sábado, 4 de julho de 2020

Fim de semana

Não faço ideia se tenho muitas pessoas que me sigam só aqui pelo blogue e não sigam o Instagram mas, se existir alguma, pois é gente, continuo viva e com saudínha (e covid free até à data...pelo menos que me tenha apercebido...).
Tenho uma série de assuntos em atraso sobre os quais quero escrever, mas enquanto não arranjo tempo para isso (pois é, por aqui o confinamento não foi sinónimo de mais tempo livre...de todo) aqui fica o registo do passeio que demos no fim de semana passado.
Retirando a nossa ida à Madeira no Natal e duas idas a norte para visitar a família do senhor namorado, esta foi a segunda vez que dormimos fora de casa os três em modo escapadinha de fim-de-semana (teriam sido mais se o amigo Covid tivesse deixado. Aliás, até tínhamos uma viagem marcada para irmos os três à ilha do Pico em maio, que lá teve que ser cancelada. Ou adiada, espero (para data incerta).
Mas voltando Às escapadinhas de fim de semana, os nossos critérios de pesquisa por lugares onde ficar mudaram um pouco desde que o Mr. Gu entrou nas nossas vidas: agora tentamos que sejam distâncias que impliquem viagens de carro relativamente curtas (a criança não é fã de andar muito tempo dentro do ovo no carro...sofre com o calor), que aceitem bebés (óbvio, não é? e foi assim que percebi que alguns alojamentos onde gostava imenso de ir ou voltar...terão de esperar para mais tarde) e, de preferência, que tenham uma kitchnette ou, pelo menos, possibilidade de aquecer comida (já que a criança há 3 meses que já deixou a amamentação exclusiva - que era um descanso nesta aspeto, já agora).
O lugar escolhido foi o Luz Houses, em Fátima, e a experiência foi maravilhosa. As imagens falam por si.









sexta-feira, 24 de abril de 2020

Leituras


O tempo entre costuras

Avaliação do Goodreads: 4,10/5
Minha avaliação: 4,5/5

"O tempo entre costuras" é um romance histórico que tem como palco inicial a Guerra Civil Espanhola e, numa fase posterior, a Segunda Guerra Mundial. É um livro que acompanha a vida de Sira, uma jovem modista espanhola, enquanto nos dá uma lição de história (contada de forma sempre muito interessante) sobre a forma como Espanha viveu as décadas de 30 e 40 do século XX.
Apesar das mais de 600 páginas, é um livro de leitura muito fluida, sem partes aborrecidas, que nos prende do início ao fim (e com a capacidade de nos deixar por vezes com a respiração quase em suspenso). E, para mim, a cereja no topo do bolo foi o final bastante original (não posso dizer mais nada sob pena de lançar spoilers).
Tinha as expetativas altas para esta leitura e não me desiludi: gostei mesmo muito deste livro. Agora vou ver a série na Netflix, que parece que também é muito boa ;).

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #18 - As primeiras semanas de Baby Led Weaning

A minha experiência, à data em que escrevo este post, ainda nem três semanas tem (faz amanhã), mas ao final deste tempo, e em relação ao meu filho (não terão todos o mesmo comportamento, obviamente) e a mim própria, posso dizer o seguinte: os primeiros dias, entre adaptação aos cortes e cozeduras (que resultam às vezes em aperceber-me que o meu filho não vai conseguir comer nada de jeito, não porque não esteja para aí virado, mas porque eu não consegui cozer ou cortar os alimentos da forma mais adequada), e muiiiito reflexo de vómito, são um teste, não só ao nosso coração como à nossa paciência (o BLW requer tempo para deixar o bebé explorar os alimentos ao seu ritmo). 
Mas ainda nem uma semana tinha passado e eu já conseguia ver uma evolução clara no meu filho e, com isso, comecei a entusiasmar-me cada vez mais (depois de ter tido vontade de desistir nos primeiros dias, por causa do reflexo de vómito constante).
Não corre bem todos os dias: ou porque é um alimento novo e, como disse antes, apercebo-me que não o cortei ou cozinhei da forma mais apropriada, ou o Gustavo está pouco paciente (é preciso "apanhá-lo" pouco depois da sesta e que não tenha mamado pela última vez há demasiado tempo), ou menos interessado. Faz tudo parte. Os primeiro dias de BLW não têm por objetivo alimentar a criança, mas sim introduzi-la neste mundo novo dos alimentos e suas texturas, formatos, cores e sabores. Comer efetivamente alguma coisa, nos primeiros dias, é um "bónus" (e esse bónus, cá em casa, chegou bem mais cedo do que eu estava à espera).
Segue então o relato dos primeiros dias da nossa experiência.

1º dia: banana 
Apesar de ter estudado imenso, o comprimento da banana que lhe demos não era o ideal (uma coisa é a teoria, outra a prática). Ele não conseguia agarrá-la sobrando banana fora da mão, como era suposto. Mas desenrascou-se: deixou a banana no tabuleiro e levou lá a boca. E bem que gostou.
Mood desta mãe depois da primeira experiência: "Isto não é tão fácil e giro como eu achava que ia ser, mas bora lá seguir firmes".

2º dia: courgette e cenoura cozidas ao vapor (cortadas em tiras, com parte da casca) ao "almoço"
O Gustavo não conseguiu mastigar super bem a courgette, mas desenrascou-se a chupá-la (fez isto com vários alimentos, na verdade). Em relação à courgette: voltámos a dá-la duas semanas mais tarde e, apesar de ter corrido melhor, não acho que seja dos vegetais mais fáceis de comer nesta primeira fase (não tem uma textura que se desfaça bem).
A cenoura comeu qualquer coisa, mas eu apercebi-me que tinha cozido demasiado tempo (isto é mesmo um processo de aprendizagem para todos). 
Na verdade, os bebés têm mais força (de gengivas, nomeadamente) do que podemos pensar. E como estava demasiado cozida ele também a esmagava demasiado antes de conseguir levá-la à boca (eles próprios também estão ainda a aprender a dosear a força com que agarram nos alimentos). Mas gostou de ambas. E teve um fartote de reflexo de gag (mas reagindo sempre como se estivesse tudo bem. E estava). E eu tive um fartote de mini paragens cardíacas.
Mood desta mãe ao segundo dia: "Deve ser bem mais tranquilo dar sopas e papas. Não sei se isto é para mim.".

3º dia: batata doce assada em tiras ao "almoço"
Continuámos a testar cozeduras e a precisar de aprimorar a técnica. Mais uma vez, a criança aprovou o sabor.
Mood desta mãe: Mantivemos as paragens cardíacas frequentes em cada reflexo de vómito da criança. Criança, esta, que continuava tranquilíssima em relação a isso.

4º dia: brócolos cozidos ao vapor ao "almoço" e banana à tarde
Mood desta mãe: Virei-me para o homem e disse para ficar ele a supervisionar a criança, que eu ainda estava traumatizada com a experiência da véspera (correu tudo bem, atenção).
Apercebi-me que ele tinha comido super bem os brócolos, e que o reflexo de gag já tinha diminuído muito. Ganhei algum ânimo para continuar.

[Sobre alimentos que se desfazem facilmente:
Com a banana, tenho feito sempre o seguinte: primeiro deixo-o agarrar nela e comer por ele (leva logo grandes pedações à boca, sendo que depois mais de metade deles acabam cuspidos para o tabuleiro quando se apercebe que teve mais olhos que barriga :p). Com os pedaços que se vão soltando, ponho na colher "numnum" e dou-lhe a colher para a mão.
Isto vale para a banana e não só: quando o alimento fica muito desfeito e é ligeiramente pastoso, ponho pedacinhos desfeitos na colher "numnum" (falei dela neste post) e dou para a mão dele. Assim ele tem os dois tipos de experiência (e sempre come mais qualquer coisa). Ainda hoje dei uma banana da Madeira nestes termos e o Gustavo, entre os dois "métodos", comeu-a toda. Não sobrou nada.
Faço isto com toda a comida que se desfaz e que é suficientemente pastosa para "colar" na colher (abacate, cenoura, hamburguer de vegetais, panquecas).]

5º dia: Cenoura e batata doce cozidas ao "almoço". Pêra cozida de manhã
Mood desta mãe: "Bora lá que isto depois dos primeiros dias é que dizem que fica giro". Depois de trocar fraldas à cria e perceber que efetivamente começava a comer alguma coisa (sim, ao 5º dia!): "Isto afinal talvez resulte mesmo.".

6º dia: Abóbora e brócolos ao "almoço"
Mood desta mãe (depois da criança agarrar já com mais destreza nos alimentos e comer efetivamente mais em vez de só tentar): "Que orgulho neste filho! Isto é tão giro! Adoro! Daqui a nada está a comer tão bem como nós!".

7º: Banana de manhã. Cenoura cozida ao "almoço"
Continuámos a notar evolução (em mim, que já cozo melhor a cenoura - mas não é dos legumes que acho mais fáceis acertar na cozedura adequada -, e nele, que já a agarra com menos força e come mais quantidade).

8º: Batata doce assada e nabo ao "almoço". Panqueca de aveia e maçã à tarde
Pela primeira vez o Gustavo provou alguma coisa e não mostrou grande interesse: nabo cozido (devo dizer que o percebo, não é a verdura mais saborosa do mundo). Já lhe tínhamos posto no tabuleiro uns dias antes e não lhe tinha tocado. Desta vez insisti em pôr-lhe o nabo na mão: levou-o à boca, provou, fez um ar de pouco entusiasmo, largou-o e não lhe voltou a tocar.
De tarde fiz, pela primeira vez, uma panqueca (com aveia, maçã e água). A consistência ficou demasiado "elástica", pelo que tive receio que se lhe colasse ao céu da boca ou à garganta. Dei bocadinhos pequeninos na colher numnum.

9º: Brócolos ao "almoço". Abacaxi, e panqueca de aveia, maçã e linhaça ao "lanche"
Não sei se pelo formato, mas os brócolos são dos vegetais que, neste momento, o Gustavo consegue comer melhor.
A panqueca desfez-se com demasiada facilidade, pelo que dei pedacinhos na colher. 
Quanto ao abacaxi, cortei uma tira e deixei parte da casca. Fartou-se de chupar e gostou, mas em determinada altura assustou-se (não percebemos bem porquê, se se engasgou) e começou a chorar (nunca tinha acontecido até então, e não voltou a acontecer entretanto com nenhum alimento). Parámos por ali e foi à maminha.

10º dia: Banana de manhã. Abacate ao almoço
O abacate, estando no ponto certo, é bastante fácil de eles comerem (deixando parte da casca, senão escorrega tudo). Não só gostou como comeu bastante (em comparação com outros alimentos).

11º dia: Hambúrguer de grão e cenoura ao almoço. Panqueca de aveia, ovo e banana ao lanche
O hambúrguer desfez-se todo (ainda não foi desta que acertei à primeira com a consistência de um alimento). 
À terceira vez, acertei na consistência da panqueca (mais durinha), e o Gustavo conseguiu comer: foi das refeições em que comeu mais (a consistência da fralda do dia seguinte comprovou-o).

[Sobre panquecas:

A partir deste dia, continuei a dar panquecas ao lanche, variando o tipo de farinha (aveia, centeio, espelta) e a fruta que adiciono (pêra, maçã, banana). Às vezes junto um pouco de linhaça, e normalmente junto um ovo. Faço umas 3 panquecas de cada vez, corto-as em tiras (duas ou três, dependendo do tamanho da panqueca), e têm dado para duas refeições normalmente.
Ao final de duas semanas, o Gustavo já chegou a conseguir comer uma tira inteira de panqueca sem que ela se desfizesse. Quando isso não acontece, ponho pedacinhos desfeitos na colher e dou-lha para a mão, e ele também come bem.
Ainda não experimentei fazer bolos e bolachas. E confesso que tenho algum receio de dar pão e massa nesta fase, mas lá chegaremos.
Ainda sobre panquecas: como tenho dado quase todos os dias, tenho notado uma evolução grande no manuseamento e na quantidade que ele come. Depois de uma panqueca e meia manga na mesma refeição, ao fim de duas semanas de BLW, pela primeira vez ofereci maminha depois dessa refeição e o Gustavo quase não mamou (o que quer dizer que ficou bastante satisfeito com a refeição).

Da nossa experiência (atualizada depois do último post), estes foram os alimentos que resultaram melhor nos primeiros dias):

- Brócolos (em raminhos)
- Abacate (em meias luas, com parte da casca)
- Manga (cortada como o abacate) [O Gustavo comeu quase meia manga - praticamente sem desperdício - logo na na primeira vez que provou).
- Kiwi (idem) [O Gustavo comeu meio kiwi - praticamente sem desperdício - na primeira vez que provou).

As experiências que não correram tão bem:

- Cogumelos (demos Portobello grande, em tiras, mas a textura não facilitou)
- Courgette (não tem uma textura que se desfaça com facilidade na boca)

Até podemos achar que eles comem pouco nestes primeiros dias. E na verdade, durante os primeiros dias, quando ofereci maminha a seguir a todas as refeições, não notei que ele mamasse menos que o habitual. Mas posso garantir-vos (e perdoem-me os mais sensíveis - vou falar de cocós) que nem tinha passado uma semana quando começámos a perceber pela fralda que não era assim tão pouca a quantidade de comida que ele estava a conseguir comer. E ao final de duas semanas posso dizer que o Gustavo, na maior parte das vezes, já não mama tanta quantidade depois de fazer as refeições em BLW (que o digam as minhas maminhas, já que eu voltei ao estado "Pamela Anderson" e a ponderar se não vou ter que recorrer à bomba extratora - nunca me ocorreu que pudesse acontecer tal coisa nesta altura do campeonato, confesso).
Com quase três semanas de experiência, e apesar de continuar a sentir-me um pouco perdida pelo facto de não termos tido consulta com a pediatra nem irmos ter em breve (mas isso teria acontecido na mesma se tivéssemos optado pela abordagem mais tradicional, acho eu), o balanço é mesmo muito positivo, e não me arrependo nem um pouco da opção que tomámos.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Leituras

E já vamos com oito livros lidos em 2020. Nada mau para três meses, hã?
Cá estão os últimos dois.


O ódio que semeias

Avaliação do Goodreads: 4,51/5
Minha avaliação: 3,5/5

Este livro é um romance young adult que aborda o tema da discriminação racial. 
É uma leitura fácil e interessante, mas não foi daquelas histórias que me tivessem prendido especialmente.



Segredos obscuros (Sebastian Bergman #1)

Avaliação do Goodreads: 4/5
Minha avaliação: 4,5/5

Este thriller centra-se na personagem de Sebastian Bergman, um psicólogo que trabalhava com a polícia na investigação de crimes e que, depois de uma tragédia pessoal, perde o rumo da sua vida. Enquanto isso, um rapaz desaparece, a polícia começa a investigar o seu desaparecimento, e Sebastian acaba envolvido na investigação desse crime.
Achei que a história estava bem construída (dos dois grandes mistérios que estão presentes ao longo de toda a história, não descobri a resposta para nenhum deles) e fiquei com vontade de ler os próximos livros da saga.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #17 - Começámos o BLW (as respostas que encontrámos para as nossas principais dúvidas)

Depois do primeiro post introdutório sobre o tema, neste post vou dizer como encontrei resposta às principais dúvidas que tive antes de começar o BLW, com base nos primeiros dias da nossa experiência.

Amamentar antes ou depois?
Quanto a esta questão, comecei por tentar amamentar antes de fazer o BLW, conforme aliás nos tinham recomendado no whorkshop que fizemos. Isto porque nas primeiras vezes, como o bebé não vai propriamente comer grande coisa, não convém estar com fome ou sono, de forma a estar bem disposto para desfrutar da experiência. 
Não correu bem, porque com tanto reflexo de gag, vomitou a (pouca) comida e o leite que tinha no estômago. 
Depois de duas experiências com vómitos à mistura, decidi então amamentar primeiro e dar a comida mais ou menos uma hora depois: também não correu bem, porque basicamente desta forma ele passava o dia a comer, e o meu filhote quando passa o dia a comer...acha que é para fazer igual durante a noite, pelo que tivemos que mudar de estratégia. 
Ao final de 3 ou 4 dias, comecei a dar a comida pouco depois de ele acordar da sesta, para não esperar muito nem ficar com muita fome. E mal dá sinais de que já não quer comer mais (é bastante claro nos sinais: deixa de se interessar pela comida e de levá-la à boca) ou começa a ficar mal disposto/frustrado, dou-lhe maminha logo de seguida. E assim temos feito, mantendo mais ou menos os intervalos de aproximadamente 4 horas entre refeições durante o dia.

E fazemos o BLW em que refeição?
Como nos primeiros tempos o bebé não faz uma verdadeira refeição, pouco importa se é almoço ou jantar, se é de manhã ou à tarde, ou se fazemos ambos.
Por aqui, não me fez sentido alterar a rotina de adormecer ao final do dia para o sono da noite, que é sempre precedida de maminha.
Quanto à primeira refeição do dia, varia sempre muito o intervalo de tempo desde que o Gustavo mamou pela última vez (as nossas noites são sempre uma incógnita, mas o cenário mais comum atualmente consiste em mamar 3 vezes durante a noite, e acordar por volta das 8h e pouco da manhã). Para não ter que estar a preparar nada à pressa mal ele acorda eventualmente já cheio de fome, também excluímos a primeira refeição.
Sobraram duas: a da hora de almoço e a do lanche, sendo que temos tentado dar-lhe sempre qualquer coisa nestas duas refeições (seguidas sempre de maminha, conforme disse anteriormente).

E que alimentos dar? E quantos de cada vez? E quando voltamos a repeti-los?
Neste assunto, peguei no guia de recomendações que a nossa pediatra nos deu sobre a introdução alimentar tradicional e tentei adaptar ao BLW. Mas não segui tudo à risca: dei logo fruta nos primeiros dias (as recomendações pelo método  tradicional sugeriam dar fruta depois de uma primeira semana só de sopas e uma segunda semana em que juntaríamos papas). 
Aliás, o alimento de estreia por aqui foi mesmo fruta (banana).
De resto, tenho tentado não dar mais de um alimento novo por dia (mas às vezes acontece dar dois) e em relação a repeti-los ou não, acaba por depender um pouco do que é que temos no frigorífico, para ser sincera. E tento também dar só fruta e vegetais da época (já incumpri a regra: ou por desconhecimento, ou porque estava sem imaginação e apetecia-me experimentar qualquer coisa em específico).
Em relação às possíveis reações alérgicas associadas a darmos vários alimentos novos ao mesmo tempo, daquilo que li a doutrina mais recente defende que até convém dar os alimentos com maior potencial alergénio relativamente cedo aos bebés, já que eles têm uma janela imunológica mais ou menos entre os 6 e os 9 meses, altura essa em que, tendo contacto com esses alimentos, terão menos propabilidades de desenvolver reações alérgicas aos mesmos.
Até agora, se me perguntassem qual o top 3 dos alimentos que achei mais fáceis dar ao Gustavo nesta fase de motricidade em que se encontra, a minha resposta seria: brócolos, acabate (com parte da casca senão escorrega-lhes da mão) e kiwi (também com casca).

O reflexo de vómito (ou gag reflex)
O reflexo de vómito pode ser assustador (pelo menos para mim), mas é uma defesa do bebé. Do bebé e de todo o ser humano. Mas, ao contrário deles, que têm o ponto que desencadeia esse reflexo mais para a frente na língua - o que faz com que aconteça com mais frequência, os adultos têm-no quase na garganta (este ponto vai "retrocedendo" na língua à medida que os bebés vão crescendo).
Há que saber distinguir o reflexo de vómito do engasgamento, e deixar o bebé desenrascar-se sozinho quando tiver "apenas" reflexo de vómito (digo apenas com aspas porque não é nada fácil - pelo menos para mim - ver o bebé fazê-lo sem saltar para cima dele e tentar tirar-lhe o que tiver na boca, mas não é suposto fazê-lo, de todo).
Na verdade, apercebi-me que mesmo estando informada sobre o assunto, eu não estava preparada para isto. Eu sabia que iria acontecer, que é normal, mas todas as vezes que o Gustavo tinha (e tem) esse reflexo (nas primeiras vezes de BLW era sensivelmente a toda a hora) o meu coração congelava por uns segundos e eu tinha mini avcs. Passadas duas semanas continua a acontecer: com menos frequência mas acontece (o reflexo de vómito, e os meus mini avcs).

Os alimentos que demos nos primeiros dias, e a reação a eles (da mãe e do filho ;)) ficam para um novo post que sairá em breve (já que, mais uma vez, este post ficou maior do que era suposto).

domingo, 5 de abril de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #16 - Começámos o BLW (o que é, fontes de informação, principais dúvidas que tivemos, utensílios úteis)

[Nota prévia: vou estruturar o post de forma diferente do habitual para facilitar a leitura. Mas aviso já que este post serve apenas para partilhar a minha (pouca) experiência. Não pretende ensinar nada a ninguém (apenas partilhar algumas dicas que, a posteriori, me parecem úteis para os primeiros dias) porque eu, apesar de ter estudado bastante o assunto, continuo uma leiga na matéria, e a cometer - com certeza - erros, e a aprender diariamente com eles. Informem-se em fontes fidedignas. O BLW é muito giro (pelo menos depois dos primeiros dias...), mas tem que ser praticado com segurança e informação - muita!.]

O que é
Para quem não sabe, o Baby Led Weaning (BLW) consiste em introduzir o bebé no mundo da diversificação alimentar não através das tradicionais sopas e papas, mas dando-lhe autonomia: é ele que comanda o desmame (é esta a tradução do termo, basicamente), sendo-lhe dados alimentos com cortes e cozeduras adequados à idade e fase de motricidade em que se encontra. A chave deste "método" é não pormos nada na boca do bebé: seja comida ou até talheres, deve ser o bebé, sozinho, a levá-los à boca se, como e quando quiser. E nunca o obrigarmos a comer, seja o que for.
Contrariamente à introdução alimentar através de líquidos, no BLW tem que se esperar, no mínimo, pelos seis meses de vida do bebé, porque é, em regra, a altura em que ele cumprirá 3 requisitos essenciais para fazê-lo de forma segura: conseguir sentar-se (mesmo que com algum apoio), levar objetos (intencionalmente) à boca e perder o reflexo de extrusão.

[Em relação ao aconselhamento da pediatra, a última consulta que tivemos foi aos 4 meses (sendo que estivemos a leite materno exclusivo até aos 6). Na altura perguntámos qual era a opinião dela sobre o BLW e ela disse que não se opunha, desde que fizéssemos um curso (que fizemos). E como não voltámos a ter consulta entretanto (foi cancelada devido à pandemia), tivemos que tomar decisões por nós quando achámos que o Gustavo já demonstrava os sinais de prontidão para iniciar o BLW.]

Fontes de informação
- Comprei o livro "Os bebés sabem comer sozinhos" da Gill Ripley (é enfermeira no Reino Unido e é a pessoa que introduziu este conceito): honestamente, retirando as páginas introdutórias, que têm informação interessante, é mais um livro de receitas que outra coisa, e receitas (aptas a toda a família, não são exclusivas para os bebés) que não me entusiasmam muito (não são, na sua maioria, coincidentes com o tipo de alimentação que temos cá em casa).
- Comprei os Ebooks da Leonor Cício, autora do blogue "Na cadeira da papa" (são 3: um sobre legumes, outro de frutas, e um sobre cereais, e entre informação nutricional variada, explica como se deve dar cada alimento aos bebés, em função da fase de motricidade em que se encontram). Podem ver aqui. Recomendo muito.
- Fizemos um curso de BLW (de 3 horas) no Centro Pré e Pós Parto. Também recomendo muito. Só me arrependi amargamente de não ter ido sozinha, em vez de em família, porque a concentração com o bebé connosco foi pouca e acabámos por não aproveitar bem.
- Vi vários vídeos no Youtube (inclusive a manobra de salvamento do bebé em caso de engasgamento, é muito importante - com ou sem BLW). 
- Páginas de Instagram que sigo e gosto: mundoblw, soymamanutricionista, blw_practicando e happyrecipesblw.
- O blogue "Na cadeira da papa" tem vários posts muito interessantes sobre BLW. Vejam-nos aqui, se tiverem interesse.


O nosso filhote todo entusiasmado a comer brócolos.

Principais dúvidas que tivemos
Perguntas que me ocorreram quando decidimos começar: dou maminha primeiro ou depois de lhe dar a comida? (porque nas primeiras vezes o BLW serve só para os bebés explorarem a comida, pouco ou nada comem efetivamente). 
E faço em que "refeição"? 
E dou um alimento de cada vez? Dois? Três? 
E quando volto a repetir alimentos? 
E quantas "refeições" de BLW dou inicialmente?
Bom...a conclusão a que cheguei depois de muito pesquisar foi que não há respostas para nada disto. Há alimentos e cortes proibidos - porque propiciam o risco de engasgamento -, e há cortes e cozeduras adequados em função de cada fase da motricidade dos bebés. Quanto ao resto...não há propriamente "regras". A resposta está em ir usando a nossa sensibilidade/intuição para perceber quais serão as melhores opções. E ir adaptando, corrigindo e melhorando ao longo dos dias. 
[Por exemplo, em relação a amamentar antes ou depois, no curso foi-nos sugerido amamentar primeiro, mas na nossa experiência concreta não correu bem - mas num segundo post contarei a nossa experiência].

Utensílios úteis
Três coisas que usamos e recomendo muito (comprei tudo no site Tartaruguita, mas há de haver noutros sítios também): um babete impermeável género "camisola", que protege o bebé todo, um tabuleiro de plástico que se põe à volta da cadeirinha (comprei os dois juntos - foi este o pack, chama-se tidy tot) - assim a sujidade fica lá toda, praticamente não chega nada ao chão, e é muito fácil de lavar -, e umas colheres "numnum" - onde conseguimos "colar" comida pastosa, e que depois o bebé, sozinho, leva à boca, sem que a comida caia da colher.
Ainda em relação ao babete, na verdade dá jeito ter dois, pelo menos os que não são 100% plástico (é o caso dos nossos) porque se quiserem usar duas vezes por dia dificilmente conseguirão que já esteja seco quando voltarem a precisar dele. Nós comprámos um do Ikea (o que aparece na foto).

E como o post ficou gigante só com a introdução ao tema, vou deixar o relato dos primeiros dias da nossa experiência para um próximo post.

domingo, 29 de março de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #15 - Balanço de seis meses de amamentação exclusiva

Não me perguntem porquê (que não sei responder) mas amamentar nunca foi um dos cenários associados à maternidade com que eu sonhasse propriamente. Mas sabendo que era a melhor opção para o meu filho, comprometi-me desde o início comigo própria a tentar pelo menos. E assim fiz.
Amamentar deveria ser instintivo: afinal de contas, desde que existe a espécie humana que as mulheres amamentam. Bom… pelo menos comigo não foi assim tanto.
Mas comecemos pelo início. Eu tinha aprendido no curso de preparação para o parto que o ideal seria o bebé mamar logo na primeira hora de vida e que, sendo-lhe dado tempo, fá-lo-ia naturalmente quando pousado no nosso peito. O Gustavo foi posto em cima de mim quando nasceu, mas foi por uns minutos apenas (de seguida levaram-no para os testes de rotina, e depois disso fui para o recobro e enquanto isso ele estava na mesma sala que eu, mas num berço longe de mim). Ninguém, em momento algum, falou comigo sobre a amamentação. Foi apenas quando me estavam a levar para o quarto que uma enfermeira me perguntou se eu ia querer amamentar e, quando eu disse que sim, deitou o meu filho ao meu lado virado para mim (eu estava também de lado). Só isto. Como se fosse óbvio o que eu devia fazer a seguir. O facto é que o Gustavo mamou logo e correu (aparentemente) tudo bem. Mas no início do segundo dia de vida dele já me começou a doer um dos mamilos (conforme dizem todos os profissionais: se a pega do bebé for bem feita, amamentar não deve doer). Os enfermeiros eram todos muito simpáticos e diziam para chamar se precisássemos de ajuda (mas uma pessoa sabe lá que ajuda é que precisa!), mas apenas uma enfermeira, no último dia, olhou para mim com "olhos de ver" e deu-me logo uma massagem no peito, deu-me os parabéns porque eu já tinha leite (e já não apenas colostro) e aconselhou-me a massajar muito para não deixar ficar com o peito demasiado duro. De resto, tive ajuda duma querida funcionária de limpeza, que me ajudou a experimentar uma posição diferente para dar maminha ao Gustavo (e que no dia seguinte fez questão de me ir ver e perguntar como estava a correr).
Os primeiros dez dias foram dolorosos: o peito ficava duro com muita rapidez, as massagens para amenizar a coisa eram muito dolorosas, e a ferida no mamilo não só não melhorou como piorou (e deixei de dar maminha dessa mama, até ter tido uma consulta de amamentação, por volta do 5º dia de vida do Gustavo - tirava leite com bomba dessa mama). Quando fomos fazer o teste do pezinho, por volta do 5º dia, tive uma consulta de amamentação com uma enfermeira querida que me ajudou imenso (ensinou-me uma posição para não me doer o mamilo ferido - e não doeu mesmo! - e aperfeiçoámos a pega do Gustavo). Depois disso, ao 7º dia continuava com dores e foi quando decidi experimentar mamilos de silicone. Usei-os durante uns dias (3 ou 4) e se não tivesse sido isso não sei se teria aguentado. Sei que há profissionais que não aconselham, mas acho mesmo que me salvaram a vida naqueles dias.
Ao final de uns 10 dias começou, finalmente, a correr melhor, e deixei de ter dores (ou pelo menos passaram a ser bem mais ligeiras). Sinceramente, quando ouço relatos de mastites e de mulheres que tiveram dores durante meses sinto-me uma sortuda pela experiência que tive. 
Só que na verdade o meu filhote nunca mamou lá muito bem (apesar de claramente o fazer de forma eficaz, porque não ficou um pequeno leitão do ar que respira), o que fez com que a maior parte da nossa experiência não tenha sido caraterizada por momentos íntimos de tranquilidade entre nós. Tranquilidade é palavra que se aplica pouco à minha experiência de amamentação.  Minto: nos primeiros dois meses, eventualmente três, a coisa era relativamente tranquila (apesar das cólicas), mas depois parece que piorou (e eu não consigo perceber o porquê). Ele era a criança a pôr e tirar a boca n vezes, ele era criança a esbracejar enquanto mamava (muitas vezes a bater-me mesmo), ele era criança às vezes queixosa com cólicas (também) enquanto mamava. Enfim... Havia dias mesmo frustrantes em que me sentia mesmo triste e só pensava "Que bom que estamos quase a deixar a amamentação exclusiva" e "Duvido que vá ter saudades disto". 
Houve ali uns dias, por volta da altura do meu regresso ao trabalho, em que as cólicas não só não melhoraram como ainda ficaram piores (principalmente à noite) e eu ponderei seriamente antecipar a diversificação alimentar, com esperança que com isso as cólicas melhorassem. Mas não havendo evidência de que tal aconteceria, e sabendo que o recomendado pela OMS é a amamentação exclusiva até aos 6 meses, lá continuei firme na minha opção.
A amamentação exclusiva durou até o Gustavo ter 6 meses e 10 dias (como queríamos fazer baby led weaning - falo sobre isso noutro post - esperámos que ele conseguisse sentar-se de forma minimamente segura, e isso só aconteceu por volta dessa altura).
Nunca, durante estes seis meses, e apesar das dificuldades, ponderei desistir de amamentar. A promessa que tinha feito a mim própria de só tentar até ao limite do razoável? Talvez a tenha incumprido em alguns momentos dos primeiros dias. Mas agarrei-me aos n relatos que diziam que o difícil são os primeiros dias e, passada essa fase, passa a correr bem.
Sendo muito honesta, talvez pela experiência que tive, apesar do balanço ser claramente positivo, não adoro amamentar. Faço-o pelo meu filho e porque sei que é o melhor para ele. Se me enche o coração pensar que tenho o melhor alimento do mundo para ele? Sim. Mas vejo a amamentação duma forma muito prática e pouco romântica. Prefiro mil outros cenários de cumplicidade que tenho com o meu filho do que a amamentação. E não há problema nenhum com isso. Se vou ter saudades no dia em que ele deixar de querer maminha? Boa pergunta. Cá estarei para descobrir a resposta ;).

quarta-feira, 11 de março de 2020

Leituras



Factfulness

Avaliação do Goodreads: 4,37/5
Minha avaliação: 5/5

Que livro tão, mas tão interessante! E é tão informativo que arrisco-me  dizer que é daqueles que toda a gente deveria ler. Faz mesmo pensar sobre a visão que temos do mundo (de uma forma bastante otimista, para variar).
O autor, Hans Rosling, é um professor de saúde internacional com uma experiência profissional e de vida riquíssimas, que nos mostra - com base em factos - como o mundo, no geral (em termos educacionais, de distribuição da riqueza, saúde, esperança de vida, etc), está muito melhor do que aquilo que temos tendência a pensar (e que nos mostram diariamente os telejornais). 


O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido

Peguei neste "O livro que gostaria que os seus pais tivessem lido" à espera de algo diferente, mais humorístico. Ao início cheguei a arrepender-me de o ter comprado, mas no final da leitura a opinião global é positiva.
A autora é psicoterapeuta, e muito resumidamente aponta a educação que tivemos por parte dos nossos pais como a causa de praticamente todas as nossas "falhas" enquanto pais. Mas faz outra coisa - essa, achei bem mais interessante - que é dar-nos ferramentas para comunicar e entender as necessidades dos nossos filhos numa perspetiva de diálogo e compreensão, tentando evitar aquela postura autoritária do "Fazes assim porque eu sou a mãe/pai e eu é que mando". Claro que este cenário idílico não será sempre possível e haverá crianças mais fáceis de se aplicar estas estratégias que outras, mas é uma abordagem que me parece muito interessante e que vou, definitivamente, (tentar pelo menos) aplicar com o meu filho.



A rapariga do casaco azul

Avaliação do Goodreads: 4,05/5
Minha avaliação: 4/5

"A rapariga do casaco azul" é um young adult que se passa em Amesterdão na época da II Guerra Mundial. É um tema do qual nunca me farto de ler: sobre pessoas que arriscaram a sua vida para ajudar muitas vezes desconhecidos cuja vida foi posta em risco apenas por serem judeus.
Não está no meu top de favoritos sobre o tema, mas foi uma leitura interessante.

segunda-feira, 9 de março de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #14 - Balanço da minha "pausa" na licença para um mês de trabalho

[A três dias do regresso a casa]
Depois dos primeiros dias em que senti na pele (e principalmente no cérebro) os efeitos da privação de sono (motivada principalmente por insónias, porque quanto ao restante cenário habitual de 3 a 4 despertares noturnos já me "habituei" de certa forma), começou a correr tudo melhor. Voltei a sentir-me minimamente bem durante o dia, e a conseguir raciocinar decentemente no trabalho. Na verdade, deixei de me sentir muito cansada (como me sentia quase todos os dias em que estava em casa de licença) para sentir-me "só" cansada. E agora que vou voltar para casa e sei que o Gu (que já pesa quase 9kg) ainda precisa de muito colo para adormecer durante o dia... confesso que não fico aos pulos de contente com a ideia do regresso.
Tal como nos primeiros dias, não morri de saudades do meu filho, nem passei os dias a pensar nele. E era muito boa a sensação de chegar a casa cheia de vontade de passar tempo de qualidade com ele, depois de umas horas separados. Não sei qual será a sensação de ir trabalhar e deixar o nosso filhote na creche: para já só sei o que é deixá-lo com o pai. E essa realidade deixou-me (como deixa sempre, independentemente de se vou trabalhar ou fazer outra coisa qualquer) completamente tranquila e descansada. A única coisa que pedia ao pai para fazer todos os dias era informar-me dos sonos e de quando o Gu bebia o biberão. Desde que ele fizesse isso eu não o "chateava" com mais perguntas. Nos primeiros dias confesso que estava sempre a olhar para o telemóvel principalmente à hora do biberão, mas depois até em relação a esse assunto consegui relaxar. Felizmente até hoje o Gustavo nunca rejeitou um biberão (usámos sempre o tetina calma da Medela).
A única parte verdadeiramente chata associada ao trabalho foi mesmo o ter que extrair leite à hora de almoço: para além de ser um tédio, de não ser a atividade mais confortável do mundo e de retirar algum tempo, sentia-me sempre uma espécie de criminosa por estar a fazê-lo com receio de aparecer alguém, apesar de ter sempre quem me ajudasse a assegurar que não apareciam "intrusos" (a casa de banho não era opção por falta de condições).
O balanço deste mês foi claramente positivo. Foi bom sair da "bolha" em que tenho vivido nos últimos meses, voltar a fazer coisas não relacionadas com a maternidade, arranjar-me todos os dias e vestir roupa "decente" (apesar de continuar a não poder vestir os meus ricos vestidos sem botões por causa de ter que tirar leite) e matar saudades de alguns colegas.
Sempre achei, mesmo antes de ter filhos, que não seria pessoa de me sentir 100% realizada a ser "só" mãe. E agora que sou mãe - e passados aqueles tempos iniciais em que só conseguia efetivamente viver em exclusivo para o meu bebé - confirmo isso. Acho que até me tenho "safado" bem neste que é, sem dúvida, o papel mais difícil que já desempenhei na vida, mas faz-me bem sentir-me útil também "noutras frentes". 

quinta-feira, 5 de março de 2020

Leituras

Nunca mais vos tinha atualizado sobre as minhas leituras, mas o motivo não é, de todo, a ausência delas. Se há coisa que tenho feito bem mais do que esperava desde que sou mãe (a única, arrisco-me a dizer) é ler. Por vários motivos: um deles é o facto de agora me proibir terminantemente de ir para a internet no telemóvel quando vou para a cama (porque é coisa que acaba por me despertar e nesta fase da minha vida em que tenho um bebé que acorda, no mínimo, três vezes por noite, não me posso dar ao luxo de desperdiçar oportunidades de dormir) e como tal leio sempre umas páginas antes de adormecer. E porque muitas das vezes em que acabo com a cria a dormir as sestas em cima de mim (é a única forma de fazer sestas longas, sozinho raramente chegam aos 45 minutos) se ele estiver em dias calmos de poucas cólicas consigo arranjar maneira de ler enquanto ele dorme (já que pouco mais consigo fazer com ele em cima de mim). A modos que nos dois primeiros meses do ano consegui despachar seis livros. Nada mau, hã? 
Para o post não ficar gigante, vou falar-vos de 3 deles para já.


Raparigas como nós

Avaliação do Goodreads: 4,42/5
Minha avaliação: 3,5/5

Li este livro por dois motivos: porque é da Helena Magalhães (a criadora do HM Bookgang que eu sigo no Instagram) e porque tem ótimas críticas.
Foi uma leitura muito fluida e a história é cativante mas...é um young adult, que não é dos géneros literários que mais me entusiasma. Para quem seja fã do género, recomendo bastante. Para mim foi uma leitura interessante, não sendo espetacular.


A guerra que em ensinou a viver

Avaliação do Goodreads: 4,41/5
Minha avaliação: 4/5

Este livro é a continuação do "A guerra que salvou a minha vida", de que vos falei aqui e que adorei (é sobre a história de dois irmãos ingleses na época da II Guerra Mundial). Tal como aconteceu no primeiro, li-o num instante. Não gostei tanto como do primeiro, mas vale muito a pena de qualquer forma. É uma história enternecedora e deliciosa sobre amor (não o amor "romântico", mas o familiar...da família de sangue e daqueles que amamos como se fossem).


10 dias para ensinar o seu filho a dormir

Avaliação do Goodreads: 3,22/5
Minha avaliação: 4/5

Este livro não cabe propriamente na categoria de lazer. Cabe mais na de "despespero de uma mãe" :p. Tenho lido imeeenso sobre o assunto, daqui a nada sinto-me eu própria capaz de escrever um livro mas...resultados práticos é que (ainda) não conseguimos grande coisa lá por casa. Mas continuo firme à espera do fim das cólicas do meu filho (sim, faz 6 meses para a semana e ainda tem cólicas) para confirmar (ou não) que elas são um dos grandes entraves aos sonos de qualidade do meu filho. Depois disso prometo que escreverei aqui a nossa experiência desde que tivemos consulta de sono até agora.
Mas passando então ao livro, lê-se num instante (é muito pequeno) e tem informação interessante. 
Quanto à técnica recomendada, não a apliquei (ainda...?). Por dois motivos: porque o livro foca essencialmente no ato de adormecer os bebés com mais de 6 meses (ainda não é o caso do nosso), e para o sono da noite. Os problemas lá por casa são mais as sestas, e o facto de o Gustavo acordar várias vezes durante a noite (mas raramente tem problemas em readormecer durante a noite). Para além do que como fomos a uma consulta, decidimos seguir a estratégia que nos foi recomendada nessa consulta. 
Se os vossos filhos tiverem mais de 6 meses e tiverem problemas especificamente a adormecer de forma minimamente autónoma para o sono da noite e acham que já experimentaram tudo e mais alguma coisa, talvez possam ter interesse em aplicar a estratégia recomendada neste livro.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Diário de uma mãe de primeira viagem #13 - Regresso ao trabalho (por um mês)

No dia 11 de fevereiro chegaram os fim os meus 150 dias de licença, pelo que "troquei" com o pai da criança durante um mês: fui trabalhar, e ele ficou em casa com o Gustavo.
Depois de ter passado por uns dias especialmente complicados em janeiro, em que ainda não conseguíamos adormecer o Gustavo deitado durante o dia e ele, já com 8kg, dava muita luta no colo depois de adormecer (cólicas...what else?), achei ingenuamente que iria quase sentir-me de férias quando regressasse ao trabalho. O que até poderia ser verdade a nível de esforço físico diário...não fosse a privação de sono.
Na verdade o sono do Gustavo não mudou quase nada (continuou a acordar em regra três vezes por noite), mas nos primeiros dias eu tive muito mais dificuldade em adormecer do que o habitual (só pela preocupação de ter que dormir para estar minimamente bem para conseguir raciocinar no trabalho) - e acreditem que fazer esse esforço 3 vezes por noite é dose. E com isso, depois do almoço apoderava-se de mim uma dor de cabeça que por regra não sinto quando fico em casa. Já para não falar da hora em que atingia o pico do cansaço - a meio da tarde, quando saía do trabalho - em que estava tão de rastos que sentia um mal estar no corpo todo, chegando a ter uma sensação de que vou vomitar, tal era o meu estado. Mas lá chegava a casa, matava saudades do meu filhote, e a indisposição melhorava ligeiramente. Isto aconteceu durante a primeira semana e meia, até que depois de um pico de insónias consegui voltar a readormecer melhor e voltei a sentir-me muito melhor durante o dia.
Pessoas que não têm filhos: pode não parecer, mas não quero, de todo, assustar-vos com esta descrição. Estou apenas a relatar a minha experiência com a máxima honestidade (e porque a quero recordar no futuro). Mas o facto de o meu filho dormir mal (e continuar com cólicas aos 5 meses!) não quer dizer que os vossos filhos venham a dormir mal também. Há todo o tipo de bebés e experiências, e nunca se sabe o que nos vai calhar "na rifa". Só espero que tenham mais sorte do que eu neste aspeto ;).
Mas passando a parte do sono, como foi regressar ao trabalho e deixar a criança entregue ao pai? Ora, o único inconveniente foi mesmo o querer manter a amamentação exclusiva, e então não só ter que extrair leite no trabalho à hora de almoço (é maravilhoso...só que não!) como ainda ter que stressar um pouco com horários de sair e chegar a casa para conseguir que o Gustavo beba apenas um biberão enquanto eu estou fora de casa. Mas depois de nos primeiros dois dias ter corrido tudo super bem nesse aspeto, consegui relaxar um pouco.
Talvez se o meu filho estivesse na creche, e não em casa com o pai, eu estaria preocupada e pensaria mais vezes nele durante o dia. Mas o facto de o saber tão bem entregue deixa-me tão relaxada que, sendo muito honesta, não me custa passar estas horas longe do meu filho. E não penso nele a toda a hora. E chego a casa com uma saudade boa e saudável que me faz aproveitar ainda melhor o tempo com ele.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Sobre o meu aniversário (e a nossa escapadela de fim-de-semana)

Nesta fase da minha vida, a única coisa que desejei com muita força receber neste meu aniversário foi uma noite de sono razoável (já que tudo o resto eu já tinha). Não aconteceu: a noite foi má, daquelas dignas de deixar a pessoa com um peso na cabeça o dia todo. A juntar à festa esteve um dia miserável (choveu o dia todo) e não deu para sair de casa com o meu filhote para um passeio. Mas estive com as pessoas mais importantes da minha vida e fui ao ginásio.
A noite seguinte ao meu aniversário foi bem melhor, e sábado ao início da tarde estávamos de partida para uma escapadela de fim de semana em família. O lugar escolhido foi a Casa do Mundo, no Calhariz (pertinho de Santarém). E que bem escolhido foi! Os anfitriões (ela brasileira, ele holandês) são dos mais atenciosos e simpáticos que já conheci (sabem aquelas pessoas que nasceram mesmo para receber pessoas? e que têm o alojamento com todos os detalhes pensados ao mais pequeno pormenor? são eles.). Para além da decoração da casa (e do estúdio onde ficámos os três) ser lindíssima (para os meus padrões, claro), a zona envolvente é espetacular (está rodeada de natureza e inspira uma paz enorme). E o bónus? Um pequeno almoço maravilhoso, do mais variado que possam imaginar.






Retirando a nossa viagem à Madeira no Natal, esta foi a primeira vez que saímos de Lisboa com o nosso amorzinho para um fim de semana fora, e correu muito bem. Fez as viagens de carro igual a ele próprio (dorme 30 minutos e acorda), e esteve super bem disposto e atento a tudo o que viu. 
Sou uma adepta de rotinas com o nosso bebé, principalmente a nível de sono, e sinto que sempre que elas não acontecem acabamos por pagar a fatura (torna-se mais difícil adormecê-lo e não dorme tão bem). Mas caramba, é verdade que a chegada de um bebé nos vira a vida do avesso, mas temos que nos esforçar por continuar a vivê-la. Mesmo que o preço a pagar por isso sejam umas horas (ou um dia seguinte) mais complicadas para voltar à "programação habitual". E este fim de semana maravilhoso que tivemos valeu todo o esforço.