Quando decidimos (por volta de setembro) passar a mudança de ano no estrangeiro, pesquisámos pelas melhores passagens de ano da Europa, e lá estava Berlim, em segundo lugar. Os bilhetes de avião, pela Tap, estavam a pouco menos de 200€, e lá decidimos que iríamos embarcar nesta aventura. Não constava da lista de cidades que tenho mais vontade de visitar, mas pela sua história do século XX e por ser atualmente uma grande potência, tinha alguma curiosidade.
Arrendámos um apartamento muito giro pelo Airbnb, em Kreuzberg, que fica mesmo ao pé do metro (e a poucas estações de vários pontos centrais) e a um preço simpático (principalmente quando comparado com o preço dos hotéis) - pagámos 258€ (taxas incluídas) por 3 noites.
Saímos de Lisboa na manhã do dia 31 e chegámos a Berlim ao início da tarde (são 3h30m em voo direto). Fomos pôr as malas ao apartamento, comemos um kebab lá nas redondezas e partimos rumo ao centro, onde chegámos já ao anoitecer (por volta das 16h).
Andámos a passear pelos pontos principais da cidade (o perímetro à volta das portas de Brandenburgo já estava encerrado, devido às celebrações da passagem de ano). Ao final da tarde encontrámo-nos com uns amigos que, por mera coincidência, também decidiram ir a Berlim nesta altura do ano e rumámos a um mercado de Natal, em Postdamer Platz, para jantar. Entrámos numa restaurante amoroso numa casinha de madeira e comemos um goulash (que já tínhamos comido em Praga. é um "sopa" com molho de tomate e carne, acompanhada com pão). Logo ali fomos brindados com o primeiro toque da simpatia berlinense: o senhor meu namorado estava a perguntar ao empregado em que é que consistia uma bebida do menu (é muito comum encontrar-se menus e todo o tipo de indicações apenas em alemão por toda a cidade) e nos dois segundos em que hesitou a escolher, o homem fartou-se de esperar, suspirou, e deu meia volta, deixando o senhor meu namorado literalmente a falar sozinho. Que fofinho!
Cá está o goulash.
Saímos do mercado por volta das 21h e a nossa ideia era ir para a zona das Portas de Brandenburgo para assistir ao fogo de artifício à meia noite. Acontece que chegámos lá perto e os acessos estavam todos vedados, já ninguém podia entrar (ao que parece, desde as 19h). Andámos às voltas a tentar descobrir algum ponto de ligação que não estivesse cortado, passando por muitos sítios onde nem tínhamos noção se daria para vermos o fogo ou não (porque havia gente em cada canto da cidade).
Um dos nossos pontos de passagem. Estava sempre alguém a lançar foguetes.
Já perto da meia noite, parámos numa ponte nas traseiras das tão almejadas Portas de Brandemburgo. Quando vi imensa gente por lá (inclusive um senhor preparadíssimo para pôr a sua câmara a gravar) pensei "Estas pessoas não estariam aqui se não desse para ver o fogo.". Pois estava enganada. Ao que parece, há quem se contente eu ouvi-lo, ou em lançar o seu próprio... Começámos a ouvir sons, umas luzes ao fundo, mas fogo de artifício que é bom...vimos aquele que as pessoas iam lançando por lá (e não era pouco), e uns vestígios do "verdadeiro", no cimo de um prédio. Não era aquilo que eu esperava da passagem de ano em Berlim, confesso. Talvez se já não tivesse passado 20 e muitas passagens de ano na Madeira aquilo não me tivesse causado tanta estranhesa, não sei.
É verdade que também foi culpa nossa, que programámos mal a coisa, sem dúvida, mas se ver o fogo de artifício implicava ter estado mais de 5 horas a meio da rua, à espera, com temperaturas a rondar os zero graus...confesso que também não estava muito para aí virada.
Seja como for, foi uma passagem de ano completamente diferente daquilo a que estou habituada, a meio da rua, sem as roupas pipis do costume, sem a família, mas a meio da Europa, acompanhada de amigos e de um mar de desconhecidos.
[Eu volto para vos contar sobre o resto da viagem.]































