Então tu deixaste a Madeira com 17 anos de idade para ir viver para Lisboa? Deixaste Lisboa, no início de 2011, para ir viver (com estranhos) para França e, no fim desse ano, para ir para Londres, e agora fazes todo este filme com uma mudança de 300km?
Foto tirada no verão de 2011 (as saudades que eu tenho desse ano!)
A diferença está toda naquilo que esta mudança implica perder. A vinda para Lisboa tinha que ser. Era isso ou ficar na Madeira a tirar um curso escolhido "só porque sim", e não aquele que eu (achava que) queria. A ida para França foi tão, mas tão fácil. Estava numa fase de depressão, tinha acabado um namoro de 10 anos, a licenciatura, não tinha emprego. O que é que eu tinha a perder? Nada. E a ida para Londres foi uma brincadeira de amigas, com prazo para acabar desde o momento em que lá chegámos.
Mas esta agora, esta vai deixar-me longe de 90% das amizades que fiz nos últimos anos. Vai roubar-me as minhas rotinas de que tanto gosto. Vai tirar-me da minha zona de conforto. Vai colocar-me num ambiente de trabalho que, de acordo com fontes seguríssimas, não é tão bom como o que tenho agora (também, há que admitir que era muito difícil melhorar). Mas vai também afastar-me de coisas que, parecendo que não, me têm feito mal ultimamente. Coisas essas que aqui a masoquista de serviço não tem tido a devida força de se livrar. E só por isso já devia valer a pena. Mas, junto disso, ainda me vai trazer mais uma série de coisas boas: vou ver o meu amor feliz da vida outra vez por estar de regresso ao norte, vamos arranjar uma casa linda (estamos tão fartinhos do nosso cubículo cheio de humidade), vou descobrir uma cidade que, pelo pouco que conheço, adoro, e vou poder começar a fazer planos a longo prazo, planos esses que têm estado postos de parte até agora, por causa de toda a provisoriedade que caracterizou os últimos anos.
Pelo que tem tudo para ser uma mudança para lá de espetacular. Só falta é eu convencer-me disso.