terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Disto do amor

Já acreditei em contos de fadas e em "felizes para sempre". Nessa altura, estava numa relação que veio a durar dez anos e que começou bem no início da minha adolescência (ainda no século passado, vejam só). Acreditava de tal forma que até já tínhamos escolhido o nome do nosso primeiro filho (seria um Tiago, se fosse rapaz) e inclusive do cão (seria um  Box) - eu, que nem aprecio cães. Acontece que a vida nos fez crescer em sentidos diferentes e a relação deixou de funcionar. Foi cada um para seu lado, mas fizemos questão de manter a parte boa da nossa relação - a nossa amizade (que me valeu os primeiros e únicos haters aqui do blogue, que não conseguiam perceber como raio podíamos continuar amigos, que eu era uma açambarcadora de homem alheio - mesmo sem saberem se ele já tinha ou não alguém, que o que eu queria era o homem de volta). Pois sabem que mais? Quase sete anos se passaram e continuamos amigos. E eu gosto tanto dele como se fosse meu irmão, por mais estranho que possa parecer, e só lhe desejo o melhor deste mundo (inclusive no amor).
O final daquela relação mudou-me muito enquanto pessoa. Sofri como não achava possível um ser humano sofrer, mas levantei-me. E cresci enormemente. E fiz coisas que nunca teria feito antes. Eu, a menina caseira e super dependente a nível emocional, foi sozinha para França viver na casa de desconhecidos. E depois disso ainda deu um pulinho a Londres com as amigas durante 3 meses. E, durante aquele ano, sozinha, consegui ser feliz como há muito não era. Como não me lembrava de alguma vez ter sido, arriscaria dizer.


Voltei para Portugal em 2012, para o trabalho onde estou hoje, e foi por lá - no lugar menos romântico da história (quem me segue saberá qual é) que conheci o meu namorado, que me fez recuperar um bocadinho da minha fé nisto do amor, mas já não da mesma forma. O "felizes para sempre" deu lugar ao "para sempre enquanto dure". Bem menos romântico, dirão alguns. Bem mais realista, digo eu.
De há uns tempos para cá dei por mim a refletir muito sobre a minha vida, inclusive sobre a relação que tenho. Por motivos muito meus, pus tudo em causa. 
Tudo isto me consumiu durante algum tempo. A ideia de partilhar o que ia dentro de mim e fazer sofrer, de forma tão atroz, uma das pessoas mais importantes da minha vida e que menos o merece, era mais do que eu conseguia suportar. Até ao dia em que não aguentei mais e falámos. E percebemos que, afinal, as dúvidas não são só minhas. E bem... o alívio que isto foi para mim, não há palavras que consigam traduzi-lo.
Ainda nos esperam momentos muito complicados até encontrarmos o caminho certo - seja ele qual for. Mas para já sinto uma serenidade como há muito não sentia. Podemos não estar na nossa melhor fase enquanto casal, mas estamos em sintonia, e isso já é qualquer coisa. 
Não sei o que é que o futuro nos reserva (ninguém sabe, na verdade) mas costumo dizer que é nas alturas menos boas que se conhece verdadeiramente as pessoas. E eu, nesta altura, só vim confirmar aquilo que já sabia: tenho a meu lado um ser humano incrível, que enriqueceu e muito a minha vida. O que faz de mim uma privilegiada. Aconteça o que acontecer.

15 comentários:

  1. Eu sou do tempo dessa relação que acabou e das viagens para França e Londres, embora depois tenha perdido o rasto ao blog durante uns tempos :) Mas lembro-me de quando começaram a morar juntos, por exemplo! O tempo passa!!! Que sejam felizes, é o que importa. O tempo logo ditará o futuro.

    ResponderEliminar
  2. "...tenho a meu lado um ser humano incrível, que enriqueceu e muito a minha vida". Aí está um excelente motivo para celebrar. Um bom dia para vocês.

    ResponderEliminar
  3. Que texto tão forte e bonito.
    Já teres noção disso tudo é meio caminho andado...

    Beijocas

    ResponderEliminar
  4. Lembro-me que descobri o teu blog já há alguns anos mas também me lembro que li o blog de uma ponta à outra quase no mesmo dia. :) Lembro-me bem desses posts do ex, França... Só recentemente é que passei a comentar como já tinha dito.
    Ainda bem que te sentes mais "em paz" e espero que sejas muito feliz, independentemente do rumo que a tua vida possa seguir. Isto chega a ser estranho, acompanhar um blog, gostar da pessoa e desejar-lhe o melhor como se fosse minha amiga! Haha
    Um beijinho, querida Gelatina *

    Conterrânea M.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh, que querida (para não variar :)). Muito obrigada pelas palavras! Beijinho querida conterrânea

      Eliminar
  5. Acho que não sou do tempo desse ex e dessas viagens, mas gostei de saber um bocadinho mais da tua história.

    E gostei bastante deste teu texto!

    ResponderEliminar
  6. Parabéns por teres mantido a amizade, acho das coisas mais difíceis de fazer, mas isso é obviamente uma visão muito pessoal. E depois, parabéns por este texto. Acho que foi das coisas mais reais que li acerca do amor, muito obrigada por partilhares. Beijinhos

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu é que agradeço Agnes, de coração! Obrigada pelas tuas palavras!

      Eliminar
  7. Comecei à muito pouco a ler o teu blog, mas este texto deixou-me curiosa por saber mais, este fim de semana vou ler os teus textos dessa altura! :)
    Todas as relações atravessam fases mais complicadas, mas tenho a certeza que a mudança para a TUA cidade do coração vai ajudar a clarificar os vossos sentimentos. Tudo se resolve!
    Quanto a ficar amiga dos ex namorados, acho uma coisa perfeitamente possível e que só significa que a relação está completamente ultrapassada! Eu cá bem espero pelo dia em que o menino de quem gosto, se consiga ver como apenas amigo da ex-namorada. (Isto se até lá eu não desistir de esperar)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Tão querida, obrigada =)!
      Lamento a tua situação e espero que tudo te corra pelo mellhor também a ti. Beijo grande!

      Eliminar
  8. Continuem a lutar, valera sempre a pena :)

    ResponderEliminar