalmente no cérebro) os efeitos da privação de sono (motivada principalmente por insónias, porque quanto ao restante cenário habitual de 3 a 4 despertares noturnos já me "habituei" de certa forma), começou a correr tudo melhor. Voltei a sentir-me minimamente bem durante o dia, e a conseguir raciocinar decentemente no trabalho. Na verdade, deixei de me sentir muito cansada (como me sentia quase todos os dias em que estava em casa de licença) para sentir-me "só" cansada. E agora que vou voltar para casa e sei que o Gu (que já pesa quase 9kg) ainda precisa de muito colo para adormecer durante o dia... confesso que não fico aos pulos de contente com a ideia do regresso.
Tal como nos primeiros dias, não morri de saudades do meu filho, nem passei os dias a pensar nele. E era muito boa a sensação de chegar a casa cheia de vontade de passar tempo de qualidade com ele, depois de umas horas separados. Não sei qual será a sensação de ir trabalhar e deixar o nosso filhote na creche: para já só sei o que é deixá-lo com o pai. E essa realidade deixou-me (como deixa sempre, independentemente de se vou trabalhar ou fazer outra coisa qualquer) completamente tranquila e descansada. A única coisa que pedia ao pai para fazer todos os dias era informar-me dos sonos e de quando o Gu bebia o biberão. Desde que ele fizesse isso eu não o "chateava" com mais perguntas. Nos primeiros dias confesso que estava sempre a olhar para o telemóvel principalmente à hora do biberão, mas depois até em relação a esse assunto consegui relaxar. Felizmente até hoje o Gustavo nunca rejeitou um biberão (usámos sempre o tetina calma da Medela).
A única parte verdadeiramente chata associada ao trabalho foi mesmo o ter que extrair leite à hora de almoço: para além de ser um tédio, de não ser a atividade mais confortável do mundo e de retirar algum tempo, sentia-me sempre uma espécie de criminosa por estar a fazê-lo com receio de aparecer alguém, apesar de ter sempre quem me ajudasse a assegurar que não apareciam "intrusos" (a casa de banho não era opção por falta de condições).
O balanço deste mês foi claramente positivo. Foi bom sair da "bolha" em que tenho vivido nos últimos meses, voltar a fazer coisas não relacionadas com a maternidade, arranjar-me todos os dias e vestir roupa "decente" (apesar de continuar a não poder vestir os meus ricos vestidos sem botões por causa de ter que tirar leite) e matar saudades de alguns colegas.
Sempre achei, mesmo antes de ter filhos, que não seria pessoa de me sentir 100% realizada a ser "só" mãe. E agora que sou mãe - e passados aqueles tempos iniciais em que só conseguia efetivamente viver em exclusivo para o meu bebé - confirmo isso. Acho que até me tenho "safado" bem neste que é, sem dúvida, o papel mais difícil que já desempenhei na vida, mas faz-me bem sentir-me útil também "noutras frentes". 

quinta-feira, 5 de março de 2020

Leituras

Nunca mais vos tinha atualizado sobre as minhas leituras, mas o motivo não é, de todo, a ausência delas. Se há coisa que tenho feito bem mais do que esperava desde que sou mãe (a única, arrisco-me a dizer) é ler. Por vários motivos: um deles é o facto de agora me proibir terminantemente de ir para a internet no telemóvel quando vou para a cama (porque é coisa que acaba por me despertar e nesta fase da minha vida em que tenho um bebé que acorda, no mínimo, três vezes por noite, não me posso dar ao luxo de desperdiçar oportunidades de dormir) e como tal leio sempre umas páginas antes de adormecer. E porque muitas das vezes em que acabo com a cria a dormir as sestas em cima de mim (é a única forma de fazer sestas longas, sozinho raramente chegam aos 45 minutos) se ele estiver em dias calmos de poucas cólicas consigo arranjar maneira de ler enquanto ele dorme (já que pouco mais consigo fazer com ele em cima de mim). A modos que nos dois primeiros meses do ano consegui despachar seis livros. Nada mau, hã? 
Para o post não ficar gigante, vou falar-vos de 3 deles para já.


Raparigas como nós

Avaliação do Goodreads: 4,42/5
Minha avaliação: 3,5/5

Li este livro por dois motivos: porque é da Helena Magalhães (a criadora do HM Bookgang que eu sigo no Instagram) e porque tem ótimas críticas.
Foi uma leitura muito fluida e a história é cativante mas...é um young adult, que não é dos géneros literários que mais me entusiasma. Para quem seja fã do género, recomendo bastante. Para mim foi uma leitura interessante, não sendo espetacular.


A guerra que em ensinou a viver

Avaliação do Goodreads: 4,41/5
Minha avaliação: 4/5

Este livro é a continuação do "A guerra que salvou a minha vida", de que vos falei aqui e que adorei (é sobre a história de dois irmãos ingleses na época da II Guerra Mundial). Tal como aconteceu no primeiro, li-o num instante. Não gostei tanto como do primeiro, mas vale muito a pena de qualquer forma. É uma história enternecedora e deliciosa sobre amor (não o amor "romântico", mas o familiar...da família de sangue e daqueles que amamos como se fossem).


10 dias para ensinar o seu filho a dormir

Avaliação do Goodreads: 3,22/5
Minha avaliação: 4/5

Este livro não cabe propriamente na categoria de lazer. Cabe mais na de "despespero de uma mãe" :p. Tenho lido imeeenso sobre o assunto, daqui a nada sinto-me eu própria capaz de escrever um livro mas...resultados práticos é que (ainda) não conseguimos grande coisa lá por casa. Mas continuo firme à espera do fim das cólicas do meu filho (sim, faz 6 meses para a semana e ainda tem cólicas) para confirmar (ou não) que elas são um dos grandes entraves aos sonos de qualidade do meu filho. Depois disso prometo que escreverei aqui a nossa experiência desde que tivemos consulta de sono até agora.
Mas passando então ao livro, lê-se num instante (é muito pequeno) e tem informação interessante. 
Quanto à técnica recomendada, não a apliquei (ainda...?). Por dois motivos: porque o livro foca essencialmente no ato de adormecer os bebés com mais de 6 meses (ainda não é o caso do nosso), e para o sono da noite. Os problemas lá por casa são mais as sestas, e o facto de o Gustavo acordar várias vezes durante a noite (mas raramente tem problemas em readormecer durante a noite). Para além do que como fomos a uma consulta, decidimos seguir a estratégia que nos foi recomendada nessa consulta. 
Se os vossos filhos tiverem mais de 6 meses e tiverem problemas especificamente a adormecer de forma minimamente autónoma para o sono da noite e acham que já experimentaram tudo e mais alguma coisa, talvez possam ter interesse em aplicar a estratégia recomendada neste livro.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #13 - Regresso ao trabalho (por um mês)

No dia 11 de fevereiro chegaram os fim os meus 150 dias de licença, pelo que "troquei" com o pai da criança durante um mês: fui trabalhar, e ele ficou em casa com o Gustavo.
Depois de ter passado por uns dias especialmente complicados em janeiro, em que ainda não conseguíamos adormecer o Gustavo deitado durante o dia e ele, já com 8kg, dava muita luta no colo depois de adormecer (cólicas...what else?), achei ingenuamente que iria quase sentir-me de férias quando regressasse ao trabalho. O que até poderia ser verdade a nível de esforço físico diário...não fosse a privação de sono.
Na verdade o sono do Gustavo não mudou quase nada (continuou a acordar em regra três vezes por noite), mas nos primeiros dias eu tive muito mais dificuldade em adormecer do que o habitual (só pela preocupação de ter que dormir para estar minimamente bem para conseguir raciocinar no trabalho) - e acreditem que fazer esse esforço 3 vezes por noite é dose. E com isso, depois do almoço apoderava-se de mim uma dor de cabeça que por regra não sinto quando fico em casa. Já para não falar da hora em que atingia o pico do cansaço - a meio da tarde, quando saía do trabalho - em que estava tão de rastos que sentia um mal estar no corpo todo, chegando a ter uma sensação de que vou vomitar, tal era o meu estado. Mas lá chegava a casa, matava saudades do meu filhote, e a indisposição melhorava ligeiramente. Isto aconteceu durante a primeira semana e meia, até que depois de um pico de insónias consegui voltar a readormecer melhor e voltei a sentir-me muito melhor durante o dia.
Pessoas que não têm filhos: pode não parecer, mas não quero, de todo, assustar-vos com esta descrição. Estou apenas a relatar a minha experiência com a máxima honestidade (e porque a quero recordar no futuro). Mas o facto de o meu filho dormir mal (e continuar com cólicas aos 5 meses!) não quer dizer que os vossos filhos venham a dormir mal também. Há todo o tipo de bebés e experiências, e nunca se sabe o que nos vai calhar "na rifa". Só espero que tenham mais sorte do que eu neste aspeto ;).
Mas passando a parte do sono, como foi regressar ao trabalho e deixar a criança entregue ao pai? Ora, o único inconveniente foi mesmo o querer manter a amamentação exclusiva, e então não só ter que extrair leite no trabalho à hora de almoço (é maravilhoso...só que não!) como ainda ter que stressar um pouco com horários de sair e chegar a casa para conseguir que o Gustavo beba apenas um biberão enquanto eu estou fora de casa. Mas depois de nos primeiros dois dias ter corrido tudo super bem nesse aspeto, consegui relaxar um pouco.
Talvez se o meu filho estivesse na creche, e não em casa com o pai, eu estaria preocupada e pensaria mais vezes nele durante o dia. Mas o facto de o saber tão bem entregue deixa-me tão relaxada que, sendo muito honesta, não me custa passar estas horas longe do meu filho. E não penso nele a toda a hora. E chego a casa com uma saudade boa e saudável que me faz aproveitar ainda melhor o tempo com ele.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sobre o meu aniversário (e a nossa escapadela de fim-de-semana)

Nesta fase da minha vida, a única coisa que desejei com muita força receber neste meu aniversário foi uma noite de sono razoável (já que tudo o resto eu já tinha). Não aconteceu: a noite foi má, daquelas dignas de deixar a pessoa com um peso na cabeça o dia todo. A juntar à festa esteve um dia miserável (choveu o dia todo) e não deu para sair de casa com o meu filhote para um passeio. Mas estive com as pessoas mais importantes da minha vida e fui ao ginásio.
A noite seguinte ao meu aniversário foi bem melhor, e sábado ao início da tarde estávamos de partida para uma escapadela de fim de semana em família. O lugar escolhido foi a Casa do Mundo, no Calhariz (pertinho de Santarém). E que bem escolhido foi! Os anfitriões (ela brasileira, ele holandês) são dos mais atenciosos e simpáticos que já conheci (sabem aquelas pessoas que nasceram mesmo para receber pessoas? e que têm o alojamento com todos os detalhes pensados ao mais pequeno pormenor? são eles.). Para além da decoração da casa (e do estúdio onde ficámos os três) ser lindíssima (para os meus padrões, claro), a zona envolvente é espetacular (está rodeada de natureza e inspira uma paz enorme). E o bónus? Um pequeno almoço maravilhoso, do mais variado que possam imaginar.






Retirando a nossa viagem à Madeira no Natal, esta foi a primeira vez que saímos de Lisboa com o nosso amorzinho para um fim de semana fora, e correu muito bem. Fez as viagens de carro igual a ele próprio (dorme 30 minutos e acorda), e esteve super bem disposto e atento a tudo o que viu. 
Sou uma adepta de rotinas com o nosso bebé, principalmente a nível de sono, e sinto que sempre que elas não acontecem acabamos por pagar a fatura (torna-se mais difícil adormecê-lo e não dorme tão bem). Mas caramba, é verdade que a chegada de um bebé nos vira a vida do avesso, mas temos que nos esforçar por continuar a vivê-la. Mesmo que o preço a pagar por isso sejam umas horas (ou um dia seguinte) mais complicadas para voltar à "programação habitual". E este fim de semana maravilhoso que tivemos valeu todo o esforço.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

33

Foto daqui.

E hoje faço 33 anos.
Será o meu primeiro aniversário como mãe (com o bebé fora da barriga, que ele já andava por cá há um ano) e será um dia muito parecido ao de ontem, anteontem e todos os dos últimos meses: a cuidar do meu bebé querido.
Mas terei o extra de ter os meus pais por perto, e amanhã vamos todos em passeio para a zona de Santarém. Vamos lá ver como corre o primeiro weekend getaway com o nosso bebé. [Quando voltar conto-vos tudo.]

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Reflexão pré aniversário

Faço anos daqui a pouco mais de uma semana. 33 (God!). E, se cada vez ligo menos ao dia de aniversário (apesar de gostar de usá-lo como pretexto para laurear a pevide), este ano quase que me esqueço que o dia está mesmo aí a chegar. Só não passará em branco porque aproveitei o pretexto para (finalmente) marcar uma noite para nós 3 num alojamento simpático perto de Santarém, e entretanto os meus pais decidiram marcar uma visita para esse mesmo fim de semana, pelo que vão juntar-se a nós.
Desde setembro - altura em que o meu filho nasceu - sinto-me a viver numa bolha em que praticamente tudo o que não se relacione com ele me passa ao lado. Sei pouco do que se passa no mundo, nem me apercebi da chegada do natal e ano novo e, apesar de ter estado com a minha família na Madeira e de ter sido ótimo, mesmo aí mantive a minha "bolha" e só saí dela para o mínimo indispensável.

Imagem daqui.

A maternidade está a ser uma experiência tão desafiante e plena que sobra, efetivamente, pouco espaço para viver fora dela nestes primeiros tempos. 
Pela primeira vez desde que me lembro, não há sequer nada que me tenha ocorrido que gostaria de receber como prenda de aniversário (normalmente os meus pais e o senhor namorado dão-me as prendas escolhidas por mim). Roupas e afins? Para além de eu já há mais de um ano estar muito mais consciente e seletiva nas compras que faço, a amamentação (e o facto de passar imensos dias ou em casa com o meu filho, ou a dar apenas uma voltinha a pé pelas redondezas) ainda menos vontade me dá de ter roupa nova nesta fase. Experiências gastronómicas ou passar uma noite fora? Como eu adoro as duas - e até vamos fazê-lo - mas agora a logística é bem diferente - o que acaba por nos demover em fases de maior cansaço. Não há nada que eu precise, na verdade. Bem, o que eu precisava mesmo não dá para comprar: queria uma noite completa de sono e um dia inteiro sem fazer nenhum, mas ainda não tenho coragem de deixar o meu filhote (para além do que ele ainda mama no mínimo duas vezes por noite, e não me apetece muito recorrer às alternativas). Para além do que praticamente não temos família por perto, pelo que também as oportunidades para tal não são propriamente muitas. Mas está tudo bem. Os 32 deram-me a maior bênção de sempre - o meu filho - e vou entrar nos 33 com as pessoas mais importantes da minha vida. Que mais posso eu querer?

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #12 - Fomos a uma consulta de sono

Com o aproximar dos 4 meses de vida do Gustavo e a constatação de que o sono dele nunca esteve tão mau, decidimos marcar uma consulta de sono infantil. Eu tinha referência de três especialistas cujo trabalho acompanho e aprecio (nas redes sociais, no caso das duas primeiras, e nos livros publicados, no caso da última): a dra. Andreia Neves (dá consultas no Centro Pré e Pós Parto, mas como é do Porto penso que seria mais complicado arranjar vaga), a dra. Mafalda Navarro (que dá consultas na Clínica da Criança e do Adolescente, e é psicóloga clínica especialista no sono do bebé), e a terapeuta de bebés Constança Cordeiro Ferreira (dá consultas no Centro do bebé). Mandei email para os três locais a pedir informações, e marquei com o primeiro que me respondeu: a Clínica da Criança e do Adolescente.
Independentemente dos efeitos que a consulta possa vir a ter a nível do sono do Gustavo (escrevo o início deste post dois dias depois da consulta), posso dizer que adorei a consulta e aprendi coisas essenciais sobre o meu filho (e não necessariamente diretamente relacionadas com o sono dele). Algumas delas aparentemente tão óbvias que me deixaram algo frustrada a pensar 'Porra, como é que isto é tão evidente e eu não via?".
Dizem os entendidos que os bebés comunicam todas as suas necessidades e nós 'só' temos que aprender a linguagem deles. É tão verdade...e tão fácil e tão difícil ao mesmo tempo.
Antes de mais devo dizer que continuo a achar que muitas das vezes em que o Gustavo acorda demasiado cedo das sestas (ou até dos sonos da noite, às vezes) o que o motiva são as cólicas e quanto a isso só nos resta esperar que passem. Mas quanto ao resto...
O Gustavo estava a mamar em média 10 vezes por dia (façam contas às horas que tem um dia e vejam lá a minha vida), sendo que durante o dia raramente fazia intervalos de 2h30m sem mamar. A dra. Mafalda disse que com 4 meses ele já aguentaria bem 4 horas sem comer (a relação disto com o sono da noite, em que ele ainda acorda 3 vezes para mamar? Pode ser por estar habituado a mamar com muita frequência durante o dia - e não necessariamente por fome - que ele acorda tantas vezes de noite). Eu fiquei meio em choque e o meu primeiro pensamento foi 'Mas como???'. Ora, na verdade eu continuo (continuava?) sem saber ler bem os sinais de fome do Gustavo e então quando passava das 2h sem comer e eu via que ele começava a ficar mais chatinho dava-lhe maminha. E dava apenas uma maminha em cada refeição, apenas porque em tempos oferecia a outra mama depois da primeira e ele rejeitava.

Fotografia tirada no primeiro dia do ano, no passeio (tão bom) que fizemos à Costa da Caparica.



O Gustavo mamou durante a consulta. Depois de dar uma maminha, a dra. sugeriu oferecer a 2a e ele... aceitou de bom grado. E adivinhem daí a quanto tempo voltou a mamar? 4 horas. (Eu sei, lendo isto de fora também diria 'Mas esta pessoa precisou de pagar a uma especialista de sono para perceber isto?'. Pois bem, meus amigos, a resposta é sim.).
Em relação às sestas diárias, dissemos à dra. Mafalda que o Gustavo fazia à volta de 5 micro sestas de 30/45 minutos. Ela sugeriu passarmos para 3 sestas de duração maior, sendo que deveríamos voltar a adormecer o Gustavo quando ele acorda ao fim das micro sestas (há bebés que fazem micro sestas e são suficientes para eles. O facto de o Gustavo acordar várias vezes durante a noite poderá ser sinal de que não está a dormir suficientemente durante o dia. Parece contraditório, mas segundo os especialistas quanto pior os bebés dormirem de dia, pior dormem de noite porque estão demasiado cansados para conseguir fazê-lo sozinhos e então acordam, mesmo querendo/precisando efetivamente de dormir). Ora antes, quando ele acordava sem reclamar eu assumiu que ele tinha dormido o que precisava. Aparentemente não é verdade, porque tenho tentado voltar a adormecê-lo e guess what? Volta a dormir em poucos minutos (às vezes um minuto ou dois), sem reclamar e aguenta até duas horas a dormir no total.
A verdade é que o motivo principal que nos levou à consulta foi o quão penoso tem sido adormecer e manter os sonos do Gustavo durante o dia (porque só adormece ao colo - e pior que isso, temos que estar de pé, de preferência a subir escadas ou simular esse movimento - e quando o pousamos não aguenta muito tempo) e o nosso objetivo era (é) que ele consiga adormecer deitado na caminha dele. Mas a dra. sugeriu começar pelas mudanças que falei anteriormente (mais espaçamento entre refeições e tentar prolongar a duração das sestas e reduzi-las em quantidade) e depois então focar nesse objetivo. E a nós fez todo o sentido, até porque estes passos deverão facilitar o atingir desse nosso objetivo 'final'.
Trouxemos então o 'tpc' para casa e marcámos nova consulta para dali a três semanas. Para já posso confirmar que sim, o Gustavo aguenta 4 horas seguidas sem comer durante o dia e sim, dorme sestas de 2 horas ou mais (ao colo, mas dorme).
Voltarei em breve com novidades sobre este assunto. Até lá torçam por nós, que bem precisamos. 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #11 - Balanço de 4 meses de maternidade (o melhor e o pior)

No dia 14 de janeiro o Gustavo fez quatro meses. Este tempo passou tão rápido, apesar de certos dias parecerem intermináveis e todos iguais... Se acho que vou ter saudades destes quatro meses? Ora bem: vou certamente ter saudades do meu bebé pequenino (aliás, já as tenho...), mas da dureza da rotina dos primeiros meses, das cólicas e de acordar várias vezes por noite...hmmm, duvido muito.
As primeiras cinco semanas de vida do Gu correram muito bem: as cólicas ainda não tinham chegado em força, e ele dormia mais tempo tanto de noite como de dia, e nem precisava que o ajudássemos a adormecer. E nós, pais, conseguíamos ir "respirando". Depois dessa fase tudo mudou e adeus vida além Gustavo. Consome-nos praticamente todos os minutos, dia após dia, este ratinho.
O melhor de toda a experiência é mesmo o cliché tão verdadeiro de sentir este amor maior que tudo (que acaba por ser, ao mesmo tempo, também o pior, porque a ideia de lhe poder acontecer alguma coisa de mal, de não o conseguir proteger de todos os males do mundo, é assustadora). Vê-lo evoluir a cada semana, sorrir para nós (e agora começou também a dar gargalhadas), "palrar", são sensações que não dá mesmo para descrever de tão boas que são. Parece que o coração quer explodir.
Já o pior - passados os primeiros dez dias de maternidade em que a adaptação à amamentação foi terrível - tem sido mesmo as cólicas do Gustavo e os sonos (de noite porque acorda, em média, 3 vezes, apesar de adormecer de forma relativamente fácil desde os dois meses; e de dia porque só adormece ao colo (e está um texuguinho de 7kg, não é fácil) e, pior que isso, nem sempre conseguimos pousá-lo sem que ele acorde e quando não acorda, os sonos duram no máximo 45 minutos (é um relógio, este meu filho).

[A foto - maravilhosa - foi tirada pela Sofia da Lovetography - quando o Gustavo tinha 14 dias de vida.]



Em relação à amamentação, tenho imensa satisfação no facto de o meu filho, com quatro meses, continuar em amamentação exclusiva mas só porque sei que é a melhor opção para ele a nível de saúde porque, sendo muito sincera, não sou aquela mulher que ama amamentar (é limitativo a vários níveis, e acima de tudo é uma "prisão" porque não podemos estar longe da cria mais de 2 horas seguidas).
Tem sido uma experiência super enriquecedora e gratificante, e sinto-me mesmo sortuda por ter um bebé saudável e feliz. Mas tem sido também muito duro: mas também acho, genuinamente, que isso se deve muito ao facto de nós praticamente não termos família por perto - o que não será a realidade da maior parte das pessoas (mas também há realidades mais difíceis, tipo mães/pais solteiros, que têm toda a minha admiração e respeito). Porque há dias em que tudo o que apetece é uma hora ou duas simplesmente para respirar ou não fazer nada e pura e simplesmente não dá, porque só estamos os dois (às vezes até tarefas domésticas me apetece fazer para "espairecer" e nem isso consigo). Vamos ao ginásio à vez, saídas (para jantar ou o que quer que seja) ao final do dia não dá porque altera toda a rotina de sono do início da noite do Gustavo, ir almoçar fora a qualquer lugar sem pensar se é viável levar um bebé, ou com hora marcada, também é muito difícil (não faço uma reserva no The Fork desde que fui mãe). E qualquer um destes cenários seria possível se tivéssemos um familiar por perto que se disponibilizasse para ficar com o Gu por um par de horas. Não tendo, o cansaço psicológico de viver praticamente 24 sobre 24 horas para ele faz-se sentir.
Mas tudo se faz. Haja muito amor e paciência. E a recompensa - de estar a criar um ser humaninho adorável que só apetece espremer de tanto amor - não podia ser melhor.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #10 - Os três meses do Gustavo (e novas rotinas)

Foi por volta do meio do mês de dezembro que comecei a notar que o Gustavo já tinha um padrão de sono: começou a dormir 10/11 horas de noite (embora com 3 despertares pelo meio) e a fazer uma média de 5 sestas por dia (normalmente são micro sestas que duram entre 30 a 45 minutos. o que fazemos é tentar que ele não esteja acordado mais de 1h30m entre elas - normalmente a partir daí começa a ficar chatinho e torna-se mais difícil adormecê-lo). 
Uma ferramenta que me tem ajudado imenso a monitorizar sonos e refeições do Gustavo, e que me permitiu aperceber-me mais facilmente destes padrões do sono do Gustavo, é uma app que uso e que amo: chama-se Baby Tracker e marco lá sempre que o Gustavo mama, sempre que faz cocó/xixi, quando e tempo tempo dorme, banhos, vitaminhas (para não me esquecer de as dar) e até posso anotar mais dados mas são estes os que acho relevantes e que anoto. Recomendo imenso a pais nos primeiros meses de vida dos bebés, mesmo - numa altura em que o nosso cérebro está tão cansado, qualquer ajuda é bem-vinda.


Depois de voltarmos da Madeira, e porque o tempo colaborou (a chuva foi-se embora e vieram dias de sol), instituí uma nova rotina cá por casa nos dias de semana, que é dar um passeio de carrinho nas redondezas de casa (vamos ao supermercado comprar pão, ao parque) na altura do terceiro sono do Gustavo: é da maneira que arejo e que não tenho que adormecê-lo (já que esta é a única forma de ele adormecer durante o dia que não seja ao colo). Isto também se deveu ao facto de eu ter recuperado alguma energia pelo facto de o Gustavo já dormir mais horas de noite: é verdade que custa horrores ter que acordar para dar de mamar, mas deitando-me cedo, e enquanto não estou a trabalhar, vou conseguindo perfazer 6/7 horas de sono. Algumas vezes dá-me para ter insónias depois do segundo despertar da noite (a mim e ao pai da criança) que duram mais de 1 hora - é absolutamente horrível, principalmente numa fase e que queremos aproveitar todos os minutos de sono da criança.
Mas bem, isto para dizer que por volta do terceiro mês de vida do Gustavo - e apesar de ser muito duro ter que adormecê-lo várias vezes ao dia, e de ele fazer micro sestas - recuperei alguma da minha energia e começou a ser mais fácil aguentar a exigência do dia-a-dia com o meu filhote. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

2019 em livros (e opinião sobre as últimas leituras)

  • Lá, Onde o Vento Chora by Delia Owens
  • O livro de magia das mães by Constança Cordeiro Ferreira
  • A Gorda by Isabela Figueiredo
  • Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa by Éric-Emmanuel Schmitt
  • Milagre by R.J. Palacio
  • Os Bebés Também Querem Dormir by Constança Cordeiro Ferreira
  • Grávida by Sarah Jordan
  • Pequenos Fogos em Todo o Lado by Celeste Ng
  • Princípio de Karenina by Afonso Cruz
  • Dois Guardam um Segredo by Karen M. McManus
  • A Educação de Eleanor by Gail Honeyman
  • O Rapaz Escondido by Katherine Marsh
  • Eleanor & Park by Rainbow Rowell
  • A Ilusão de Merit by Colleen Hoover
  • O Rouxinol by Kristin Hannah
  • O Projeto Rosie by Graeme Simsion
  • A Guerra Que Salvou a Minha Vida by Kimberly Brubaker Bradley
  • O Homem de Giz by C.J. Tudor
  • A Ponte Invisível by Julie Orringer
     

























































Tracei um objetivo modesto de 18 livros para 2019 (1,5 por mês), e mesmo a maternidade tendo-se "metido" entretanto pelo meio, consegui cumprir (e até superar). Já não leio no autocarro nas viagens para o trabalho (porque não estou a trabalhar), mas na grande maior parte das noites leio antes de dormir, quando o Gustavo já dorme. Mesmo que não tenha cinco minutos durante o dia para mim (às vezes acontece), raramente não tenho aquele momento de leitura ao final do dia, e sabe-me lindamente.
Reparei, entretanto, que deixei de vos dar feedback das minhas leituras a meio do verão, pelo que aqui vai uma opinião muito breve dos últimos livros que li:
- Pequenos fogos em todo o lado: Bem escrito, tem uma história que prende (o verdadeiro page turner), achei bastante interessante. Dei 4 de avaliação (avaliação do Goodreads: 4,11/5).
- Milagre (Wonder, na versão original): Uma história sobre um menino que nasce com uma condição rara que o faz ter um aspeto muito peculiar. Retrata a integração do mesmo na sociedade, e em especial na escola. É uma história mesmo bonita e tocante. Minha avaliação: 4,5. Avaliação do Goodreads: 4,45/5.
- Os bebés também querem dormir e O livro de magia das mães, ambos da terapeuta de bebés Constança Cordeiro Ferreira: Se estão grávidas ou são recém mães, façam um favor a vocês próprias e leiam estes livros. Um dele aborda mais a perspetiva dos bebés, o outro das mães, mas ambos dão ferramentas para lidarmos com os primeiros tempos (e dificuldades) da parentalidade e, acima de tudo, fazem-nos sentir humanas com as nossas fraquezas. Li o primeiro ainda grávida e voltei a ler depois do Gu nascer, e ainda achei mais importante a leitura desta segunda vez, porque já conseguia associar aquele discurso ao meu bebé em específico. O primeiro tem 4,39/5 no Goodreads, e o segundo 4,40/5. Para mim cada um merece 5.
- A gorda: Gostei da escrita, a história está construída duma perspetiva interesssante e original, mas sinceramente não me prendeu muito (li-o nas primeiras semanas de vida do Gustavo, talvez isso não tenha ajudado). Minha avaliação: 3. Avaliação do Goodreads: 3,85/5.
- Lá, onde o vento chora: Uma história bem ao meu estilo, ou seja, drama de fazer chorar as pedras da calçada. Intercala a história de vida de uma menina abandonada pela família, que vive sozinha num pantanal, com outra, alguns anos à frente, de um homicídio cuja autoria se tenta desvendar. O final, para mim, foi especialmente bem construído. Gostei de tudo no livro (só não gostei mesmo de ter encontrado uns 3 ou 4 erros ortográficos na tradução - no comments). Avaliação do Goodreads (que é também a minha): 4,5/5.

Finalizando, vamos lá ao pódio (vou excluir aqui os de maternidade):
Livros preferidos: A guerra que salvou a minha vida, O Rouxinol e A Ponte Invisível. Principalmente os dois primeiros são ma-ra-vi-lho-sos!
Livros que gostei menos: o único que dei 3 estrelas em 2019 foi mesmo A gorda. 
Já referi isto aqui antes, mas quem gosta de ler (e aprecia minimamente o estilo de livros que vou partilhando por aqui) tem que seguir o bookgang da escritora Helena Magalhães, que é de onde tenho retirado a maior parte das minhas sugestões literárias, dentro daquelas que fazem o meu estilo (não são todas), e desde que o faço as desilusões literárias têm sido em menor número. 

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #9 - O nosso Natal (e a primeira viagem de avião do Gustavo)

Em 7 anos juntos, eu e o senhor namorado (agora que temos um filho sinto-me ridícula em chamar-lhe assim, mas adiante) nunca tínhamos passado o Natal juntos, para não deixar nenhuma das nossas famílias triste (e porque o Natal é tradição, e cada um de nós tinha as suas e nunca nos fez confusão passar a quadra separados). Mas sempre dissemos que quando tivéssemos um filho a coisa mudaria de figura. E assim foi. Conversámos e ele cedeu a que o nosso primeiro Natal juntos fosse passado na Madeira, com a minha família.
Foi em maio, grávida de 5 meses - quando já tinha passado a fase mais vulnerável da gravidez - que decidi comprar as viagens de avião. Os preços já estavam caríssimos (nada que me admirasse) e para não pagar um absurdo eu teria que ir no dia 16, sendo que essa data não era viável para o senhor namorado por motivos profissionais. Na altura um pouco às cegas, decidi arriscar e comprar viagem para ir sozinha com o Gu, no dia 16, e o senhor namorado logo se juntaria a nós uma semana mais tarde. Não seria a primeira pessoa a viajar sozinha com um bebé, haveria de conseguir.
Depois do Gu nascer, e com toda a logística associada a saídas com ele (desmontar carrinho, carregar o ovo, carregar as mil tralhas da cria e as minhas) tornou-se mais real a noção de que seria, efetivamente, uma aventura viajar sozinha com o Gustavo. Até que o meu querido pai - sem eu pedir nada - decidiu comprar uma passagem para vir a Lisboa buscar-nos, à filha e ao neto. Se isto não é o melhor avô do mundo, não sei o que será...
O dia 16 chegou. O tempo não estava famoso nem em Lisboa nem na Madeira. Na Madeira havia mesmo alerta amarelo e durante a manhã vários aviões foram desviados, sem conseguir aterrar. Se eu já estava nervosa por ir viajar com o meu filho de 3 meses, este cenário não ajudou nem um pouco.
Saímos de casa ao final da tarde, debaixo de chuva e trânsito. Mr. Gu fez o maior berreiro da (curta) vida dele no carro (ele até gosta de andar de carro na maior parte das vezes, mas lá está, tem que estar mesmo a andar...trânsito e pára arranca não é bem a cena de sua excelência. como o percebo...). Chegámos a aeroporto e o Gustavo acalmou logo. Custou-me tanto despedir do senhor namorado (e ele do filho...). Descobri um cantinho simpático e discreto onde dei maminha, e lá fomos para o avião. Se o meu pai não estivesse comigo, eu não teria tido alternativa que não pedir ajuda a um estranho para pegar no meu filho enquanto desmontava o carrinho do Gu para entregá-lo ao pé do avião (e carregar a tralha toda teria sido efetivamente um filme). Eu continuava sob um camadão de nervos. Já o Gustavo estava tranquilo, a apreciar tudo com muita curiosidade (dormir é que...nada). Entrámos no avião e fomos brindados com aquilo que já é muito habitual no aeroporto de Lisboa - uma eternidade dentro do avião à espera de podermos levantar voo. Mr. Gu sempre calmo. Quando descolámos dormiu perto de meia hora (e foi tudo o que dormiu entre as 16h e as 22h). Depois disso mamou e esteve calminho. Teve uma colicazinha mas nada de mais. Ao aproximarmo-nos da pista de aterragem na Madeira, respirei fundo, agarrei-me ao meu pai, e a aterragem foi bem mais pacífica do que eu esperava para um dia de alerta amarelo. Mas todo o sofrimento por antecipação que passei ninguém mo tira. Respirei, finalmente de alívio, agradeci muito o comportamento do meu filhote (que não poderia ter sido melhor), e lá fomos para casa.



No dia seguinte vivi o momento alto da viagem: apresentei o Gustavo aos meus avós paternos (os únicos que ainda tenho vivos). Há uns anos, em conversa (sem estar doente nem nada), a minha querida avó comentou, de lágrimas nos olhos, que já não iria a tempo de conhecer os bisnetos. Mostrar-lhe que estava errada - ainda que ela já não tenha a lucidez dessa altura - foi um momento mesmo especial. Ainda por cima o meu filhote fartou-se de rir para os meus avós. Coisa boa.
Outro momento especial foi a chegada do senhor namorado. Estar sem ele durante uma semana foi duro - para ele e para mim (só nós é que adormecemos a cria...e oh, se ela é difícil de adormecer durante o dia!).
Foi mesmo bom ver a alegria de toda a família com a chegada do Gustavo, o quão ele espalhava sorrisos a toda a hora por todos. Foi, sem dúvida, um Natal especial.
No dia do nosso regresso - dia 26, a minha mãe ficou com o Gu e eu e o senhor namorado fomos tomar o pequeno almoço fora. Quando cheguei a casa e vi que a minha mãe tinha conseguido adormecê-lo fiquei admirada e mesmo feliz.
A despedida foi dura. Há muito, muito tempo que uma viagem de regresso a Lisboa não me custava tanto. E nem foi por mim, mas sim por saber o que custa, principalmente aos meus pais, estar longe do Gustavo, e o quanto eles foram felizes enquanto nós lá estivemos. A chegada dos filhos muda-nos mesmo a perspetiva da vida....bem, muda-nos a vida toda, na verdade.
A viagem de regresso não foi tão pacífica como a ida. Contrariamente ao que eu esperava, também esperámos algum tempo para descolar, mas desta vez o Gustavo não teve paciência, e desatou a chorar, inconsolável. Eu tinha-o preso de costas viradas para mim, no cinto dele, e achava que não conseguia/podia amamentá-lo. Mas em desespero, depois de uns 10 minutos, virei-o para mim e lá o consegui acalmar (felizmente não há praticamente nada que a mama não resolva). Foi engraçado que, sendo já a segunda viagem com ele (e estando bom tempo), mesmo perante este cenário eu consegui manter a calma. Ao contrário do senhor namorado, que costuma ser o mais calmo de nós dois (mas que se estava a estrear naquelas andanças de viajar de avião com o Gu). E, contra o que eu imaginei, fui eu a acalmá-lo. A partir daquele momento a viagem correu sem mais percalços. E lá chegámos a Lisboa, ao final da noite.
Não me arrependi por momento algum da decisão que tomámos de ir à Madeira com o Gustavo tão pequeno, mas sendo muito honesta. foi difícil. Em termos físicos - por toda a logística associada, e eu até tenho a sorte de amamentar - e em termos psicológicos, de todo o receio de que alguma coisa corra mal. Quando estávamos em pleno voo, o senhor namorado perguntou-me, em tom irónico, "Então, ainda tens vontade de levá-lo de avião a conhecer o mundo?". E sorri e disse-lhe que aquele não era, de todo, o momento para tomarmos esse tipo de decisão (li algures que não se devem tomar decisões com base em emoções temporárias - algo do género - e faz-me todo o sentido). Indiscutivelmente, não é fácil (pelo menos para nós), mas não desisti, de todo, da ideia de voltar a andar de avião com o Gustavo nos próximos tempos (aliás, pelo menos à Madeira iremos no verão. E ainda bem que comprámos as passagens antes da viagem do Natal, não fosse o senhor namorado ter mudado de ideias entretanto ;)). E ter tido um Natal tão especial, em que consegui juntar o meu filho e os meus avós, valeu todo o esforço.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #8 - O segundo mês de vida do Gustavo (Cólicas e sonos)

[Aviso à navegação: Este post é praticamente só sobre os hábitos de sono atuais do meu filho. Escrevo-o porque quero muito poder recordar esta fase (para o bem e para o mal) no futuro, mas provavelmente será muito chato para quem não se interessar pelo assunto. É passar à frente, amigos na mesma. Prometo que tenho intenções de fazer um post sobre leituras - uma delas não relacionada com bebés - muito em breve].

Se, depois de passadas as primeiras duas semanas de maternidade, podia dizer que tudo corria sobre rodas e ia dando tempo para (quase) tudo, ultimamente as coisas já não são bem assim.
Nas últimas semanas o Gustavo deixou de fazer os sonos que fazia durante o dia (fazia pelo menos um sono de mais ou menos 2 horas) e passou a ter muita dificuldade em dormir fora do colo. Adormeço-o ao colo durante o dia (deitá-lo acordado normalmente é seguido de choro, contrariamente ao que acontece de noite) depois de uns minutos de resistência da parte dele, e pouso-o quando acho que já está ferradinho. Nas últimas semanas é muito raro ele aguentar 30 minutos a dormir depois de pousado. Na grande maioria das vezes são as cólicas que o acordam, o que aumenta muito a minha frustração (mas dá-me a esperança de sonos melhores quando as cólicas se forem embora). A grande exceção a este comportamento é se o pusermos a dormir no sling, em que aguenta basicamente o tempo que o tivermos lá colocado (quando quero mesmo que ele durma sei que é tiro e queda. as minhas costas é que não adoram a brincadeira, mas é a vidinha).
Quanto às noites, são sempre uma grande incógnita cá por casa. De cada vez que sou acordada pelo meu filho olho para o telemóvel para ver as horas enquanto digo baixinho "Por favor que tenham passado pelo menos quatro horas". 
Não sei se por esta altura já deveria haver uma rotina de sonos noturnos cá por casa (o Gustavo faz 3 meses esta semana), mas ainda não há. Já há um sono "grande" ao início da noite (que por norma varia entre 3h30 e 5h30, sendo que nos últimos tempos pende mais para as 3h/4h) e que começa normalmente algures entre as 21h e as 23h00, seguido de um sono de mais ou menos 2h e outro da mesma duração ou menos. Durante a noite é muito raro o Gustavo chorar com cólicas, mas há imensas vezes que o que o acorda são os gases que dá, e não propriamente a fome (mais uma vez, frustra-me horrores mas dá-me esperança num futuro próximo sem cólicas). 
Passámos por uns dias em que o sono do início da noite era maiorzito mas depois ficava quase uma hora acordado antes de voltar a dormir, para outros em que os sonos são mais curtos mas adormece com mais facilidade (tenho conseguido deitá-lo ainda acordado, desligo a luz e normalmente no espaço de 10 minutos ele adormece). Nem sei o que prefiro, honestamente (e quando ele adormece bem a meio da noite e me dá para ter insónias? oh vidinha!). 
Uma coisa que me irrita particularmente (e não sei se será mero acaso ou se será mesmo fisiológico dele) é o facto de o sono da noite por norma ser maior quando começa mais cedo (irrita-me porque para eu aproveitar para dormir também tenho que me deitar às 21h ou coisa que o valha, e eu quando me obrigo a dormir é meio caminho andado para ter insónias, por mais cansada que esteja). Parece que criou ali uma rotina de acordar por volta das 2h (mais coisa menos coisa) e das 7h, e o que dorme entre estes sonos é que vai variando.


Quanto a mim, acho que nunca estive tão cansada como agora. Tento assegurar 6 horas de sono diárias e quase sempre consigo, mas para isso temos 3 sonos intercalados por momentos de agitação a adormecer o meu filho, tempo em claro para adormecer-me a mim, e uma fome de leão que me assola a partir da segunda metade da noite...é duro. E mais duro do que tentar adormecer, é ter aquele despertador noturno que não dá aviso prévio, que não permite carregar no botão "adiar 5 minutos" e que nos obriga à máxima rapidez antes de começar a reclamar a sério (cá por casa durante a noite é assim, não há despertares calmos para a cria. bem, na verdade durante o dia também é raro). E este padrão de sono torna-se manifestamente insuficiente quando durante o dia uma pessoa não tem direito a uma horinha de "folga" para descansar a cabeça, como tem acontecido nas últimas semanas.
Confesso que sempre alimentei bem forte a esperança de ter um bebé que dormisse bem desde o início (é raro eu ser tão otimista quanto era com este assunto antes de ser mãe), não sei se por eu e os meus dois irmãos termos dado essa sorte aos nossos pais e já dormíamos a noite inteira com dois meses de vida (bem que podia ser uma coisa genética).
Apesar do cenário descrito, continuo a dizer que tenho um filho santo. Porque ele só é "chatinho" quando tem dores. O problema é que ele tem muitas dores. Porque quando não as tem é uma paz de alma. E dá os sorrisos mais lindos do universo. E palra comigo todo entusiasmado. E fica na espreguiçadeira sentadinho enquanto eu cozinho, lavo louça, estendo roupa ou como (normalmente farta-se ao fim de meia hora, mas sempre vai dando para eu assegurar as tarefas essenciais cá por casa).
No meio disto tudo, eu tenho bem mais sorte do que o meu filhote: porque a mim calhou-me o melhor filho do mundo. Já ele, tem que lidar com uns intestinos que (raios os partam) nunca mais ganham maturidade e aprendem a trabalhar sem fazer o meu docinho sofrer.

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Diário de uma mãe de primeira viagem #7 - As primeiras semanas sozinha em casa com o Gustavo

Cinco semanas após o nascimento do Gustavo, o senhor namorado regressou ao trabalho. Com isso, acabou-se o meu sono solitário de grande parte das manhãs ou do início da noite (quando o Gustavo ficava na sala com o pai para eu descansar em condições) e as "trocas de turno" durante o dia quando o cansaço se intensificava.
Não sei se foi um pico de crescimento, se foram as cólicas a atingir o auge, mas o facto é que, contrariamente ao habitual em que, mesmo com cólicas, o Gustavo lá ia dormindo um ou dois sonos de 2 ou 3 horas durante o dia, na 3a e 4a feira dessa semana apoderou-se dele um "bicho" qualquer e não houve sonos de mais de 15 minutos para ninguém até ao pai chegar a casa, às 18h (a não ser alguns em cima de mim). E pior do que não haver sono foram os episódios de cólicas com choros dificilmente consoláveis, em que apliquei todas as estratégias e mais alguma (sendo muito honesta, disse muitos palavrões baixinho e enquanto embalava o meu filho nos braços e tentava acalmá-lo). E não dá para descrever a frustração que é adormecer uma criança, tê-la em sono profundo, e em menos de 1 ou 2 minutos ela encolhe-se toda e começa a gemer com dores (apesar de estar cheia de sono), arruinando todo o nosso esforço para fazê-los dormir.

[O meu amorzinho no colo da avó materna.]

Por aqui, vamos dando algumas massagens que ajudam a libertar gases, deitamo-lo de barriga para baixo no nosso colo (fica bastante mais confortável) e um som que costuma acalmá-lo é o secador do cabelo (consigo pensar em 100 sons menos irritantes  e mais económicos que este mas...fazer o quê?). Em termos de medicação, começámos por tentar o Biogaia, que é um probiótico, mas depois de duas semanas sem resultar mudámos (a muito, muito custo meu) para o Infancalm a ver se funcionava (digo a muito custo porque aquela porcaria leva sacarina e aroma de framboesa e tresanda a açúcar). Disclaimer: também não funcionou.
A segunda semana já correu melhor. Não em termos de cólicas - essas não foram a lado nenhum - mas acima de tudo para mim, que fui criando rotinas, agora a dois, com o Gustavo, e (o maior dos segredos) gerindo melhor as expetativas para evitar frustrações. O segredo, basicamente, é ter o frigorífico cheio de comida pronta (para garantir que mesmo nos dias maus comemos alguma coisa de jeito), e as expetativas de fazer seja o que for para além de cuidar do nosso filho bem baixas: tudo o que se conseguir fazer "extra bebé" é um bónus. Até porque na verdade, e como li no livro da  maravilhosa Constança Cordeiro Ferreira (acho que foi o "Os bebés também querem dormir") o meu "emprego" neste momento é cuidar do meu filho, é para isso que o Estado me está a pagar. E se não houver pausas para descanso das 8h às 18h (que é quando o pai está fora de casa), há nas restantes (tenho ido três vezes por semana ao ginásio sozinha  e tem me sabido pela vida).